domingo, 31 de dezembro de 2023

Destaques 2023 - Filmes e Séries

O final do ano é tradicionalmente uma altura para fazer balanços e destaques do ano que passou. No que concerne a filmes e séries, 2023 não me parece um ano que vá ficar para a memória. Há dois efeitos que me parecem ter contribuído. O cansaço com filmes e séries da Marvel ou spin-offs de sagas como Star Wars. A fórmula está mesmo gasta e os recursos precisam ser canalizados para outras alternativas. O outro efeito que não ajudou nada à produção audiovisual foi a greve dos argumentistas, algo que fez parar, cancelar e adiar inúmeros filmes e séries. 

Num ano tão pouco prolífero é natural que os destaques sofram de alguma repetição, ainda assim deixo aqui os títulos que julgo merecerem alguma distinção (a ordem foi definida aleatoriamente). 

Filmes

1. Maestro de Bradley Cooper. 
-Filme biográfico sobre a vida de Leonard Bernstein.
-Netflix


2. Oppenheimer de Christopher Nolan 
-Filme biográfico sobre a vida de J. Robert Oppenheimer
- Apple TV (aluguer)


3. Barbie de Greta Gerwig 
-Filme de com a boneca Barbie como centro da narrativa
-HBO Max


4. Spider-Man: Across the spider verse
-Filme de animação com o homem-aranha
-Apple TV através de aluguer



5. Assassinos da Lua das Flores de Martin Scorcese
-Filme de sobre uma série de assassinatos de índios nos Estados Unidos durante os anos 20
-Apple TV (aluguer)


6. Evil Dead Rise: O despertar de Lee Cronin
- Filme que dá sequência à saga Evil Dead 
- HBO Max


7. A Incrível História de Henry Sugar de Wes Anderson
- Um dos capítulos de uma série de curtas lançadas por Wes Andereson
-Netflix



e agora algumas Séries

1. The Bear (temporada 2)
2. Invincible (temporada 2)
3. The last of Us (temporada 1)
4. Welcome to Wrexham (temporada 2)
5. What We do in the Shadows (temporada 5)
6. Poker Face (temporada 1)
7. Succession (temporada 4)





sábado, 30 de dezembro de 2023

Wonka (2023)

Havia um anúncio da Bimbo nos anos 90/00 em que havia um pregão que ficou na memória popular: Bimbo é fresco e fofo! Ora pregão que se ajusta parcialmente a Wonka de Paul King, pois o filme lançado pela Disney neste Natal é bastante fofo, mas de fresco tem pouco.


Tem índices elevados de fofura por vários motivos: i) a história é muito queridinha. Wonka ainda é um jovem chocolateiro à procura de abrir a sua própria loja nas galerias de chocolate mais luxuosas, pretendendo trazer alegria e prazer a todos aqueles que comem chocolate. A sua inspiração é a própria mãe, que parece ter já falecido; ii) é muito colorido e as músicas são enternecedoras principalmente para o público mais infantil; iii) As personagens parecem todas saídas do mundo dos ursinhos carinhosos (mesmo os vilões não são muito ameaçadores). Chalamet interpreta um Wonka sem malicia no olhar e que apenas procura ser feliz na busca do seu sonho. E Hugh Grant, um Oompa-Loompa engraçado e com danças caricatas.

É fofo sim, porém pouco fresco. A história é previsível, com momentos evidentes de preguiça argumentativa. Continua a haver um claro abuso do CGI, tornando tudo muito plástico e falso. As músicas não são tão orelhudas como de outros filmes Disney.

E é fofo sim, porém demasiado. A personagem de Wonka no filme original parece afável, mas denota laivos de loucura e perversidade. Ora neste filme não há qualquer pista que revele o porquê da personagem se ter tornado retorcida.

Resumindo cumpre o seu papel para um público mais infantil, mas não parece que venha a ter destaque no panteão das grandes obras Disney.

Rating: 3/5

Fun Fact: O realizador Paul King afirmou que ganhou cerca de 20kg por causa de todo o chocolate que comeu durante a rodagem do filme. E diz que é um milagre Chalamet ter mantido a boa aparência e a delgadez. Explicou que havia uma chocolateira profissional a fazer os chocolates deliciosos para o filme. Algo que com graça o realizador afirmou não fazer sentido, pois os atores conseguem fingir que estão a comer o melhor chocolate do mundo, mesmo que este seja desagradável no palato.

domingo, 24 de dezembro de 2023

#4 - Filmes no Sapatinho - Nightmare Before Christmas (1993)

Cheira a Natal. Já se vêm tapetes de meninos Jesus pendurados nas varandas como se fossem cair ao chão, gambiarras berrantes e aos olhos irritantes nas caleiras das casas. O bacalhau está de molho e o peru grosso para no forno não pensar. O óleo está nas frigideira, pronto a fritar sonhos para todos os que são filhós de Deus...



E porque a noite de Natal se está a aproximar, nada melhor do que em The Nightmare Before Christmas falar. Obra saída da cabecinha pensadora de Tim Burton, ainda quando era animador da Disney nos anos 80. A gaveta fez bem ao projecto que foi amadurecendo e de um pequeno conto surgiu numa longa metragem em 1993. Tim Burton acabou por não poder realizar o filme, devido a impedimentos contratuais ligados à produção de Batman. Colaborador habitual de Burton, Elfman (nome apropriado para este filme) foi o criador da extraordinária banda sonora, dando voz ao personagem principal, Jack  the Skellinghton, enquanto este canta. Claramente, a música é um dos pontos fortes do filme. Elfman confessou que escrever as 10 faixas para este filme foi o trabalho mais fácil que teve na sua vida, pois considera que tem muitas parecenças com Jack. 

Resumidamente, The Nighmare Before Christmas conta a história de Jack Skellinghton, o Pumpkin King da Halloween Town, que está farto da sua vida repetitiva, centrada em exclusivo no dia das bruxas. Um dia e de forma acidental, entra na Christmas Town e descobre que existe o Natal. Fascinado com a ideia e com o espírito, resolve juntar os habitantes e criar um Natal à maneira de Halloween Town. Para o efeito rapta o Pai Natal, a quem chama Sandy Claws, assume o seu lugar e começa a preparar a entrega de presentes, alguns deles bastante diferentes do habitual….

Não sendo propriamente desajustado para um público infantil, devido ao lado sombrio que possui, é claramente direccionado para uma audiência mais adulta. Esteticamente é uma obra magnífica, marcada pelo estilo de Tim Burton em toda a sua plenitude, podendo encontrar-se vários elementos habitualmente usados pelo realizador nos seus filmes. Por exemplo, o recurso a personagens sinistras, mas com bom coração - Eduardo Mãos-de-Tesoura, Jack, etc. Para os fãs de Burton é obrigatório, para quem gosta de uma boa história de animação com uma agradável banda sonora também. 


Fun Fact: Marilyn Manson fez uma cover da música This Is Holloween, uma das primeiras a ouvir-se no filme.


sábado, 23 de dezembro de 2023

#3 - Filmes no Sapatinho - Violent Night (2022)

Silent Night, Violent Night...

Caso sejam daquelas pessoas que já não têm paciência para os convencionais filmes de natal, fofinhos, inocentes, com finais previsíveis, e se ao mesmo tempo têm alguma inclinação para apreciar uma pitada de violência gratuita, humor sarcástico com notas de brejeirice, então Violent Night de Tommy Wirkola é uma excelente opção para vocês. Atenção, Violent Night não deixa de ser um filme de Natal. Os elementos estão lá todos, o Pai Natal anafado, as renas voadoras, presentes para entregar e famílias ricas desavindas em busca de reatar de relações na noite de Natal. Contudo… O Pai Natal é preguiçoso, rezingão, bêbado e javardo. A família central da história não tem escrúpulos e quando envolvida num rapto, é o salve-se quem poder… cada um só se importa com a sua pele e com a herança.



Não é uma obra-prima e por vezes o humor tende para o básico, no entanto parece-me uma boa alternativa para ver depois da abertura dos presentes de Natal, após os avós se irem deitar… este filme não é para velhos (velhos de forma carinhosa). Há quem diga, que este filme se pode tornar numa espécie de Die Hard, filme de ação tradicionalmente visto nesta quadra.


Mas ao mesmo tempo ver este filme na noite de Natal pode ser um risco. Pois numa noite em que toda a gente come como se fosse hibernar até à primavera, as pessoas com estômago mais frágil poderão canalizar a violência do ecrã para algum tipo de regurgitamento… 

Rating: 3/5

Fun Fact: O realizador admitiu ter-se inspirado em certa medida nas armadilhas/partidas usadas em Home Alone para desenvolver algumas das cenas deste filme.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2023

#2 - Filmes no Sapatinho - Raiders of Lost Ark (1981)

O Natal é uma altura de conforto, comidinha boa, férias, pantufas do Pateta nos pés, aquecer as mãos no borralho e, claro, ver filmes que já vimos 5oo mil vezes. É natural gostarmos de rever filmes para obter conforto, pois uma forma de conforto é também a previsibilidade. A previsibilidade de saber que se vai ver um filme de que gostamos, mas também no sentido de sabermos que haverá cenas que nos irão trazer uma satisfação muito satisfatória.

Exemplo de filme de conforto para mim é Raiders of Lost Ark, AKA o primeiro Indiana Jones. Nos anos 80, juntar uma história de George Lucas, a realização de Steven Spielberg e a queda para herói de acção de Harrison Ford, só poderia retumbar num sucesso gigantesco. Gigantesco ao ponto de atingir vendas de bilheteira de quase $4oomilhões com apenas $20milhões de orçamento.



Harrison Ford na altura confirmou o carisma para herói de ação que já se deixava vaticinar nos primeiros filmes de Star Wars... Embora a sua escolha não tenha sido a primeira, não conseguimos imaginar mais ninguém a sacar do chicote enquanto Indy. 


Quanto à história é arqueologia, é profecias, é acção, é povos distantes, é a arca da aliança, é nazis que querem a arca da aliança, arqueólogos armados em vaqueiros, sempre de chicote em riste e que pretendem capturar a arca antecipadamente para impedir os nazis de a usar para vencer a guerra. Depois, claro, o típico romance, dama quase sempre em perigo à espera de ser salva por Indy, mas não com o sinal de frágil na testa, que a donzela deste filme tem pelinho na venta para dar e vender, Marion Ravewood (Karen Allen). 

Ainda falta referir o último ingrediente de sucesso desta obra, John Williams e a sua icónica banda sonora. Havia uma anedota na escola em que se perguntava, qual era a música com mais "Tês"... a resposta era a música do Indiana Jones, acompanhava do onamatopaico "Tatatata, tatatamm, tatatatam, tatatamtamatam"... (peço desculpa).

Ao rever este filme, mais uma vez ficou aquele sentimento nostálgico do cinema em que os efeitos práticos eram reis e os cenários reais... Belos tempos em que o CGI era uma miragem e não usado para qualquer montagem.

Rating: 4,5/5

Fun Fact: Atrás foi referido que Harrison Ford não foi a primeira escolha para o papel de Indiana Jones. O escolhido tinha sido Tom Selleck, que só não pode interpretar o papel devido a questões contratuais com a série de TV Magnum P.I.... Caso para dizer males que vêm por bem.


#1 - Filmes no Sapatinho - Maestro (2023)

Este ano não houve advento, mas não podiam faltar algumas sugestões para ocupar algum tempo livre durante esta quadra natalícia. Eis a primeira edição de "Prendas no Sapatinho"

Prendas no Sapatinho #1 - Maestro (2023)



Começo com Maestro, filme realizado, produzido e protagonizado por Bradley Cooper, recentemente estreado na Netflix, após curta passagem nos cinemas. Leonard (Lenny) Bernstein foi um dos mais afamados e talentosos compositores/maestros norte americanos do século passado, tendo uma sólida carreira na música clássica, mas também com contribuições interessantes para a Broadway, nomeadamente West Side Story.

A narrativa do filme vai deambulando entre os seus sucessos profissionais e a sua vida pessoal/amorosa pouco convencional para as décadas de 50 a 80.


É uma peça de cinema muito decente e recomendo vivamente, mas é daqueles filmes que não conto voltar a ver. Reconheço que a realização, fotografia e som estão num patamar de excelência. Também os atores, neste caso com Bradley Cooper à cabeça têm performances imaculadas, até acho que Cooper pode levar a estatueta para melhor ator. Todavia, a duração e a falta de ritmo levam a que certos momentos sejam enfadonhos. Este ano senti o mesmo com Oppenheimer e em Assassinos da Lua das Flores, obras de qualidade superior mas que, a espaços, me custaram visionar.

Rating: 4/5 

Fun Fact: a filha de Bradley Cooper interpreta um pequeno papel enquanto Jamie(criança), personagem filha de Leonard Bernstein.