domingo, 26 de abril de 2020

Ciclos - Christopher Nolan - Memento (2000)

Este ciclo, que agora se inicia, é dedicado a Christopher Nolan. O realizador britânico, que dispensa apresentações, tem vindo a coleccionar êxitos comerciais nos últimos anos. Desde a trilogia de Batman que o sucesso dos seus filmes nunca mais parou. 

A sua carreira começou com a realização de curtas, passando para filmes independentes  de baixo orçamento, depois filmes de super-heróis, até chegar à produção de grandes blockbusters. Hoje em dia, Christopher Nolan tem um aura semelhante à que tinha Steven Spielberg nos anos 80/90, a de realizadores que não conseguem fazer filmes maus. 

Antes de avançar para as minhas escolhas, apresento 3 fun facts sobre o realizador:

1º - É daltónico em tonalidades de vermelho e verde. 


2º - Não gosta de efeitos especiais digitais, tendo-se oposto, de forma afirmativa, à sua utilização no filme Batman Begins (2005).

3º - É canhoto.

Contra Fun Fact - É um grande apreciador da banda de Manuel João Vieira, Ena Pá 2000... Agora fiquei da dúvid
a, será antes fã de Radiohead? Fica a questão.

Quanto à escolha dos filmes da obra de Christopher Nolan, resolvi começar por Memento. Apesar de não ser o seu primeiro filme, é aquele que fez despertar interesse pela obra do realizador.

2ª Feira - Memento (2000)

Acabei de ver o Memento e é melhor apontar as ideias antes que me esqueça... E cheguei ao fim e, estupidamente, veio-me aquela música dos Santos & Pecadores à cabeça, É o memento final... Bom... e após este memento, desculpem, momento Fernando Mendes é melhor avançar. 

Este filme foi o segundo realizado por Christopher Nolan, antes apenas tinha realizado curtas e o Following (1998). Mas sem dúvida, o primeiro a trazer algum reconhecimento ao realizador. O filme é o resultado de uma parceria, até agora frutífera, entre Christopher e seu irmão Jonathan, mais dedicado à escrita. Jonathan além da colaboração com o seu irmão em Memento, The Prestige, Dark Night Rises e Interstellar, é um dos criadores da série Westworld.

Voltando a Memento, a narrativa desenvolve-se em torno de Leonard (Guy Pearce em modo oxigenado), um ex-agente de seguros ligado a peritagens, que não consegue reter memórias desde que a sua mulher morreu assassinada. O seu objectivo é agora, o de encontrar o assassino e vingar a sua mulher. No entanto, como tem a memória equivalente à de Nemo (sim, aquele carapau laranja), tem de arranjar formas de se recordar. Para isso, vai tirando fotografias e tatuando o seu corpo. 

É um filme cuja a história se desenvolve ao contrário, em que as cenas posteriores explicam as cenas anteriores. É um extenuante exercício de memória, e obriga a um visionamento com uma atenção equivalente à que um cirurgião tem de ter numa operação delicada. À mínima distracção perdemos o fio à meada. Quando acabei de ver o filme, senti que tinha levado o meu cérebro a uma aula de crossfit.

Ainda, destaque para o bom desempenho do elenco. Além de Guy Pearce, o filme conta com Carrie-Ann Moss como a enigmática Natalie e Joe Pantoliano como Teddy. Este último recomendado por Moss, após terem contracenado em Matrix (1999). 

Gostei de rever Memento, curiosamente já não me lembrava de quase nada. Apesar de um filme de baixo orçamento / independente (custou $9 milhões, enquanto o Interstellar custou $165 milhões), consegue ser um filme original e com a capacidade de pôr os espectadores a reflectir sobre a importância da memória. Afinal, o que somos nós além de memórias? E para finalizar, recorro a uma citação do filme: "We all need mirrors to remind ourselves who we are". 

Fun Fact: A doença de que padece Leonard no filme existe na realidade, chama-se amnésia anterógrada, manifestando-se na incapacidade dos pacientes conseguirem formar novas memórias após o início da doença. Nos doentes de Alzheimer acontece com frequência. (andei a ler o Harrison´s... só que não).














domingo, 19 de abril de 2020

Ciclos - Quentin Tarantino

O ciclo desta semana é dedicado a Quentin Tarantino, um realizador que dispensa apresentações. Ganhou notoriedade com a realização dos seus dois primeiros filmes, Reservoir Dogs e Pulp Fiction, tendo ganho a Palma de Ouro, em Cannes, por este último. Hoje em dia é um dos realizadores com maior reconhecimento a nível mundial.

O seu estilo de realização é inconfundível. Elementos cénicos e guarda-roupas impecáveis. Bandas sonoras inesquecíveis e icónicas. Violência extrema (controversa), por vezes dando a sensação que sai de algum desenho animado. E por fim, personagens fortes e com margem para verbalizar as cenas. 

Outro aspeto interessante é a qualidade do elenco que o realizador consegue reunir para os seus filmes, por vezes, indo buscar actores "esquecidos", como por exemplo, John Travolta em Pulp Fiction, David Carradine em Kill Bill ou Jennifer Jason Leigh em Hatefull Eight.

Antes de avançar para as minhas escolhas, apresento 3 fun facts sobre o realizador:

1º - A mãe de Quentin, Connie Mchugh, tinha apenas 16 anos quando o deu à luz. 

2º - Referiu que um dia gostava de realizar um filme de James Bond, sendo o seu filme favorito do espião inglês é From Russia with Love (1963).

3º - Planeia retirar-se após o seu 10º "major" filme. Tendo em conta a sua própria contagem, apenas faltará um para se reformar. 

Contra fun fact: O jogador Tarantini do Rio Ave deve a sua alcunha ao realizador. Podia ser verdade mas não é. Tarantini deve o seu nome, a um jogador campeão mundial pela Argentina em 1978.



Quanto à escolha dos filmes, desta vez, resolvi ser prático e escolhi analisar os 5 primeiros filmes (major) realizados por Tarantino. Porque são representativos da carreira do realizador e porque marcaram a história do cinema nos anos 90/2000 ou simplesmente porque sou um preguiçoso.

2ª Feira - Reservoir Dogs (1992)

Após um assalto que acaba terrivelmente mal, os elementos do bando que levaram a cabo o golpe, começam a desconfiar uns dos outros e paira a possibilidade de um deles ser um agente da polícia infiltrado (ou na gíria, uma ratazana bufa). Esta é a sinopse do primeiro filme de Quentin Tarantino (se não contarmos com o My Best Friend Birthday), que bem poderia ser a de um banal filme policial  (ou até um episódio do Inspector Max, vá se calhar não...). 

No entanto, há um aspecto que o diferencia, Quentin Tarantino. O desenvolvimento  do argumento beneficia o talento dos actores (Harvey Keitel, Steve Buscemi e Michael Madsen à cabeça), que através de um magnífico desempenho, conseguem criar personagens com características vincadas e facilmente identificáveis para o espectador. Nesse aspecto, Tarantino ainda facilitou mais tarefa, atribuindo às personagens nomes de cores, Mr. White, Mr. Pink, Mr. Blonde, etc. e, ainda, criando momentos de flasback para explicar o background de cada uma delas. Resumindo, a simplicidade da história contrasta com a densidade das personagens. 

O filme tem os elementos distintivos que viriam a definir a carreira de Tarantino, humor negro, violência (é uma chuva de ketchup constante), promoção das capacidades de dramáticas dos actores, uma cuidada selecção de banda sonora e por fim a atenção ao mais ínfimo pormenor. De tal forma que podemos dizer que Tarantino é o chamado realizador ourives, dado o foco no detalhe.  

Uma vez que o orçamento do filme foi bastante reduzido, o realizador teve de explorar ao máximo os actores que tinha, porque era, praticamente, a única matéria que tinha à disposição. Os actores, literalmente, tiveram de puxar pelo cabedal, e não estou a falar das suas actuações. Antes do facto, de alguns deles terem de levar as próprias roupas, dada a falta de verba para elementos de caracterização. Eis este casaco de fato de treino do próprio  Chris Penn, e que a bem da verdade faria grande sucesso na Venezuela:




Outro exemplo, é o facto de grande parte das cenas se passarem numa garagem, pouco maior do que a da vizinha (referência desnecessária). Ainda, muitos foram os actores que não aceitaram participar no filme por causa do reduzido cachê que lhes foi oferecido (Samuel L. Jackson, James Wood, George Clooney, etc). Até há quem diga que o nome Reservoir Dogs (cães danados) é uma homenagem a estes actores que rejeitaram(mentira). Pondo em perspectiva, o orçamento de Reservoir Dogs foi $1,2 milhões, enquanto o de Once Upon a Time in Hollyood foi de $90 milhões.

Destaque final para os diálogos aleatórios que vão surgindo ao longo do filme, como por exemplo, a obrigatoriedade ou não de dar gorjetas às empregadas ou o significado da música da Madonna, Like a Virgin (ver vídeo abaixo).

Fun Fact: A famosa cantora Pink revelou que a inspiração do seu nome artístico foi a personagem deste filme, Mr. Pink.





3ª Feira - Pulp Fiction (1994)

Pulp Fiction traduzido à letra é ficção de polpa, e neste caso de tomate, tendo em conta os litros de "sangue" que são jorrados durante o filme.

O filme é uma teia de relações. Dois assassinos contratados a soldo, Vicent Vega (John Travolta) e Jules Winnfield (Samuel L. Jackson) que recuperam uma misteriosa mala para o seu contratante Marsellus Wallace ( Ving Rhames). Entretanto, Wallace pede a Vega para levar a sua mulher Mia (Uma Thurman) a sair. Butch (Bruce Willis) é um veterano lutador de boxe que acorda um esquema com Wallace para perder de propósito um combate, obtendo assim grandes ganhos com apostas. Estas personagens colidem ao longo do filme, dando lugar a uma história frenética que não irá acabar da melhor forma para todos. 

Principais notas de destaque:

- A participação da portuguesa de Maria de Medeiros, irmã da presidente da câmara de Almada, Inês de Medeiros e filha do maestro José Vitorino de Almeida. No filme a actriz é  a inocente companheira de Butch e tem uma voz muito sexy (este destaque foi muito Wikipedesco).
- As citações proferidas por Jules Winnfield sempre que vai executar alguém. Ezequiel 25:19, consulte uma bíblia perto de si para saber.
- Um pouco como Reservoir Dogs, este filme foi uma pechincha. Custou cerca de $8 milhões e teve um lucro de bilheteira de aproximadamente $200 milhões.
- Uma das melhores danças do cinema protagonizada por Vicent Vega (parece o nome de um lutador do Streer Fighter) e  Mia Wallace. Curiosamente, Uma Thurman não gostava muito da música escolhida para a cena, Never Tell de Chuck Berry, no entanto, Tarantino convenceu-a que era absolutamente perfeita. Uma dance que tem tão maluca como cativante.




Para mim, é o melhor filme de Tarantino e um dos meus filmes preferidos.  Desde a qualidade da história, os diálogos, que através do storytelling, dão uma sensação de naturalidade à narrativa e claro, um elenco perfeito para esta história e por fim, cenas enigmáticas, algumas delas capaz de nos fazer revolver as vísceras. 

Fun Fact: A palavra Fuck é proferida 65 vezes. 


4ª Feira - Jackie Brown (1997)

Jackie Brown é uma MILF. Agora que captei a vossa atenção, pelo menos a atenção dos que sabem o significado da sigla (quem não sabe, cautela com as pesquisas), posso dizer que tenho a impressão que este filme é dos menos conhecidos do realizador, talvez injustamente. 

Este filme gira em torno de Jackie Brown (Pam Grier), uma hospedeira de meia idade, cúmplice de Ordell Robbie, (Samuel L. Jackson) através do transporte de dinheiro ilícito oriundo do México. Num dos transportes é apanhada com o dinheiro e droga, sendo obrigada a cooperar com a polícia para apanhar Ordell. Para adensar a trama, Ordell contrata um fiador Max Cherry (Robert Forster) para a libertar, com o objectivo posterior de a eliminar. 

Pam Grier, apesar de ser uma estrela menos conhecida, é perfeita neste papel. Bonita, elegante e de aspecto vivido, imprime à personagem de Jackie Brown, o contraste da confiança de quem sabe que tem bom aspecto, com a noção de que é uma mulher de meia-idade, sozinha e com pouca margem para encaminhar a sua vida no sentido da felicidade. (nesta parte do post deveria haver uma cerca sanitária para impedir que a lamechice se espalhe).

Quando agora revi o filme, fiquei chocado. Não me lembrava que De Niro entrava e que até tinha um papel de alguma preponderância. O que parece impossível,  ainda por cima, porque homem enverga, a dada altura, uma camisa cheia de melancias. Lamentável! Preocupado com a minha memória já tomei um chá de memofante forte.



Por fim, destaque para as pilosidades de Samuel L. Jackson, quer na cabeça, quer na cara. Aquela barbicha era para quê? Mexer o chá? Pelos vistos, a ideia da barba e do cabelo foi do próprio Samuel.


Fun Fact: A voz do atendedor de chamadas de Jackie Brown é de Quentin Tarantino.

5ª Feira - Kill Bill Vol. 1 (2003) 

Kill Bill, dividido em dois volumes, é, basicamente, uma história de vingança de uma assassina profissional (Uma Thurman), conhecida no meio como Black Mamba. Os alvos da sua vendetta são os seus antigos companheiros no esquadrão de assassinos denominado, Deadly Viper Assassination Squad, que compareceram no ensaio do seu casamento e assassinam todos os presentes (tanta morte e não deu nas notícias...). Por mero a caso, "a noiva", grávida, resiste aos ferimentos de bala que a atingem, tendo ficado 4 anos em coma. Após acordar inicia a busca por cada um dos elementos do esquadrão, tendo reservado para o fim Bill, com quem tinha tido um envolvimento amoroso. Julgo que é fácil de imaginar a raiva da "noiva" quando acorda,  equivalente ao de uma colmeia pontapeada. 

Destaque para os elementos ligados à cultura nipónica/samurai, muitos combates à espada e até um mini-clip de anime. A certa altura, o filme parece um videojogo com níveis e bosses. A melhor parte é sem dúvida a dos Loucos 88, liderados por um dos elementos femininos do esquadrão, O-Ren Ishii (Lucy Liu). É de realçar a luta entre Gogo e Black Mamba, uma das melhores da história do cinema, para mim. 

Algo que tem piada é que neste capítulo apenas se vê a mão de Bill enquanto fala. Fez-me lembrar o Dr. Claw, vilão do inspector Gadget, cuja cara nunca se via. 

Quentin Tarantino é um realizador que gosta de homenagear outros realizadores, filmes e outras épocas do cinema. São evidentes essas referências, tanto na banda sonora, nas cenas, como até, por exemplo, no fato amarelo que Uma Thurman usa na parte dos Loucos 88, igual ao usado por Bruce Lee no seu último filme, Game of Death (1978). 



Fun Fact: É o segundo filme com mais mortes (body counting) de Quentin Tarantino, 95. Apenas atrás de Inglorious Bastards com 396.


6ª Feira - Kill Bill Vol. 2 (2004)

É a continuação do filme anterior. Black Mamba continua na senda pela vingança contra os membros do esquadrão. Em primeiro lugar encontra Budd, interpretado por Michael Madsen, um dos atores fetiches de Tarantino. E depois com Elle Driver, personagem com uma pala no olho, interpretada por Daryl Hannah. Sim, essa mesmo, a atriz de Spash (1984) a mulher sereia, que curiosamente neste filme faz de "pirata".


Pelo meio decorrem algumas cenas que retratam o treino de Black Mamba com o mestre de artes marciais, Pai Mei (parece saído do Ran). Posso dizer que este treino envolvia, aquilo que nas lides domésticas, apelidamos de rachar lenha. Nesta parte a banda sonora envolve muita flauta, fazendo-me sentir que estou no meio de uma praça europeia, a ouvir um conjunto oriundo da Bolívia. 

Por fim, ocorre o encontro final com Bill, interpretado por David Carradine, falecido em 2009, com algumas revelações surpreendentes. 

Estes dois volumes são filmes de grande entretenimento, não têm a qualidade de diálogo de outros títulos do realizador, mas julgo que em filmes de artes marciais não se espera que haja grande paleio.

Fun Fact: Não está posta de parte a possibilidade de Tarantino realizar, Kill Bill Vol. 3, tendo havido já algumas conversações com Uma Thurman para o efeito.




Assim encerro a "análise" aos primeiros cinco filmes de Tarantino, um realizador com um estilo de realização inconfundível, conseguindo trazer para a tela uma estética singular. A violência é outro aspecto presente em todos os seus filmes, algo que tem valido críticas ao realizador. Gostaria de ver Tarantino noutros registos, o que fez até agora foi muito bom, mas sempre na mesma linha. 


Quando um ciclo se encerra, outro principia e na próxima semana será visada a carreira de Christopher Nolan.  

Até mais ver!

P.S.: Sugestões de temas para próximos ciclos serão bem-vindas. 




domingo, 12 de abril de 2020

Ciclos - Christian Bale

Neste ambiente pandémico resolvi aproveitar o meu tempo caseiro - nesta altura largado - para fazer alguns ciclos cinematográficos. Os temas não estão pensados à priori e serão decididos semana a semana. Poderá haver ciclos dedicados a atores, a realizadores ou simplesmente a assuntos específicos, como a Máfia ou a guerra do Vietname. O objectivo é ver filmes de forma contextualizada, com a possibilidade de realizar comparações e partilhar perspectivas. Semanalmente tentarei ver 5 filmes sobre a temática definida e partilhar as minhas ideias, normalmente, idiotas e longe de ideais. 

Decidi dedicar o primeiro ciclo a um ator que tem tido prestações verdadeiramente extraordinárias nos últimos anos. O seu nome é Christian Bale. O ator tem impressionado com a sua forma io-io. Tanto num filme aparece esquelético (The Machinist) como no seguinte surge todo musculado (Batman). Com jeitinho, poderia fazer de Bucha e Estica no mesmo filme. 

Antes de avançar para as minhas escolhas, apresento 3 fun facts sobre o actor:

1º - Enquanto Jovem, Christian Bale  foi obrigado a acompanhar a sua mãe, bailarina clássica, para os sítios para onde decorriam as digressões. Por esse motivo chegou a viver em Portugal durante um ano. 

2º - Um dos seus primeiros papéis no teatro foi numa peça de Rowan Atkison, o senhor Feijão (ou em inglês, Mr. Bean). 

3º - O primeiro papel na televisão foi num anúncio para uma linha de cereais do Pac-Man (personagem desconhecida para quem nasceu depois de 1990). 




Fun Fact extra (não confirmado) - Christian Bale é sopinha de massa e todos os seus filmes têm de ser dobrados por outra actor. Ultimamente, essa tarefa tem sido executada por Daniel Day-Lewis. Alguma vez viram estes dois actores a contracenar? Nunca! wis a justificação...

Nesta selecção fui obrigado deixar de fora alguns títulos sonantes. Desde logo, a trilogia do Batman, porque provavelmente a vou incluir num ciclo dedicado ao Christopher Nolan. Ford vs Ferrari e Vice, por estarem frescos na memória, também não foram incluídos. Só podia escolher 5 e estas foram as minhas opções:

2ª Feira - The Empire of the Sun (1987)

Atenção, atenção! Aqui estamos perante um filme épico. Steven Spielberg não sabe fazer filmes maus e Empire of the Sun, apesar de ser um nome menos sonante na sua carreira, não deixa de ser uma obra de grande valor. É uma produção cheia de detalhe e efeitos visuais, que consegue transmitir ao espectador a sensação de estar dentro de cada cena, tal é o realismo. As cenas da fuga da população no início do filme (verdadeiramente aflitiva esta parte) e dos ataques aéreos mais adiante são verdadeiramente sublimes. 

Christian Bale foi o escolhido entre 4.000 candidatos para o papel principal(isto nem no ídolos) e teve neste filme a sua primeira grande aparição. A história da sua personagem é a de um rapazito, James Graham, que se vê separado dos pais com poucos anos de idade, aquando da ocupação nipónica de Xangai. Sozinho tenta resistir, numa saga que dura até ao final da segunda grande guerra. 

Apesar de alguma falta de ligação entre as personagens, o filme consegue -  suportado pelo desempenho enérgico de um jovem Bale - passar a mensagem de forma muito eficaz. A liberdade não é um dado adquirido - se hoje somos os predadores amanhã podemos ser as presas.

Fun Fact: Um dos primeiros filmes em que aparece Ben Stiller (num papel nada memorável).





3ª Feira - American Psycho (2000)


Resumidamente, este filme é sobre um executivo da alta finança, Patrick Bateman, que tem preocupações extremas sobre o seu aspecto e que aos poucos vai revelando fantasias violentas e hediondas. Enquanto espectadores, é-nos pedido um exercício de avaliação constante da realidade ou da ficção das imagens que nos vão entrando pelos olhos.

A performance de Bale é quase perfeita neste papel. Conseguiu criar uma personagem egocêntrica que aparenta ser bastante confiante, mas que afinal esconde uma fragilidade baseada numa grande insegurança, crescente com o desenrolar da narrativa. É o filme que, para mim, consagrou a versatilidade de Bale. 

Ainda, destaque pela negativa para Jared Leto. Apesar de gostar do actor, não fiquei convencido com o seu desempenho, muito menos com o seu penteado de playmobil. 

Destaque positivo para a banda sonora e a forma como a personagem principal em algumas cenas disserta sobre vultos musicais como Whitney Houston ou Phil Collins. 

Fun Fact: Christian Bale utilizou o seu sotaque americano e mantinha-o mesmo fora de cena, o que levou a que muitos elementos da equipa de filmagem a descobrir, apenas na festa após o fim das filmagens, que o verdadeiro sotaque de Bale é galês.



4ª Feira - The Machinist (2004)

O que mais impressiona em The Machanist é, sem dúvida nenhuma, a transformação corporal de Christian Bale. O actor perdeu cerca de 30kg para interpretar o papel de Trevor Resnik, um operário fabril que aparentemente começa a ter alucinações e apresenta sinais de esquizofrenia. Segundo elementos da produção, a dieta Christian Bale consistiu, unicamente, na ingestão de uma lata de atum e uma maçã por dia.

The Machanist é uma história de drama urbano, sobre alguém que foi definhando psicologicamente perante a inoperância de uma sociedade cada vez mais individual e menos solidária. Uma reflexão para todos nós e para os problemas mentais que existem por aí. E perante os quais assobiamos para o lado até que, chocados, os notamos quando acabam em tragédia. 

Fun Fact: Observei que os sanitários utilizados no filme eram da Roca.



5ª Feira - The Prestige (2006)

The Prestige é um verdadeiro duelo de titãs pela consagração na magia, Christian Bale vs. Hugh Jackman. A narrativa é dividida em três passos como num truque de ilusionismo, o que de resto é referido no preâmbulo do filme:

"Every great magic trick consists of three parts or acts. The first part is called "The Pledge". The magician shows you something ordinary: a deck of cards, a bird or a man. He shows you this object. Perhaps he asks you to inspect it to see if it is indeed real, unaltered, normal. But of course... it probably isn't. The second act is called "The Turn". The magician takes the ordinary something and makes it do something extraordinary. Now you're looking for the secret... but you won't find it, because of course you're not really looking. You don't really want to know. You want to be fooled. But you wouldn't clap yet. Because making something disappear isn't enough; you have to bring it back. That's why every magic trick has a third act, the hardest part, the part we call "The Prestige"".

E, assim, o filme segue numa battle incessante pela obtenção do truque mais impressionante, doa a quem doer, sofra quem sofrer. Não chega fazer um coelho sair da cartola, é preciso fazer uma cartola sair do coelho.

Michael Caine desempenha brilhantemente o papel de mestre mais velho dos dois mágicos e funciona como ponto de equilíbrio, ora pendendo para o lado Bale, ora para o lado de Jackman. No entanto, o verdadeiro ilusionista é Christopher Nolan que, habilmente, consegue, como num espectáculo de magia, manter o suspense até ao cair do pano.

Fun Fact: A palavra Prestige (prestígio) tem origem no latim praestigium que significava ilusão.



6ª Feira - American Hustle (2013)

American Hustle, ou na tradução portuguesa, Golpada Americana, é uma história sobre Irving Rosefeld (Christian Bale), um homem que se vê obrigado a colaborar com um agente do FBI (Bradley Cooper) após ter sido apanhado pelas suas trapaças, sempre levadas a cabo com o auxílio da sua companheira no crime (Amy Adams). É uma história baseada em factos verídicos e com alguns twists engraçados. 

Este filme é um festim de boas actuações. Christian Bale contemplou-nos, mais uma vez, com uma das suas transformações, apresentando-se careca e balofo (engordou 35kg!!!!!). O seu desempenho é extraordinário, bem como a química criada com a provocadora Amy Adams. O restante elenco(Bradley Cooper, Jeremy Renner, Jenifer Lawrence e Louis C.K.) tem performances muito competentes e até De Niro dá um ar da sua graça. 

Apesar das brilhantes atuações, não estamos perante uma obra-prima. No entanto, o entretenimento é garantido.

Fun Fact: De Niro  não reconheceu Bale no backstage e pensou que estavam a gozar quando foram apresentados. 



E assim se conclui esta pequena reflexão da carreira de Christian Bale, um actor versátil e com uma dedicação inigualável. Mas quando um ciclo se encerra, outro principia e na próxima semana será visada a carreira de Quentin Tarantino.

Até mais ver!

P.S.: Sugestões de temas para próximos ciclos serão bem-vindas. 

sábado, 11 de abril de 2020

Filmes de uma Quarentena

A quarentena vai deixar sequelas a nível psicológico nas pessoas, e falo desde já por mim. Perco muito tempo a pensar em problemas bacocos relacionados com o vírus. Por exemplo, penso muito sobre a forma de como certas profissões estão a lidar com a pandemia. 

Será que os polícias têm que desinfectar o cassetete? Ou pelo contrário nunca o desinfectam e impõem a ordem ameaçando os meliantes com um cassetete potencialmente contaminado? Eu se fosse meliante teria horror ao segundo.

E os cozinheiros? Será que têm alterado procedimentos? Imagino que as receitas tenham uma preparação adicional, do género: Para começar esta receita, o cozinheiro deverá primeiro ferver as mãos a 100º e só depois deverá iniciar o corte dos ingredientes. 

Para ocupar a cabeça e não pensar em parvoíces, uma boa solução é aproveitar o tempo da quarentena para ver filmes. E inspirado numa antiga rubrica da RTP, 5 Noites, 5 Filmes, resolvi elaborar uma lista com 5 sugestões cinematográficas para a semana que se avizinha. Tentei apostar na diversidade, intercalando vários géneros e temáticas.

2ª Feira - Mad Max: Fury Road (2015)

Como estamos em tempos que mais parecem o fim do mundo em cuecas (sempre melhor do que o fim do mundo em nu integral), nada melhor que a sugestão de um filme que lida com um cenário pós-apocalíptico, Mad Max: Fury Road. Este filme é o quarto filme da série Mad Max realizado por George Miller, um realizador com uma reportório bastante peculiar apesar de curto. A sua obra mais conhecida a seguir a Mad Max é o filme favorito do Sérgio, Um Porquinho chamado Babe. 
Fury Road é um filme frenético, cuja acção decorre na sua totalidade na estrada e que conta com um elenco de luxo, encabeçado por Tom Hardy e Charlize Theron. Já foi anunciada uma sequela, mas ainda sem data prevista para a estreia. Eis o trailer:
Onde Ver: Hollywood, a partir de Domingo às 18h15




3ª Feira - Rain Man (1988)

Para terça-feira reservei uma obra para nos faz acreditar mais na humanidade. Rain Man é um filme que retrata uma viagem coast-to-coast de dois irmãos que se acabaram de conhecer após a morte do seu pai. Tom Cruise é o irmão bem sucedido, Dustin Hoffman o irmão autista. Os dois acabam por criar uma relação que parecia perdida com a separação. Este filme fez-me sentir uma pessoa fútil. Julgo que pensamos demasiado em bens materiais quando as relações humanas nos podem deixar muito mais felizes. Apesar de ser um drama, este filme tem um pouco de tudo, até momentos bastante cómicos. Além do óscar para melhor filme em 1988, há a destacar a brilhante performance de Hoffman, também merecedora do galardão da Academia. Eis o trailer:
Onde Ver: Cinemundo, a partir de Segunda-Feira, às 13H20.




4ª Feira - American Factory (2019)

American Factory é um documentário, vencedor do Óscar na passada edição, que descreve a implementação de uma empresa chinesa no Ohio (EUA), um estado assolado pelo desemprego durante a última crise. O choque de culturas e o quão distantes estão, foi algo que me fez reflectir bastante, ainda mais nos tempos que correm. Eis o trailer:
Onde Ver: Netflix


5ª Feira - Silêncio dos Inocentes (1991)

Porque a vida também é suspense, para quinta reservei a obra-prima, Silêncio dos Inocentes. Confesso que já não vejo este filme há muitos anos, por isso esta é uma boa oportunidade para o rever. Nesta película, mais estranhos que os hábitos alimentares dos chineses, que envolvem morcegos e pangolins constipados, são os do Dr. Hannibal.
É um thriler cuja história se desenvolve em torno de uma parceria entre Dr. Hannibal Lecter, um serial killer canibal encarcerado numa prisão de alta segurança, e uma agente do FBI que colabora na perseguição de outro serial killer que anda a aterrorizar o este dos Estados Unidos. Este serial killer tem como imagem de marca esfolar as suas vítimas, todas femininas (prometia vender produtos esfoliantes...), e por ser um psicopata, o FBI julga que Lecter poderá contribuir para a sua captura. 
Ganhou vários óscares, entre os quais, melhor filme, melhor actor principal (Anthony Hopkins) e melhor atriz principal (Judie Foster). Eis o trailer:
Onde ver: AMC, a partir de quinta, às 22h10



6ª Feira  - Uncut Gems (2019)

Na minha opinião, Uncut Gems não merecia ter passado ao lado das nomeações dos óscares. Eventualmente, o legado de Adam Sandler o tenha afastado da cerimónia. No entanto, é um filme muito valioso, uma verdadeira jóia para se apreciar. A narrativa é pouco convencional e retrata a vida de um dono de uma loja de penhores judeu (Adam Sandler) que podia ser português, uma vez que anda sempre remediado com esquemas para escapar aos seus credores. Destaque ainda para o brilhante cameo de Kevin Garnett, antiga estrela da NBA e dos Boston Celtics. Eis o trailer:
Onde ver: Netflix