sábado, 27 de fevereiro de 2021

11# Filme da Semana - Miller's Crossing (1990) / Raising Arizona (1987)

Após o primeiro post, resolvi orientar a rubrica "Filme da Semana" no sentido de fazer um post por semana, mas debaixo de um chapéu temático mensal. Ou seja, em cada mês haverá um tema - Fevereiro será dedicado à carreira dos irmãos Coen. 

Termino esta visita à filmografia dos irmãos Coen com dois títulos do inicio da sua carreira, mas que já indiciavam toda a qualidade e originalidade que a sua obra viria a revelar.

Miller's Crossing (1990)

Em Miller's Crossing entramos no mundo da máfia durante o período da Lei Seca, em que crescimento de negócios marginais crescia como cogumelos. A Tommy Gun era Rainha e ditava as suas regras entre as várias sociedades do crime organizado. E é neste ambiente, brilhantemente caracterizado pela equipa dos irmãos Coen que decorre a história deste filme.


Leo (Albert Finney) é o todo poderoso-chefão irlandês e Tom Reagan (Gabriel Byrne) o seu fiel delfim. Entre os dois existe a deslubrante femme fatale, Verna. Verna às claras anda com Leo, mas às escuras anda enrolada com Tom,  sem Leo saber, obviamente. Casper (Jon Polito, que de palito não tem nada) quer tomar o lugar de Leo como manda-chuva dos mafiosos. Por causa de uns negócios que dão para o torto pretende que Leo assassine o irmão de Verna, Bernie Bernbaum (John Turturro). Bem... ainda há mais variáveis nesta história, mas vou deixar este resumo como um Martini num início de um casamento. 

O argumento está bem temperado com o humor non-sense dos Coen e os diálogos estão impecavelmente bem escritos. Contudo, a quantidade de peripécias dificulta ao comum mortal a compreensão total dos acontecimentos, pelo menos com apenas uma visualização. É o seu único pecado. 


Nota final para o excelente desempenho de todo o elenco, com especial destaque para John Turturro... que personagem!

Fun Fact: Steve Buscemi foi escolhido para desempenhar o papel de Mink Larouie por falar mais rápido do que qualquer outro. 
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Raising Arizona (1987)

Sei quem ele é! - É o Nicolas Cage;
Ele é bom rapaz - apesar de estar sempre a ser preso;
Um pouco parvo até - porque cada vez que sai é apanhado facilmente; 
Vivia no sonho de encontrar o amor - o companheiro da cela era porreiro, mas não lhe dava carinho suficiente; 
Pois o seu coração pedia mais, mais calor - e menos prisão. 
Ela apareceu - na vida de um tipo como estes só podia ser uma polícia... 
...bem, chega de Madalena Iglésias.




Afinal, Ele é Hi McDunnough, interpretado por um Nicolas Cage ainda com borbulhas. E Ela é Ed, interpretada por uma jovem Holly Hunter. A história de Raising Arizona tem como protagonistas estas duas personagens, como deve ter ficado subentendido na "canção" inicial. Ele era um bom malandro que não conseguia parar de ser preso e conheceu Ed durante as suas inúmeras detenções. Apaixonam-se e resolvem casar. Quando Hi finalmente sai da cadeia, vão morar juntos e pretendem ter filhos. Mas infelizmente, descobrem que Ed é estéril. Numa manobra de desespero Hi decide roubar uma criança de um famoso vendedor de carros da região, Nathan Arizona, que tinha acabado de ser pai de 5 gémeos. A ideia de Hi era quase: se roubar um eles nem notam. 




Apesar da maluquice do argumento e de algumas personagens, o filme consegue fazer rir sem ser demasiado pateta.  No entanto, nota-se alguma falta de orçamento, compensada por interessantes manobras de câmara e uma excelente banda sonora. 

Fun Fact:  O cabelo de Nicolas Cage foi comparado pelos irmãos Coen aos penachos do Woody Woodpecker. Quanto maior o perigo, maior seria a altura da poupa.







quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

10# Filme da Semana - Barton Fink (1991)

Após o primeiro post, resolvi orientar a rubrica "Filme da Semana" no sentido de fazer um post por semana, mas debaixo de um chapéu temático mensal. Ou seja, em cada mês haverá um tema - Fevereiro será dedicado à carreira dos irmãos Coen. Mas contrariando o título, e sendo eu um grande apreciador da obra dos Coen, vou sugerir/analisar não um mas dois filmes por semana durante este mês.

Barton Fink (1991) 

Em 1991, os irmãos Coen apresentaram ao mundo a sua quarta longa metragem, Barton Fink. Trata-se de um drama psicológico passado em 1941, com tanto de negro como de cómico. 


A história centra-se em Barton Fink (John Turturro) um escritor que obteve precocemente um grande sucesso na Broadway, mas que "vendeu" a sua alma ao diabo, ou seja, assinou um contrato para escrever argumentos para Hollywood, mudando por isso de New York para L.A.. Apesar desta mudança, queria manter os seus ideiais e continuar a escrever sobre o homem comum. Na cidade dos anjos, aloja-se num hotel barato, para se manter ligado à realidade e longe do glamour de Hollywood.  O seu primeiro trabalho é a escrita de um guião para um filme sobre Wrestling, no entanto esbarra num bloqueio mental que o impede de escrever. Bloqueio esse que se agudiza graças aos sons que ouve do quarto ao lado do seu, habitado por Charlie Meadows (John Goodman) que constantemente lhe faz visitas para se desculpar. Entra numa espiral de desespero e a partir de uma determinada altura até um mosquito o parece perseguir. A sua mente passaria a oscilar entre a realidade e a paranóia. 

O filme foi um fiasco de bilheteira e apesar de ter recebido críticas positivas e até ter ganho a Palma de Ouro em Cannes, assim como os prémios para melhor Realizador e melhor actor (Turturro), não conseguiu ter uma receita superior ao orçamento. 

Este facto é realmente extraordinário, pois considero este uma das mais brilhantes obras dos irmãos Coen. O argumento é excelente e é um retrato interessante d muitos escritores que falham pela tentação da procrastinação e pela frustração crescente cada vez que se sentem bloqueados. Sente-se alguma inspiração na obra de Polanski. Nota final para o elenco que é, na minha opinião, simplesmente perfeito para os vários papéis. Saia uma vénia para: Turturro, Goodman, mas também para Polito, Judy Davis e Tony Shaloub. Eis o trailer:



Fun Fact: Para o papel, John Turturro teve aulas de datilografia na escola admnistrativa para desenvolver a sua capacidade de escrever à máquina e assim aumentar a credibilidade do seu papel enquanto escritor.

sábado, 20 de fevereiro de 2021

9# Filme da Semana - Fargo (1996)

Após o primeiro post, resolvi orientar a rubrica "Filme da Semana" no sentido de fazer um post por semana, mas debaixo de um chapéu temático mensal. Ou seja, em cada mês haverá um tema - Fevereiro será dedicado à carreira dos irmãos Coen. Mas contrariando o título, e sendo eu um grande apreciador da obra dos Coen, vou sugerir/analisar não um mas dois filmes por semana durante este mês.


Fargo (1996) 

Neve, neve, neve e mais neve! Podia ser uma referência aos nevões que assolaram os  USA nos últimos dias ou a um greatest hit do José Cid, mas a neve é também o elemento mais presente ao longo do título que vos trago hoje, Fargo.


É um filme que dispensa apresentações. Trata-se de uma das melhores e mais aclamadas obras dos irmãos Coen, ganhou dois Oscars e nos últimos anos surgiu uma série homónima e com o mesmo espírito que obteve algum sucesso (produzida pelos Coen). 

Fargo é uma cidade perdida no centro dos USA, afectada por um Inverno rigoroso e é o grande palco desta trama que envolve mentes fracas, sequestro e morte. Jerry (William H. Macy) trabalha na empresa do sogro, com um bom cargo, contudo encontra-se num momento de grande aperto financeiro. Desesperado, enceta um plano em que contrata uns bandidos de meia tijela, Carl Showalter (Steve Buscemi) e Gear Grimsrud (Peter Stormare), para raptar a sua própria mulher de forma a sacar um resgate ao rico sogro, sem que ele se aperceba do seu problema de dinheiro. Estes bandidos durante o processo de rapto comportam-se como elefantes numa loja de porcelanas, neste caso, cometendo crimes e deixando pistas por onde quer que passem. 

No encalço destes bandidos segue Marge Gunderson, uma polícia local, de sotaque vincado, grávida, que aparenta ser frágil, mas  que se revela diligente e perspicaz no cumprimento do seu dever. Francis McDormand desempenhou de forma brilhante este papel, o que lhe valeu o Oscar. Um merecido prémio para a performance e para todas as mulheres que são menosprezadas no mundo laboral, por vezes apenas por terem a "maldição" de poder ser mães. 



A fotografia é interessante, nomeadamente os planos largos em que se pode apreciar os campos e as estradas cobertos de neve. A história de crime é muito bem construída, ao estilo dos Coen, com bons diálogos e uma acção fluída. As personagens são tão bem desenvolvidas, que passada a primeira meia hora é possível ao espectador traçar o perfil psicológico de cada uma delas. E por fim, vários momentos cómicos que, apesar de algum negrume, são puro divertimento. Todos estes ingredientes fazem de Fargo um filme extraordinário.

Fun Fact: Frances McDormand é casada com o realizador Joel Coen desde 1 de Abril de 1984. 



terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

8# Filme da Semana - The Big Lebowski (1998)

Após o primeiro post, resolvi orientar a rubrica "Filme da Semana" no sentido de fazer um post por semana, mas debaixo de um chapéu temático mensal. Ou seja, em cada mês haverá um tema - Fevereiro será dedicado à carreira dos irmãos Coen. Mas contrariando o título, e sendo eu um grande apreciador da obra dos Coen, vou sugerir/analisar não um mas dois filmes por semana durante este mês.


The Big Lebowski (1998) (repost parcial)

É dia de Carnaval, dia de brincadeira e alegria (este ano nem tanto), por esse motivo e dando sequência ao ciclo dedicado aos irmãos Coen, revisito The Big Lebowski, um título com elevado nível de folia (até rimo, pá)

É um filme que quando estreou passou um pouco despercebido do grande público, contudo paulatinamente foi ganhando aura de película de culto. Hoje é considerada uma obra icónica, muito graças à figura do Dude, personagem que serve de fonte de inspiração a vários memes (penso sempre em ovelhas).


De forma sucinta, mas não telegráfica:


The Big Lebowski é Irmãos Cohen: Escrito, produzido e realizado por Joel e Ethan Cohen, este filme não foge aos cânones da sua obra - filmes de crime com um traço cómico, cujas personagens principais são peculiares e se envolvem em situações invulgares, exemplos; Barton Fink (1991), Fargo (1996) ou No Country For Old Man (2007). Os irmãos Cohen, para mim, são uns dos maiores contadores de histórias (storytellers soa mais fino) dos últimos 30 anos e The Big Lebowski não foge a esta regra. Para quem gosta do género, recomendo a série Fargo da Netflix. 

The Big Lebowski é coincidência: Neste filme, a história gira em torno de Jeff Lebowski (Dude), e das trapalhadas em que se envolve a partir do momento em que é confundido com outro Jeff Lebowski (qual a probabilidade de haver dois?), tendo sido atacado por 2 capangas que tinham como objectivo recuperar uns dinheiros devidos pela mulher do outro Lebowski, a um realizador de filmes pornográficos. A partir daqui as peripécias são muitas e complicadas de explicar aqui sem spoil, o melhor é mesmo ver o filme. A narrativa contém alguns plot holes, mas a quantidade de cenas épicas é tal que se desculpam algumas falhas do guião.

The Big Lebowski é Dude (a personagem principal do filme): em Português a tradução mais próxima de "Dude" será " o Gajo". Um tipo que vive o dia-a-dia sem preocupações, dando a ideia que as únicas coisas que importam para a sua vida são mulheres, marijuana e bowling.  De certa forma, acho que a personagem do Dude é idolatrada porque muitos de nós gostaríamos de ser como ele. Ter a capacidade ou falta de consciência para não ligar ao que os outros pensam e fazer o que dá na real gana. Como por exemplo, ir ao Supermercado de sandálias e robe. Interpretado magnificamente por Jeff Bridges, o Dude tornou-se quase um Deus da religião (vide fun fact) dos praticantes do Carpe Diem. 



The Big Lebowski é John Goodman: O ator desempenha um dos papéis mais desconcertantes da carreira e segundo o próprio, um dos que lhe deu mais prazer- o irascível Walter Sobchak, veterano do Vietname e companheiro de Bowling de Lebowski. Com o temperamento equivalente a uma panela de pressão em ebulição, Walter tenta ajudar Lebowski a resolver as trapalhadas em que este se meteu, mas inevitavelmente apenas consegue tornar as coisas piores. A quantidade de frases épicas proferidas por esta personagem é larga, mas vou destacar a seguinte: Life does not stop and start at your convenience you miserable piece of shit.


The Big Lebowski é um conjunto de actores secundários incríveis: Philip Seymour-Hoffman, Julianne Moore, Steve Buscemi, Sam Elliot e Jon Polito são só alguns dos nomes que compõe o ramalhete de atores talentosos, alguns deles com papéis pequenos mas notáveis. No entanto, gostaria de destacar John Turturro e a personagem "Jesus Quintana" - o arquirival de Lebowski no bowling e um tipo um tanto ou quanto peculiar. Os irmãos Cohen deixaram Turturro introduzir algumas ideias para personagem e o resultado foi o seguinte:


The Big Lebowski é riso: Se não tiverem nada para fazer, ver este filme é o equivalente a duas horas bem passadas. 

Fun Fact:  Existe um movimento religioso baseado no Dude: The Church of the Latter-Day Dude".

domingo, 14 de fevereiro de 2021

7# Filme da Semana - O Brother, Where Art Thou?

Após o primeiro post, resolvi orientar a rubrica "Filme da Semana" no sentido de fazer um post por semana, mas debaixo de um chapéu temático mensal. Ou seja, em cada mês haverá um tema - Fevereiro será dedicado à carreira dos irmãos Coen. Mas contrariando o título, e sendo eu um grande apreciador da obra dos Coen, vou sugerir/analisar não um mas dois filmes por semana durante este mês.

O Brother, Where Art Thou? (2000)



George Clooney, John Turturro e Tim Blake Nelson são Everett, Pete e Delmar. Não sei se são 3 patifes, 3 condenados, 3 aventureiros, 3 cantores. 3 sonhadores ou simplesmente 3 amigos que vagueiam pelo estado do Mississipi durante a grande depressão e que a cada esquina tropeçam num sarilho. Não sei! Provavelmente serão tudo isto e muito mais neste filme dos irmãos Coen, O Brother, Where Art Thou?.  O que sei é que estes 3 atores deram vida a 3 personagens fascinantes, com uma química patente entre si, e que nos fazem rir com as suas idiossincrasias ao longo do filme. A peculiaridade que acho mais cómica é uma de Everett (Clooney), mais precisamente, o seu vício no uso de brilhantina. Durante o filme penteia-se constantemente, e juntando o seu bigodinho, fica com um ar que lembra o Clark Gable.


O argumento desenvolvido pelo irmãos Coen, apesar de ter como espinha dorsal a aventura dos 3 amigos, é mais um acumular de pequenas peripécias que confluem até a um vibrante final do que uma história com princípio, meio e fim. Na minha opinião estas peripécias acabam por dispersar demasiado a narrativa, não dando tempo para desenvolver certas personagens que vão surgindo, como é o caso do charlatão Big Ban Teague (John Goodman) ou do assaltante de bancos Geogre Nelson (Michael Badalucco). 

Nota final para a magnífica banda sonora, que surpreendentemente viria a ter mais sucesso do que o próprio filme. Inclusivamente conquistou alguns prémios de música country. George Clooney ainda tentou desenvolver os seus dotes vocais, todavia, nas cenas em que a sua personagem canta, a sua voz acabou por ser dobrada por Dan Tyminski (um cantor a sério). Na verdade ficou um bocado estranho, pois o tom não é coincidente, como se pode ouvir na cena abaixo.


Fun Fact: Ao contrário de Clooney, Tim Blake Nelson utiliza a sua própria voz em algumas canções. 
 

domingo, 7 de fevereiro de 2021

6# Filme da Semana - The Ballad of Buster Scruggs (2018) / No Country For Old Men (2007)

Após o primeiro post, resolvi orientar a rubrica "Filme da Semana" no sentido de fazer um post por semana, mas debaixo de um chapéu temático mensal. Ou seja, em cada mês haverá um tema - Fevereiro será dedicado à carreira dos irmãos Coen. Mas contrariando o título, e sendo eu um grande apreciador da obra dos Coen, vou sugerir/analisar não um mas dois filmes por semana durante este mês.

A carreira dos irmãos Coen teve início nos anos 70, mas apenas começou a ter notoriedade na transição dos anos 80 para os 90.  Blood Simple (1984), Raising Arizona (1987) e Miller's Crossing (1990) foram títulos que mereceram reconhecimento da crítica e começaram a fidelizar público. Durante as três décadas seguintes, os êxitos não pararam de se somar, sempre com grande consistência, nomeadamente ao nível da qualidade dos argumentos.  

Existem algumas características transversais à maior parte dos filmes dos irmãos Coen, a saber:

  • Muitas das suas histórias têm como ponto de partida um crime que correu mal e que partir daí prosseguem em tramas intrincadas e em que o surgimento de coincidências é bastante comum.
  • A narrativa normalmente tem personagens fortes e bem desenvolvidas, quase sempre expostas a grandes dilemas morais. Estas personagens muitas vezes são originárias de uma América profunda e esquecida, universo que os Coen conhecem bem, uma vez que são naturais do Minnesota. Há quem chegue a sugerir que as suas obras fazem parte de uma corrente apelidada Midwestern Gothic. 
  • O tom cómico costuma estar presente, muitas vezes com nuances de humor negro e salpicos de non sense.
É uma receita que não falha e que até já deu origem a uma série, Fargo (homónima ao filme).

The Ballad of Buster Scruggs (2018) 

Vou ser como as crianças e deixar o melhor para fim. Isto é, considero os filmes dos Coen dos anos 90  os mais interessantes da sua carreira, por isso, decidi começar pelos mais recentes da lista que elaborei.

The Ballad of Buster Scruggs é uma compilação de seis violentos contos escritos pelos Coen. O primeiro centra-se em Buster Scruggs (Tim Blake Nelson) - um pistoleiro/cantor que se vê envolvido num jogo de Poker, num saloon perdido no nada, muito mal frequentado. Algo não corre bem e o jogo acaba com Scruggs a assassinar um dos seus oponentes, Joe.  Na sequência e após alguma cantoria, há um duelo à pistola entre Scruggs e o irmão de Joe. Esta história contribui para o título do filme e serve de mote para os restantes contos. 


Para não fazer spoil não vou desenvolver mais. Porém posso garantir que os  elementos dos filmes Coen, anteriormente referidos, estão presentes neste conjunto de histórias passadas no velhinho e longínquo oeste americano. 



A minha opinião é que esta obra tem um bom índice de entretenimento, personagens bem trabalhadas e como está dividido em pequenas histórias, obriga o espectador a estar muito atento à acção que se vai desenrolando, sem no entanto ser maçador. Destaque para o elenco que conta com alguns nomes improváveis, como é o caso do excêntrico músico Tom Waits (imagem acima). 

Este título de 2018 tem a particularidade de ter estreado nos cinemas e uma semana depois na Netflix, estando disponível na plataforma. Sinais dos tempos. Se gostam do trabalho dos Coen, não percam a oportunidade de ver.

Fun Fact: Foi o primeiro projecto dos irmãos Coen filmado no formato digital.


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No Country For Old Men (2007) 

O vencedor do Oscar para melhor filme em 2008 foi No Country for Old Men (PT: Este País não é para Velhos), obra adaptada e realizada pelos irmãos Coen. Trata-se de um filme cujo título não podia vir mais a propósito da situação atual - com o coronavirus à solta e a atacar de forma mais agressiva os nossos anciãos, não é Este País que não é para Velhos, é o próprio mundo. 


No Texas profundo, Llewelyn Moss (Josh Brolin), um caçador que vagueava numa zona deserta em busca de presas, deparou-se com uma cena de crime - vários carros cravejados de balas e corpos espalhados pelo chão (um verdadeiro Texas...). No meio da confusão encontrou uma mala cheia de dinheiro (2 milhões de dólares) e vários fardos de droga (fardo é um bom nome para droga, uma vez que serve também para a palha dos burros).

Em vez de chamar a polícia, a ganáncia falou mais alto e resolve ficar com o pilim (graveto, grana, cacau), algo que fez do próprio um alvo, começando a ser perseguido pelo assassino profissional, Anton Chigurh (Javier Bardem). Começa o jogo do rato e gato, sendo que o gato vai matando todos aqueles que lhe aparecem à frente.

Com a matança em crescendo, Ed Tom Bell (Tommy Lee Jones) um experiente xerife funcionalmente letárgico, vai-se deparando com os horrendos crimes para os quais não tem meios de combate. Sentindo-se, à medida que o tempo vai passando, cada vez mais ultrapassado e velho para dar resposta à catadupa de acontecimentos e à guerra entre cartéis de droga, começa a vaguear na sua mente uma ideia...  a ideia que aquele país já não era para velhos.

 


No Country for Old Men é um clássico produto dos irmãos Cohen, uma intrincada história de crime passada numa qualquer zona profunda dos Estados Unidos, com bons atores e uma fotografia bastante competente, neste caso de Roger Deakins (um dos melhores do meio). Algo interessante neste filme é o ritmo da narrativa, que vai dos "0 aos 100"muito rapidamente, devido à oscilação existente entre as cenas calmas e nostálgicas do xerife Bell e as cenas de suspense e violência desencadeadas por Anton Chigurh. 

A propósito de Chigurh, Javier Bardem tem um desempenho extraordinário, criando um vilão que, apesar do cabelo à Beatriz Costa, é verdadeiramente aterrador e tão frio que chega a ser sobrehumano. Para mim um dos melhores(piores) vilões da história do cinema. Algumas das peculiaridades desta personagem são decidir o destino das vítimas através do arremesso de uma moeda ao ar (ver abaixo) e executar as mesmas recorrendo a uma garrafa de gás comprimido.


Fun Fact: Quando Joel Coen e Ethan Coen abordaram Javier Bardem sobre o papel de Chigurh, ele disse: "Eu não conduzo, falo mal inglês e odeio violência". Os Coens responderam: "É por isso que te ligamos." Bardem disse que aceitou o papel porque tinha o sonho de participar num filme dos irmãos Coen.