quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

Advento 2025 - Lista Final

Finalizado o calendário de Advento, é altura de apresentar a lista final. O conjunto de filmes escolhidos, teve por base dois critérios fundamentais: i) obras que vi ou revi recentemente e das quais gostei (ou seja, valeu o meu gosto duvidoso); ii) filmes que se enquadrassem com a quadra natalícia.

Procurei ainda que a lista fosse equilibrada quer em termos de géneros (há dramas, terror, comédias, animação, ação, documentários), quer em termos de antiguidade (há clássicos, mas também filmes estreados ao longo de 2025). Mas chega de paleio, eis a lista final:


1/24 – Minority Report (2002)
2/24 – As Noites de Cabíria (1957)
3/24 – A Vida de Chuck (2024)
4/24 – Nem Guerra Nem Paz (1975)
5/24 – As Aventuras de Tintim (2011)
6/24 – John Candy: I Like Me (2025)
7/24 – O Silêncio dos Inocentes (1991)
8/24 – Lavagante (2025)
9/24 – O Grande Ditador (1940)
10/24 – O Agente Secreto (2025)
11/24 – Weapons (2025)
12/24 – Kill Bill Vol. 2 (2004)
13/24 – Sinners (2025)
14/24 – [REC] (2007)
15/24 – Gremlins
16/24 – Some Like It Hot (1959)
17/24 – The Bucket List (2007)
18/24 – Clube dos Poetas Mortos (1989)
19/24 – Boogie Nights (1997)
20/24 – Dragonfly (2025)
21/24 – A Morte de Estaline (2017)
22/24 – Harakiri (1962)
23/24 – Toy Story 3 (2010)
24/24 – Nightmare Before Christams (1993)
 



20 Filmes de Natal (ou para não me chatearem o juízo, 20 filmes de Natal ou cuja ação decorre durante o Natal)

Oh oh oh! Segue uma lista de 20 filmes de Natal ou cuja ação decorre no durante natal. E é para a menina e para o menino, para a tia solteirona, para o tio bebado, para a avó que adormece a meio, para o avô surdo, para a mãe galinha e para o pai fanfarrão que adora filmes de ação. (atualização do ano passado) 


-Violent Night (2022)
-Sozinho em casa (1990)
-Arma Mortífera (1987)
-Kiss, Kiss, Bang, Bang (2005)
-Tokyo Godfathers (2003)
-O Tesouro de Natal (1996)
-Batman Returns (1992)
-Dr. Seuss' How the Grinch Stole Christmas (2000)
-Die Hard (1988)
-It's a Wonderful Night (1946)
-O Amor Acontece (2003)
-Nightmare before Christmas (1993)
-Gremlins (1984)
-The Holdoveres (2023)
-Klaus (2019)
-Jumanji (1995) são só dois minutos, mas conta...
-Polar Express (2004)
-Bad Santa (2003)
-Elf (2003)
-A Christmas Story (1983)

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Advento 2025 - 24/24 - The Nightmare Before Christmas (1993)

The Nightmare Before Christmas (1993)

Cheira a Natal. Já se vêm tapetes de meninos Jesus pendurados nas varandas como se fossem cair ao chão, gambiarras berrantes e aos olhos irritantes nas caleiras das casas. O bacalhau está de molho e o peru grosso para no forno não pensar. O óleo está nas frigideira, pronto a fritar sonhos para todos os que são filhós de Deus...  


E porque a noite de Natal se está a aproximar, nada melhor do que em The Nightmare Before Christmas falar. Obra saída da cabecinha pensadora de Tim Burton, ainda quando era animador da Disney nos anos 80. A gaveta fez bem ao projecto que foi amadurecendo e de um pequeno conto surgiu numa longa metragem em 1993. Tim Burton acabou por não poder realizar o filme, devido a impedimentos contratuais ligados à produção de Batman. Colaborador habitual de Burton, Elfman (nome apropriado para este filme) foi o criador da extraordinária banda sonora, dando voz ao personagem principal, Jack  the Skellinghton, enquanto este canta. Claramente, a música é um dos pontos fortes do filme. Elfman confessou que escrever as 10 faixas para este filme foi o trabalho mais fácil que teve na sua vida, pois considera que tem muitas parecenças com Jack. 

Resumidamente, The Nighmare Before Christmas conta a história de Jack Skellinghton, o Pumpkin King da Halloween Town, que está farto da sua vida repetitiva, centrada em exclusivo no dia das bruxas. Um dia e de forma acidental, entra na Christmas Town e descobre que existe o Natal. Fascinado com a ideia e com o espírito, resolve juntar os habitantes e criar um Natal à maneira de Halloween Town. Para o efeito rapta o Pai Natal, a quem chama Sandy Claws, assume o seu lugar e começa a preparar a entrega de presentes, alguns deles bastante diferentes do habitual….

Não sendo propriamente desajustado para um público infantil, devido ao lado sombrio que possui, é claramente direccionado para uma audiência mais adulta. Esteticamente é uma obra magnífica, marcada pelo estilo de Tim Burton em toda a sua plenitude, podendo encontrar-se vários elementos habitualmente usados pelo realizador nos seus filmes. Por exemplo, o recurso a personagens sinistras, mas com bom coração - Eduardo Mãos-de-Tesoura, Jack, etc. Para os fãs de Burton é obrigatório, para quem gosta de uma boa história de animação com uma agradável banda sonora também. 


Fun Fact: Marilyn Manson fez uma cover da música This Is Holloween, uma das primeiras a ouvir-se no filme.

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Advento 2025 - 23/24 - Toy Story 3 (2010)

Toy Story 3 (2010)

Sou teu amigo, sim! Toy Story 3 é uma bomba de emoções, capaz de fazer brotar a lágrima mais profunda do maior calhau com olhos. Raios os partam! Sempre que vejo este filme, confesso que também acabo a soluçar. 

Neste capítulo 3 da saga, Andy vai sair de casa para ir para faculdade, momento em que passa pelo dilema de escolher que bens/objectos leva consigo. Será que vai levar algum dos seus velhos brinquedos consigo? 

A ida para faculdade marca o fim da adolescência, a saída debaixo das saias da mãe e os primeiros passos solitários no mundo real. Toda esta transição apela à mais vigorosa nostalgia, algo explorado de forma muito eficaz neste filme. 

Portanto, Toy Story 3 é daqueles filmes para miúdos que os adultos adoram. Tem humor, emoção, uma imaculada animação e ainda muita ação. 

Fun Fact: o Ken e a Barbie têm em Toy Story 3 papéis relevantes. Algo digno de registo é a continua troca de outfits de Ken. Ao todo Ken utilizou 21 mudas de roupa.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Advento 2025 - 22/24 - Harakiri (1962)

 Harakiri (1962)

Harakiri de Masaki Kobayashi é um daqueles filmes em que os factos relevantes da narrativa vão sendo desvendados passo a passo, elevando paulatinamente a curiosidade do espetador sobre o desfecho. Figurativamente é como a cozinha lenta, em que a carne está na panela em lume brando durante horas. O resultado final, tanto na cozinha como neste filme, é magistral.


Um filme de imagens fortes, cuja história versa sobre a forma como por vezes as aparências iludem e como um pouco de compaixão pode ter um efeito exponencial na vida de quem mais precisa.

Fun Fact: Seppuku e Harakiri  significam ambos cometer suicídio ritual em japonês. No entanto, seppuku é o termo formal, derivado dos caracteres kanji para «hara» (barriga) e «kiri» (cortar); harakiri é o termo mais grosseiro e menos educado para este acto.

domingo, 21 de dezembro de 2025

Advento 2025 - 21/24 - A Morte de Estaline (2017)

 A Morte de Estaline (2017)

A Morte de Estaline, de Armando Iannucci, é um retrato satírico extremamente bem conseguido do regime soviético, explorando várias das suas máculas, nomeadamente:

- O kissing assing (*) ao líder é o aspeto mais presente ao longo de todo o filme e é levado ao extremo, sobretudo pelos membros do seu governo. Esta atitude mantém-se mesmo após a sua morte.

- A censura constante, que gera um medo permanente de qualquer deslize verbal. No filme, chega-se ao ponto de filhos denunciarem os próprios pais.

- As purgas incessantes. No fundo, este sistema não tolerava oposição viva por muito tempo. Há uma cena particularmente hilariante em que decidem suspender as purgas e, na Sibéria, um pelotão está a executar prisioneiros. A ordem para parar chega por telefone, mesmo a meio da fila. A expressão do prisioneiro seguinte, que se salva por um triz, a olhar para o último que acabou de levar um tiro, é impagável.

- As conspirações. Se já existiam durante a vida de Estaline, após a sua morte intensificam-se ainda mais. Os vários membros do comité comportam-se como galos à luta por um poleiro. Contudo, tudo é feito pelas costas uns dos outros.

Apesar de o filme ter uma linha narrativa sólida, apresenta vários momentos que parecem sketches. Um exemplo memorável é quando uma orquestra é obrigada a repetir um concerto que já tinha terminado, apenas porque Estaline queria ouvir a gravação. Como metade do público já se tinha ido embora, foi necessário ir buscar pessoas à rua para evitar o eco na sala. O responsável do estúdio diz então: “tragam pessoas mais gordas, assim precisamos de menos”, ao que um músico da orquestra responde: “vão buscar a minha mulher, ela vale por cinco”.

Claro que o filme é uma caricatura, mas é perturbador constatar como várias democracias ocidentais começam, cada vez mais, a assemelhar-se a práticas típicas do regime soviético.

(*) Na nossa bela língua materna: lambe-botas em Portugal ou puxa-saco no Brasil.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Advento 2025 - 20/24 - Dragonfly (2025)

Dragonfly (2025)

Dos filmes que tive oportunidade de ver na última edição do MoteLx, gostaria de destacar Dragonfly, uma espécie de Intouchables à inglesa, centrado numa relação de amizade improvável.

Elsie (Brenda Blethyn) é uma mulher idosa que vive sozinha e já depende da ajuda de assistentes sociais para realizar algumas tarefas domésticas básicas, como tomar banho. Colleen (Andrea Riseborough) é a sua vizinha: vive sozinha com um cão, aparenta enfrentar dificuldades económicas e sobrevive graças a subsídios do Estado. Além disso, Colleen revela um comportamento algo destrambelhado e socialmente desajustado.

Aos poucos, Colleen começa a ajudar Elsie em pequenas tarefas do dia a dia. A relação entre as duas aproxima-se naturalmente e transforma-se numa amizade inesperada. No entanto, tudo muda quando o filho de Elsie começa a desconfiar que Colleen poderá estar a aproveitar-se da vulnerabilidade da mãe. A partir desse momento, o filme envereda por um caminho mais sombrio e ambíguo, com a tensão a aumentar progressivamente até ao final.

No fundo, Dragonfly, de Paul Andrew Williams, é uma reflexão pertinente sobre a solidão dos idosos. Quantas histórias não ouvimos de pessoas deixadas em camas de hospital ou “depositadas” em lares, raramente visitadas pela família? O filme faz lembrar o célebre sketch dos Gato Fedorento, em que o elemento sénior é deixado num “velhão”, uma espécie de ecoponto para velhos: “No chão não, filho. No velhão.” ;"E o que fazem ao idoso?"; “Não interessa, já não chateia.” No fundo, camas de hospital e lares são um autêntico velhão.