sexta-feira, 30 de dezembro de 2022

Best of 2022 ou uma mera lista de destaques

O ano está a dar as últimas e nesta altura é habitual fazer alguns balanços (nesta fase prefiro isso do que ir à balança...). No que respeita a filmes, os de super-heróis continuaram a ser presença assídua nas salas de cinema, com destaque para o regresso de Batman. Houve também algum revivalismo com o regresso de Top Gun e do cinema espetáculo sem a porcaria dos efeitos especiais e das telas verdes. Ainda sobrou algum espaço para loucuras no multiverso… Bem, mas sem mais delongas, este é o meu TOP 5 ou um mera lista de destaques de 2022 (ordenado pela data de estreia).

1. The Batman


Então como se safou o Pattinson? Enquanto Batman bateu bem, como diria Ronaldo ao Moutinho. Gostei muito do seu papel de detetive ao lado de Jeffrey Wright. Já como Bruce Wayne esteve muito enjoadito. Parecia um miúdo mimado a precisar de um par de estalos. E por falar em "safar" (palavra horrível utilizada pela garotada de hoje), o Bat safou uma ganda gata, Zoe Kravitz, que está muito bem no papel de Catwoman. E vilões? São 2? Não, são 3 ou 4. Com o maior dos destaques para Paul Dano no papel de Ridler. Tão doentio que fez lembrar Kevin Spacey em Se7en. Por fim, uma palavra para o cenário. Gotham está gótica, sombria, mafiosa, uma autêntica cidade das trevas, onde a única luz é a de um cavaleiro negro.

2. Top Gun: Maverick


A história até é previsível, sem grandes floreados, contudo é extremamente eficaz para o propósito final: puro entretenimento. Claro que este projecto não teria sido possível sem Tom Cruise, alguém que parece nos últimos anos ter como missão voltar a trazer pessoas ao cinema. O seu cunho pessoal é indelével, muito graças à sua disponibilidade para participar no máximo de cenas de acção possível, quase sempre dispensando duplos. Nota para uso limitado de CGI (efeitos especiais computorizados), algo que tornou as cenas com os aviões de cortar a respiração. Viva o cinema pipoca, viva o cinema em sala, viva o Tom Cruise, viva o cinema espetáculo, abaixo o CGI, viva o Cinema!

3. Tudo em todo o lado ao mesmo tempo


E o que posso dizer deste filme? Tive a oportunidade de ver a ante-estreia e fiquei completamente atordoado. E simultaneamente, fiquei com a sensação que o processo criativo se baseou num brainstorming levado a cabo por um grupo de pessoas viciadas em LCD, em que não houve nenhuma ideia posta fora. Resultado: uma história de universos paralelos, salpicados por eventos surreais, criando um caos cómico de onde não queremos sair. Para os mais atentos, não passarão despercebidas várias referências a outros filmes.

Fun Fact: para manter o argumento imune a spoilers, a sinopse do filme cinge-se à seguinte frase: uma senhora tenta tratar dos seus impostos.

4. All Quiet on Western Front ou na sua língua original, Im Westen nichts Neues


A acção do filme decorre durante a primeira guerra mundial, centrando‐se bastante nas batalhas de trincheira, lutas verdadeiramente sanguinárias que ceifaram a vida a milhares de jovens a troco de uns centímetros de terra. Simultaneamente é retratada a falta de humanidade dos responsáveis políticos e militares que não souberam ter a ponderação de pôr termo de forma mais célere e piedosa ao conflito.

Tendo em conta o excelente elenco, fotografia, argumento e por ser um verdadeiro tratado anti‐guerra, arrisco dizer que estamos perante um dos melhores filmes do ano! Caso seja subscritor da Netflix, não perca a oportunidade de ver esta obra de Edward Berger


5. The Fabelmans


Este filme é um mergulho de cabeça no âmago de Steven Spielberg! Através da história da família Fabelman, o realizador abre as portas da sua infância/juventude, revelando algumas das motivações que o levaram a apaixonar-se pelo cinema.

Mas quem são os Fabelman? Uma simples família de classe média americana de origem judaica com alguns traços peculiares (mas que família não as tem?). O pequeno Sam Fabelman desde miúdo mostra-se hipnotizado pelos filmes, tentando recriar cenas que via no cinema, utilizando uma pequena câmera para o efeito. Mais crescidito, começa a fazer pequenas produções caseiras e na escola, utilizando as suas irmãs e colegas como atores. Esta parte do filme é bastante engraçada, onde é possível ver Sam a preparar efeitos práticos/especiais muito inventivos, mas extremamente eficazes. No fundo mostra aquilo que um realizador tem de ser: um ilusionista que consiga enganar o espectador, transformando a fantasia em realidade. Ainda nos cinemas, não perca a oportunidade de o ir ver em família. 

Termino com um simples, BOM 2023! (vejo sempre malta enjoado na altura de comer as passas à meia-noite... mas digo sempre, amigos, isso passa!)

domingo, 25 de dezembro de 2022

Advento 2022 - Lista Final

Completado mais um calendário de advento (isto não foi uma maratona, foi um autêntico Iron Man), fiquem com a lista completa.


#1 - A Vida é Bela (1997)
#2 - What We Do in The Shadows (2014)
#3 - I, Daniel Blake (2016)
#4 - All Quiet on Western Front (2022)
#5 - Encontros Imediatos do Terceiro Grau (1977)
#6 - Tudo em Todo o Lado ao Mesmo Tempo (2022)
#7 - FIFA Uncovered (2022)
#8 - Forrest Gump (1994)
#9 - Million Dollar Baby (2004)
#10 -The Truman Show (1998)
#11 - Top Gun Maverick (2022)
#12 - The Iron Giant (1999)
#13 - Stutz (2022)
#14- Guillermo del Toro’s Pinocchio (2022)
#15 - América Proibida (1998)
#16 - The Swimmers (2022)
#17 - Cães Danados (1992)
#18 - The Pianist (2002)
#19 - Empire of the Sun (1987)
#20 - The Menu (2022)
#21 - O Rei Leão (1994)
#22 - Good Bye, Lenin! (2003)
#23 - The Imitation Game (2014)
#24 ‐ Mary and Max (2009)
#25 - The Fabelmans (2022)
#26 - Sofie’s Choice (1982)
#27 - Casablanca (1942)
#28 - Sozinho em Casa II: Perdido em Nova Iorque (1992)

sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

Advento 2022 - #28 - Sozinho em Casa II: Perdido em Nova Iorque (1992)

Sozinho em Casa II: Perdido em Nova Iorque (1992)


Como hoje estão todos de volta da cozinha, da mesa ou da lareira e sem paciência para ler estas coisas que escrevo para aqui, e como toda gente já viu este filme, a menos que tenha estado emigrado na gronelândia nos últimos 30 anos, resolvi fazer um post diferente. Com esse intuito, escolhi 5 fun facts para vos dispor bem ou apenas para aguçar a vossa curiosidade:

1. Além de Macaulay Culkin (Kevin), o seu irmão Kieran Calkin participa neste filme, fazendo o papel do primo Fuller. Kieran Culkin é hoje em dia famoso pelo seu papel em Succession enquanto o meio prevertido Roman Roy.


2. Donald Trump, antes de ser o odioso presidente americano, tem uma pequena participação no filme. Aparece a dar indicações no hotel em que Kevin está hospedado. Curiosamente, à data, Donald Trump era mesmo o dono do Hotel.



3. Macaulay Culkin recebeu $4.5 milhões para fazer este filme. Na altura, nunca nenhuma criança de 11 anos tinha recebido tanto dinheiro para participar num filme. Mais tarde, houve uma séria disputa relativamente ao património de Macaulay entre os seus pais, que em 1996 resolveram separar-se e disputar a custódia do filho.



4. Devido às baixas temperaturas em que o filme foi rodado, várias câmaras ficaram congeladas. Engraçado que semanas antes, o realizador Chris Columbus gastou uma pipa de massa em neve artificial no Central Park e pouco depois caiu um forte nevão em Nova Iorque.



5. Existe uma cena famosa em que os ladrões Harry (Joe Pesci) e Marv (Daniel Stern) são atacados por um bando de pombos. Na cena não existe o recurso a efeitos especiais. Basicamente foi atirada uma saraivada de alpista contra os atores, o que atraiu mais de 300 pombos. Daniel Stern afirmou que um pombo lhe chegou a entrar na boca. Três palavras: no-jen-to.


E pronto, já chega. Enquanto houver SIC e TVI, este dia será o dia de são Macaulay Ca
Ulkin, o padroeiro dos sozinhos em casa. E assim termina este advento. Espero que tenham gostado. Como diria o Eng. Sousa Veloso, desepeço-me com amizade.

Advento 2022 - #27 - Casablanca (1942)

Casablanca (1942)

A dada altura da segunda grande guerra, a cidade de Casablanca tornou-se num entreposto de refugiados, a maior parte deles com algum dinheiro e muitos vindos de Paris. O objetivo era um e apenas um: obter um visto para viajar para Lisboa e a partir daí conseguir fazer a ponte para as Americas. Enquanto tentavam obter o visto das autoridades francesas ou em alternativa no mercado negro, estes refugiados esperavam e esperavam e esperavam em Casablanca. Se tivessem o azar de apanhar um voo da tap ainda esperavam mais…


Neste contexto, Rick Blaine (Humphrey Bogart), um expatriado americano, explora um café com grande reputação, local de encontro de figuras do estado, autoridades, espiões e operadores do mercado negro. Numa determinada noite, entra pelo café adentro Ilsa Lund (Ingrid Bergman), primeiro reconhecida por Sam (Dooley Wilson), o fiel pianista/cantor de Rick, a quem Ilsa pede para entoar velhas canções, nomeadamente, a Time Goes By. E depois o inesperado encontro com Rick. Percebe-se que entre os dois existe um amor passado, muito possivelmente em Paris. Contudo agora, Ilsa está com outro homem, Victor Laszlo (Paul Hereid), um líder da resistência contra a tirania nazi e que tem a cabeça a prémio no III Reich.



Casablanca, obra de Michael Curtiz, é um filme quase perfeito. A base é uma história de romance arrebatadora, de fazer chorar as pedras da calçada, mas com intriga e ação à mistura. O corpo e o sentimento são entregues pelos extraordinários atores que compõe o elenco, desde os principais, Ingrid Bergman e Humphrey Bogart, até aos secundários, Claud Rains, Conrad Veidt ou Peter Lorre. A harmonizar tudo está a excelente banda sonora, com a permanência de músicas intemporais ao longo de todo o filme, várias delas cantadas pelo ator/músico Dooley Willson.

Fun Fact: Dooley Wilson (Sam) era um baterista profissional que no filme (desculpem estragar a magia) fingia tocar piano. Como a música foi gravada ao mesmo tempo que o filme, o tocar do piano foi na verdade uma gravação de uma actuação de Jean Vincent Plummer que tocava atrás de uma cortina, mas estava posicionado de tal forma que Dooley podia ver e copiar os seus movimentos das mãos.

Advento 2022 - #26 - Sofie's Choice (1982)

Sofie’s Choice (1982)

Meryl Streep está na fase da carreira a que eu apelido Ruy de Carvalho. Apareça onde aparecer, faça o que fizer, vénias e aplausos de pé vai receber. Feito este desabafo quiçá desnecessário, preciso de referir que considero que a atriz tem uma carreira incrível com várias prestações extraordinárias e que fazem dela, uma das melhores atrizes de uma geração na opinião de vários críticos e, já agora, na minha também. Da sua extensa filmografia gostaria de destacar e recomendar (quem sou eu para recomendar, ahah), Kramer vs. Kramer, Out of Africa, num registo mais cómico The Devil Wears Prada, as Pontes de Madison County e por fim, o filme que vai merecer realce hoje, Sofie’s Choice.

Neste filme, assume o papel de Sofie, uma emigrante polaca que sofreu os horrores do nazismo e que agora tenta retomar a sua vida nos Estados Unidos, juntamente com o seu energético e enigmático namorado, Nathan (Kevin Kline).


Vivem num duplex arrendado, para onde recentemente também se mudou Stingo, um jovem sulista com ambições de se tornar num grande escritor. Os três ficam amigos e começam a ficar mesmo muito chegados. Aos poucos, a relação entre eles parece que se encaminha para um triângulo amoroso… Ao mesmo tempo, há fantasmas do passado de Sofie que começam a pairar no ar… Para rematar, cito a tag que costuma acompanhar o filme, pois parece-me o resumo adequado da história:

“Between the innocent, the romantic, the sensual, and the unthinkable. There are still some things we have yet to imagine.”

Em Sofie’s Choice, Meryl Streep atinge um patamar de olimpo. Na maior parte das cenas alia um enorme talento natural (aparentemente) com um trabalho de ator à moda antiga – muto método e perfecinismo. Parece quase uma pintora, pincelando a personagem com vários tons, os adequados a cada momento do filme.

Fun Fact: Meryl Streep não se limitou a aprender sotaque polaco como também aprendeu a falar alemão e polaco para ter o sotaque credível. Segundo consta, terá aprendido polaco com um dos assistentes de origem polaca que trabalhava no filme.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2022

Advento 2022 - #25 - The Fabelmans (2022)

The Fabelmans (2022)

Este filme é um mergulho de cabeça no âmago de Steven Spielberg! Através da história da família Fabelman, o realizador abre as portas da sua infância/juventude, revelando algumas das motivações que o levaram a apaixonar-se pelo cinema.

Mas quem são os Fabelman? Uma simples família de classe média americana de origem judaica com alguns traços peculiares (mas que família não as tem?). Moravam no Arizona, entre o deserto e a Natureza, numa altura em que se viviam os anos doirados de crescimento económico do pós segunda guerra. Esta época coincide com o grande desenvolvimento do cinema e da televisão. O pequeno Sam Fabelman desde miúdo mostra-se hipnotizado pelos filmes, tentando recriar cenas que via no cinema, utilizando uma pequena câmera para o efeito. Mais crescidito, começa a fazer pequenas produções caseiras e na escola, utilizando as suas irmãs e colegas como atores. Esta parte do filme é bastante engraçada, onde é possível ver Sam a preparar efeitos práticos/especiais muito inventivos, mas extremamente eficazes. No fundo mostra aquilo que um realizador tem de ser: um ilusionista que consiga enganar o espectador, transformando a fantasia em realidade.



Outro aspecto interessante que o filme aborda é o das escolhas. A vida é feita delas e por vezes é preciso de abdicar de certas coisas para alcançar outras. Por vezes sofre a família, por vezes sofre a carreira. O equilíbrio perfeito é quase impossível de alcançar.



Fica uma recomendação para ir ao cinema neste natal. Tive a oportunidade de ir ontem à ante‐estreia e saí bastante agradado com o que vi. É uma ode ao cinema, quer para espectadores, quer para autores/criadores. 

Fun Fact: Muito provavelmente, este filme marca a última colaboração entre Steven Spielberg e o seu compositor de eleição, John Williams. O compositor anunciou recentemente que se ia reformar/retirar.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

Advento 2022 - #24 - Mary and Max (2009)

Mary and Max (2009)

Mais uma ficha, mais um filme de animação! Mary and Max é uma obra em stop motion realizada por Adam Elliot que, apesar de ter estreado em poucos cinemas a nível mundial, alcançou enorme notoriedade. Ainda à data de hoje, ocupa o lugar 201 na lista de 250 melhores filmes do imdb.


Mary e Max é uma obra que, embora seja de animação, é destinada a gente crescida. O enredo é bastante simples e inocente, mas bastante assertivo nos temas que foca. Basicamente, a narrativa tem como arco central os sonhos e os medos do Homem. Muitas vezes temos receio de tomar decisões, temendo as consequências e o que os outros possam pensar. Quando, na maioria dos casos, perdemos mais se nada fizermos, se não arriscarmos, se não formos descobrir o desconhecido e alargar os horizontes, se ficarmos no porto e não descobrirmos os ventos, se não abraçarmos a vida e aproveitarmos o que ela nos pode ainda dar....rematando, podemos morrer sem conhecer aquilo que podíamos alcançar. (Lamechices à parte) No início do filme, Mary ainda criança, acha que as crianças nascem saindo de dentro de canecas de cerveja. Eu acho este conceito genial! Porque na verdade quem bebe muita cerveja fica parecido com uma grávida.

O sucesso do filme assenta a meu ver em três pilares: i) uma boa história que alterna o drama com a comédia; ii) a qualidade da animação em stop motion (que trabalheira) e iii) à vivacidade das personagens, atribuível ao excelente desempenho dos atores que lhes emprestam a voz, em especial Toni Collette (Mary) e Philip Seymour Hoffman (Max).

Fun Fact: Todas as cenas envolvendo água foram criadas através de lubrificantes.

terça-feira, 20 de dezembro de 2022

Advento 2022 - #23 - The Imitation Game (2014)

The Imitation Game (2014)

Este filme de Mortem Tyldum marca a ascendência de Benedict Cumberbatch a estrela mundial. É verdade que tinha tido grande e merecido destaque na série Sherlock Holmes, onde é simplesmente divinal, mas em The Imitation Game elevou o nível, tendo mesmo sido nomeado para o Óscar de melhor ator.


A história de The Imitation Game revela um dos maiores heróis da segunda guerra mundial - o matemático inglês, Alan Turing - que havia sido esquecido por questões políticas e, muito provavelmente, pela sua homossexualidade. Alguém que, com o seu contributo na decifração de mensagens dos alemães poderá ter abreviado a 2ª guerra entre 2 a 4 anos, deveria ser lembrado e homenageado com a frequência e ênfase merecidos. Finalmente, a homenagem foi-lhe feita neste filme.

Aprecio bastante biografias históricas e quando apresentadas em forma de um bom filme, como é este caso, são sempre uma forma entretida de perceber e entender momentos relevantes do passado (em suma, estudar e saber mais de história sem ser uma valente seca).

Fun Fact: Alan Turing é apresentado a correr em diversas cenas. Todavia, nunca é mencionado que ele foi um distinto corredor de fundo. Em 1946, correu uma maratona em 2 horas e 46 minutos.






segunda-feira, 19 de dezembro de 2022

Advento 2022 - #22 - Goodbye Lenin! (2003)

 Good Bye, Lenin! (2003)

Good Bye, Lenin! de Wolfgang Becker, talvez seja um título menos conhecido do público português, apesar de ter tido algum sucesso e uma boa recepção por parte da crítica a nível mundial, mas não deixa de ser um filme bastante interessante.

Passada na Alemanha de Leste, mais precisamente em Berlim, a história de Good Bye, Lenin! tem início no final dos anos 80, altura em que o regime soviético se encontrava perto do colapso e a cortina de ferro prestes a cair (cortina que não se podia lavar por causa da ferrugem...). 

Neste cenário, o jovem Alex (Daniel Bruhl) participa num protesto contra os comunistas e é preso. Tal acontecimento provoca um ataque cardíaco na sua mãe (Katrine Sab), uma  acérrima defensora do regime, atirando-a para um coma profundo. Durante este seu estado, dá-se a queda do muro de Berlim e a Alemanha é reunificada. 

Contra todas as probabilidades, a mãe acorda! Apesar de se encontrar num estado débil e amnésico, tem consciência.  Com receio de novo ataque cardíaco, Alex tenta encobrir o facto do regime comunista ter caído e da Alemanha ser agora una. Algo extremamente complicado, uma vez que muitos dos produtos que existiam deixaram de ser produzidos, a rede de televisão passou a ser a ocidental e marcas conotadas com o capitalismo começaram a aparecer na parte leste, como por exemplo, a Coca-Cola. 

É um filme dramático, emotivo, mas com momentos cómicos. É uma viagem interessante à Alemanha de Leste logo após a queda do muro de Berlim. De um momento para o outro, e de uma forma acelerada, este país passou do Comunismo para o Capitalismo. 

Fun Fact: O argumento do filme é vagamente inspirado nos dois últimos anos de Lenin, que vivia num ambiente controlado, tal como a mãe do filme. Com a justificação de salvaguardar a saúde de Lenin, evitando que este contactasse com notícias sobre eventos que lhe podiam causar demasiada excitação, Stalin mandou criar uma edição alternativa do jornal fornecida a Lenin, onde todos os factos "sensíveis" eram simplesmente censurados. 

domingo, 18 de dezembro de 2022

Advento 2022 - #21 - O Rei Leão (1994)

 O Rei Leão (1994)

Não é Natal sem um bom filme de animação. E o filme que vos trago hoje é um bom exemplo de uma animação que consegue agradar tanto a miúdos como a graúdos, sendo uma excelente opção para um serão em família, de preferência junto a uma lareira quentinha. É também daqueles desenhos animados que podem deixar envergonhar alguns adultos, pois em certos momentos a emoção poderá levar à queda de uma lagrimazita ou outra.  


The Lion King é um clássico da Walt Disney que dispensa apresentações. Estreado em 1994, foi um enorme sucesso de bilheteira e uma presença assídua na coleção de cassetes da pequenada na década de 90. Custou €45m e rendeu quase €1.000m só em bilheteira (bela pipa de massa). A história, que se inspirou no Hamlet de Shakespeare, passa-se em áfrica e os protagonistas são os animais da savana. Nessa savana o regime é monárquico, sendo liderado pelos leões. A família real tem Mufasa como rei, Simba como o jovem príncipe e Scar como tio que quer passar a perna aos dois anteriores e tomar o trono para reinar junto das suas amiguinhas de riso irritante, as hienas. Portanto, a intriga política é semelhante à dos humanos.

A dada altura Simba foge e refugia-se num Oásis, onde conhece os icónicos Timon e Pumba que, além de serem muito divertidos, tornam-se em algo entre guias espirituais e pais adoptivos do jovem leão. Pensando bem, tornam-se numa família algo bizarra, pois é constituída por um leão adolescente, um javali e um suricata. E Hakuuuuna Matata!



Não podia terminar, sem mencionar a perfeição da banda sonora produzida pela máquina de Fantasia que é o extraordinário Hans Zimmer.


Fun Fact:
Foi o primeiro filme da Disney a ser dobrado em português de Portugal.

sábado, 17 de dezembro de 2022

Advento 2022 - #20 - The Menu (2022)

The Menu (2022)

Um menu sobre O Menu:

Entrada

Para entrada, temos uma história sobre um grupo de pessoas, na sua maioria de classe alta, que embarca em direção a Hawthorne, uma ilha onde lhes é prometida uma experiência gastronómica personalizada e cheia de requinte preparada por um famoso Chef. Neste grupo, encontram-se alguns ricalhaços que não distinguem um almofariz de um salazar, mas também alguns especialistas na crítica de cozinha.


Prato Principal

A receção aos clientes é feita de forma meio bizarra pelo staff do Chef que parece composto não por ajudantes de cozinha, mas por militares em serviço. Os clientes são convidados a fazer uma visita guiada para conhecer os produtos frescos que irão comer e a forma como estes são extraídos da Natureza da ilha, e depois encaminhados para a sala onde a experiência terá lugar.

Este menu d’ O Menu destaca ingredientes de alta qualidade, desde logo, o elenco encabeçado por Ralph Fiennes como Chef Slowik, Any Taylor-Joy como mulher mistério (será que ainda joga xadrez?) e Nicholas Tyler, um fan boy do chefe que personifica o comic relief…pelo menos até certa altura. Destaque também para o trabalho do realizador Mark Mylod, que vai elevando o suspense até….


Sobremesa

Como sobremesa, O Menu conta com alguns twists meio non sense, polvilhados com terror, mas simultaneamente com algum humor como corta sabores para não afastar os espectadores mais sensíveis.

Fica a sensação de que o filme pretende ser uma crítica à ostentação, nomeadamente, àquelas pessoas que pagam centenas de euros – às vezes mais do que duas e três vezes – por uma refeição sem saber apreciá-la. E fico-me por aqui para não estragar a experiência de degustação a todos aqueles que quiserem ver ou saborear este Menu.


Fun Fact: O argumentista Will Tracy inspirou-se numa experiência pessoal para o desenvolvimento da história deste filme. Parece que na sua lua-de-mel embarcou para uma ilha norueguesa para uma degustação gastronómica toda fancy, tendo ficado, como as personagens do filme, preso na ilha com a sua esposa até ao final da refeição. 

quinta-feira, 15 de dezembro de 2022

Advento 2022 - #19 - Empire of the Sun (1987)

Empire of the Sun (1987)

Atenção, atenção! Estamos perante um filme épico. Steven Spielberg não sabe fazer filmes maus e Empire of the Sun, apesar de ser um nome menos sonante na sua carreira, não deixa de ser uma obra de grande valor. É uma produção cheia de detalhe e efeitos visuais, que consegue transmitir ao espectador a sensação de estar dentro de cada cena, tal é o realismo. Com devido destaque, para as cenas da fuga da população de Xangai no início do filme (verdadeiramente aflitiva esta parte) e dos ataques aéreos.

 


É um filme também reconhecido por ser o primeiro grande papel de Christian Bale, à data com 13 anos. Foi o escolhido entre 4.000 candidatos para o papel principal (isto nem nos ídolos). A história da sua personagem, a central do filme, é a de um rapazito (James Graham) de uma família de classe alta, que se vê separado dos pais com poucos anos de idade, aquando da ocupação nipónica de Xangai em 1937. Sozinho tenta resistir, numa saga que dura até ao final da segunda grande guerra. A maior parte do tempo é passada num campo de prisioneiros japonês, onde se torna a mascote de alguns soldados americanos também em cativeiro. Apesar de alguma falta de ligação entre as personagens, o filme consegue - suportado pelo desempenho enérgico de um jovem Bale - passar a mensagem de forma muito eficaz. Basta uma fração de segundo para a vida mudar completamente.  



Fun Fact: 
Além de ser um dos primeiros papéis de Christian Bale, é também um dos primeiros filmes em que aparece Ben Stiller.

  

quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

Advento 2022 - #18 - The Pianist (2002)

The Pianist (2002)

Existem muitos filmes sobre a 2ª Guerra Mundial, mas nenhum, na minha opinião, que retrate tão bem a humilhação e a degradação da vida dos judeus na Polónia como o Pianista de Roman Polanski. À medida que o filme avança, assistimos ao declínio da família Szpilman, uma família judaica da classe média, a partir do momento em que as tropas alemãs invadem o território polaco. Passam de uma vida confortável para um gueto, do gueto para campos de concentração, de campos de concentração para...bem...depende da sorte, mas na maioria das vezes a morte.

Esta obra é baseada numa autobiografia de um sobrevivente do holacausto, Wladyslaw Szpilman (espero ter escrito bem), a personagem principal do filme, um pianista de sucesso numa estação de rádio que ao longo do filme vai encontrando forma de, com audácia e com sorte, ir escapando ao destino da maior parte do seu povo naquele país. 

Adrien Brody desempenha brilhantemente o papel deste pianista (aprendeu, inclusive, a tocar piano), retratando um homem que passou por enormes privações, entre as quais a fome. Valeu-lhe, justa e merecidamente, o óscar para melhor ator.

Por fim, Polanski, ele próprio um sobrevivente do Holocausto, pôde utilizar toda a sua experiência de vida para oferecer realismo a esta obra intemporal sobre a desgraça e a vergonha humana. De notar o desvanecimento das cores do filme à medida que a vida da cidade de Varsóvia se vai degradando. 


Fun Fact: Durante a rodagem do filme na Polónia, Polanski conheceu um homem que ajudou a família do próprio realizador a sobreviver ao holocausto. 

terça-feira, 13 de dezembro de 2022

Advento 2022 - #17 - Cães Danados (1992)

Cães Danados (1992)

Após um assalto que acaba terrivelmente mal, os elementos do bando que levaram a cabo o golpe, começam a desconfiar uns dos outros e paira a possibilidade de um deles ser um agente da polícia infiltrado (ou na gíria, uma ratazana bufa). Esta é a sinopse do primeiro filme de Quentin Tarantino (se não contarmos com o My Best Friend Birthday), que bem poderia ser a de um banal filme policial  (ou até um episódio do Inspector Max, vá se calhar não...). 

No entanto, há um aspecto que o diferencia, Quentin Tarantino. O desenvolvimento  do argumento beneficia o talento dos actores (Harvey Keitel, Steve Buscemi e Michael Madsen à cabeça), que através de um magnífico desempenho conseguem criar personagens com características vincadas e facilmente identificáveis para o espectador. Nesse aspecto, Tarantino ainda facilitou mais a tarefa, atribuindo às personagens nomes de cores, Mr. White, Mr. Pink, Mr. Blonde, etc. e, ainda, criando momentos de flasback para explicar o background de cada uma delas. Resumindo, a simplicidade da história contrasta com a densidade das personagens. 

O filme tem os elementos distintivos que viriam a definir a carreira de Tarantino: humor negro, violência (é uma chuva de ketchup constante), promoção das capacidades dramáticas dos actores, uma cuidada selecção de banda sonora e, por fim, a atenção ao mais ínfimo pormenor. De tal forma que podemos dizer que Tarantino é o chamado realizador ourives, dado o foco no detalhe.  


Uma vez que o orçamento do filme foi bastante reduzido, o realizador teve de explorar ao máximo os actores que tinha, porque era, praticamente, a única matéria que tinha à disposição. Os actores, literalmente, tiveram de puxar pelo cabedal, e não estou a falar das suas actuações, antes do facto de alguns deles terem de levar as próprias roupas dada a falta de verba para elementos de caracterização. Eis este casaco de fato de treino do próprio  Chris Penn, e que a bem da verdade faria grande sucesso na Venezuela:


Outro exemplo, é o facto de grande parte das cenas se passarem numa garagem, pouco maior do que a da vizinha (referência desnecessária). Ainda, muitos foram os actores que não aceitaram participar no filme por causa do reduzido cachê que lhes foi oferecido (Samuel L. Jackson, James Wood, George Clooney, etc). Até há quem diga que o nome Reservoir Dogs (cães danados) é uma homenagem a estes actores que rejeitaram (mentira). Pondo em perspectiva, o orçamento de Reservoir Dogs foi $1,2 milhões, enquanto o de Once Upon a Time in Hollyood foi de $90 milhões.

Destaque final para os diálogos aleatórios que vão surgindo ao longo do filme, como por exemplo, a obrigatoriedade ou não de dar gorjetas às empregadas ou o significado da música da Madonna, Like a Virgin (ver vídeo abaixo).

Fun Fact: Numa entrevista à BBC, Quentin Tarantino mostrou-se orgulhoso por este filme ser incluído em diversos Tops de filmes de assaltos, quando não existe uma única cena do assalto propriamente dito. 

segunda-feira, 12 de dezembro de 2022

Advento 2022 - #16 - The Swimmers (2022)

The Swimmers (2022)

Tendo em conta o título, este filme poderia ser sobre as cheias de Lisboa e a forma mais fácil dos peões se deslocarem durante as inundações. Mas não tem qualquer relação com esta estupidez que acabei de inventar.


The Swimmers é uma história de cariz biográfico, sobre duas prometedoras nadadoras sírias – Yusra e Sarah Mardini - que, após a intensificação da guerra no seu país, resolveram fugir para a Alemanha e aí tentar uma vida nova. E mais do que isso, tentar alcançar o sonho de representar a Síria nos jogos olímpicos. Com a ajuda do seu primo mais velho, Nizar, fogem, mas não sabiam bem o que as esperava pelo caminho. Como muitos refugiados, optaram por tentar a sorte através da travessia do mediterrâneo entre a Turquia e a Grécia - mais precisamente Lesbos, ponto de entrada de milhares de refugiados nos últimos anos. Como em muitas destas histórias, a travessia marítima revela-se um pesadelo. Os traficantes de refugiados, a troco de milhares de dinheiros, providenciam rudimentares embarcações sobrelotadíssimas aos pobres coitados que querem atravessar. E a história das duas irmãs não foi excepção. Não naufragaram por mero acaso. Talvez tenha havido um misto de boa fortuna e solidariedade entre os migrantes tripulantes. Depois deste inferno que só estava a começar, terão conseguido chegar à Alemanha e seguir os seus sonhos?

É um relato pungente do desespero de quem tem de abandonar a sua terra e a sua família para poder sobreviver. É interessante ver no início do filme, anos antes uma Síria relativamente pacífica e onde as pessoas tinham alguma qualidade de vida, de um momento para o outro transformar-se num cemitério a céu aberto. Dá que pensar: não estamos livres de ser nós amanhã. Ter de pegar no que se tem e fugir das bombas ou da fome. Oxalá não, oxalá não.

Esta obra de Sally El Hosaini vale essencialmente pela história e pelo desempenho dos atores, pois os aspetos técnicos, talvez por limitações orçamentais, não deslumbram.

Fun Fact: a primeira vez que houve uma equipa olímpica de refugiados foi nos jogos olímpicos do Rio de Janeiro de 2016, sendo composta por 10 elementos de diversos países. Já em Tóquio 2022, o número de elementos da equipa de refugiados subiu para 29.

#theswimmers

domingo, 11 de dezembro de 2022

Advento 2022 - #15 - America Proibida (1998)

América Proibida (1998)

Se houvesse uma definição cinematográfica de drama racial americano, creio que seria muito aproximada daquilo que é apresentado em América Proibida de Tony Kaye. O filme assenta bastante no sucesso da química e na tensão criadas pelas excelentes performances de Edward Norton e Edward Furlong, cujos papéis são os de dois irmãos que, no início, incitam o ódio e defendem a superioridade da raça branca; inclusivamente, fazem parte de um bando de neonazis, mas aos poucos vão percebendo que o mundo é mais complexo e que o certo e o errado não escolhem cor.



O recurso a flashbacks a preto e branco, para contar episódios dramáticos ocorridos no passado funciona muito bem, pois ajuda a contextualizar os acontecimentos que têm lugar no presente. A narrativa funciona quase como um jogo de ação e consequência, consequência e ação, passando por culpa e arrependimento, ódio e perdão.

Edward Norton, justamente, foi nomeado para o Oscar de melhor ator, tendo perdido para um ator que mereceu destaque neste calendário do advento, Roberto Benigni com o seu A vida é bela. 

Fun Fact 1: O realizador Tony Kaye e os atores Edward Norton e Edward Furlong entraram em conflito devido a divergências quanto à edição final, tendo os atores conseguido fazer algumas alterações que na óptica do realizador distorceram a visão que este tinha para o filme. Tony Kaye quis abandonar o projeto, chegando a afirmar que não ficou satisfeito com o desempenho de Norton e que o filme tinha ficado por acabar.

Fun Fact 2: Reza a lenda que Norton, no seu processo de ganhar peso e massa muscular para o papel, pediu uns conselhos a Arnold Schwarzenegger.

sábado, 10 de dezembro de 2022

Advento 2022 - #14 - Guillermo del Toro's Pinocchio (2022)

Guillermo del Toro’s Pinocchio (2022)

A história de Pinocchio, escrita por Carlo Collodi no sec. XIX, foi por diversas vezes adaptada ao cinema. Talvez a mais conhecida e possivelmente a melhor tenha sido a versão animada criada pela Disney em 1940. Pelo menos é a mais presente na memória colectiva. Ainda este ano, a Disney lançou uma outra versão de Pinocchio, mas em live action e foi um enorme fracasso. Em 2019, foi a vez de uma versão italiana realizada por Matteo Garrone, também em live action, e apesar de contar com Roberto Benigni como Geppetto, teve fraca aclamação quer do público, quer da crítica. Só tenho uma coisa a dizer, estejam quietos ou criem novas histórias.



Portanto, quando resolvi ver a adaptação mais recente de Guillermo del Toro, confesso, a expectativa era reduzida. Não que del Toro não tenha pergaminhos no cinema fantástico, basta recordar Labirinto de Fauno (um extraordinário filme, muito melhor que aquela treta da água), mas, convenhamos, mais uma história do boneco de madeira que mente para quê?

Agora, após ter visto o filme na Netflix, a minha opinião é mista. Posso dizer que gostei:

- Da suavidade da animação em stop-motion e da roupagem de algumas personganens (o bigode do Grilo Falante está engraçado)
- Da forma como o filme encara a morte. A morte é algo natural e, apesar de provocar tristeza, não há nada a fazer. A vida segue, por vezes assume outras formas, mas segue.


Não gostei tanto:

- Da parte musical. Achei as músicas muito fracas, pouco orelhudas e mal interpretadas.
- Da pouca novidade da história de base. Apesar de del Toro apresentar algumas fadas que pareciam faunos e levar a narrativa para o tempo do fascismo (pareceu forçado), a história do Pinocchio é no fundo aquela que todos conhecemos.

Resumindo, é uma boa opção para um dia de chuva sem grande coisa para fazer. Mas se o dia estiver soalheiro aconselho que aproveitem e vão ver o mar.

Fun Fact: segundo o Imdb, este filme, com as suas 2h00 de duração, é o mais longo em animação stop-motion.

# GuillermodelToro’sPinocchio #Pinocchio #Guillermodeltoro

sexta-feira, 9 de dezembro de 2022

Advento 2022 - #13 - Stutz (2022)

Stutz (2022)

Felizmente, a saúde mental tem tido cada vez mais atenção e respeito por parte da sociedade. Costumava ser a parente pobre no que toca a saúdes, contudo nos últimos anos, várias foram as personalidades que assumiram que tiveram de lidar com depressões ou que sofreram de alguma doença do foro mental ou psicológico. 


Recentemente, estreou na Netflix um documentário produzido e realizado por Jonah Hill precisamente sobre esta temática. O relato apresentado assenta na própria experiência de Hill com o seu terapeuta/psicólogo/psiquiatra/amigo, Phil Stutz. A atenção vai-se dividindo entre a discussão de episódios traumáticos vividos quer pelo terapeuta, quer por Hill, e de que forma as ferramentas que Phil utiliza com os seus pacientes podem ajudar a ultrapassar ou a suavizar situações depressivas ou mesmo alguns bloqueios.

Não será o documentário do ano, mas a temática é atual e algumas mensagens que Phil Stutz transmite são sem dúvida inspiradoras. Algo que achei curioso, foi o facto de Stutz, que sofre de Parkinson e treme bastante das mãos, recorrer a desenhos muito simples, mas obviamente com traço tremido, para passar ideias aos seus pacientes de forma mais clara e ao mesmo tempo mais personalizada. Afinal, uma imagem vale por mil palavras, não é? Por outro lado, também é interessante perceber que mesmo um dos atores mais cómicos do cinema, Jonah Hill, tem um lado mais depressivo e polvilhado de traumas.

Fun Fact: um dos desenhos de Stutz apresentado no filme que mais me ficou na memória apresenta a ideia de que por cima das nuvens, por mais carregadas que sejam, há sempre o Sol. 


#thestutz #johanhill

quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

Advento 2022 - #12 - The Iron Giant (1999)

The Iron Giant (1999)

Do céu caiu algo estranhamente gigante! Mas o que seria? Uma estrela? Um satélite? Um meteorito? Algum extraterrestre? Depois de tal episódio, o que é certo é que coisas estranhas começaram a acontecer, nomeadamente, o aparecimento de carros que pareciam que tinham sido comidos por um bicho enorme, quase como se fossem sandes de presunto.

Com tais acontecimentos bizarros, começaram a circular histórias do avistamento de algo que tinha caído dos céus. O pequeno Hogarth Hughes, um miúdo que vivia com a sua mãe numa pequena cidade chamada Rockwell, ouviu estas histórias e a sua curiosidade, ou a vontade de ter um animal de estimação, fez com que encetasse uma busca por este ser caído dos céus e comedor de mercedes classe A. O catraio era tramado e acabou mesmo por encontrar o que procurava, um robot gigante feito de ferro vindo de outro planeta.

Mas apesar de parecer ter uma tecnologia bastante avançada, o Gigante de Ferro, tinha a idade mental de um puto de 10 anos, mais ou menos a idade de Hogarth. Como seria de esperar ficaram grandes amigos. Mas um Gigante de Ferro não é fácil de passar despercebido (claro, é um Gigante) e aos poucos FBI e militares começam a andar no seu encalço, para o capturar ou talvez para o eliminar. E mais não vou contar.


Neste calendário de advento já faltava um filminho de animação, daqueles que os miúdos adoram, mas os adultos ainda mais. Ok, não tem o selo da Disney ou da Pixar, mas ainda assim vê-se muito bem. E o Robozão é um fofão. Realizado por Brad Bird, responsável por outros títulos de sucesso como Ratatouille e The Incredibles, The Iron Giant foi um flop nas bilheteiras, muito devido ao fraco investimento em Marketing por parte da Warner Bros. Daí ser um filme que tenha passado longe dos radares da maioria das pessoas.

Brad Bird inspirou-se para fazer este filme em parte numa tragédia que se passou com a sua irmã. Foi assassinada pelo seu marido com uma arma de fogo. O seu pitch acabaria por ser: "What if a gun had a soul and didn't want to be a gun?".

Fun Fact: O filme baseia-se num romance chamado The Iron Man, mas para não se confundir com o herói da Marvel, o nome do filme acabou por ser The Iron Giant.

#theirongiant

quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

Advento 2022 - #11 - Top Gun Maverick (2022)

Top Gun Maverick (2022)

Quando estreou o novo Top Gun, as críticas foram saindo e quase todas eram muito positivas. Assim, as minhas expectativas eram bastante elevadas, mas, felizmente, foram amplamente cumpridas. A memória de Tony Scott foi bem preservada por Joseph Kosinski.


A história até é previsível, sem grandes floreados, contudo é extremamente eficaz para o propósito final: puro entretenimento. Claro que este projecto não teria sido possível sem Tom Cruise, alguém que parece nos últimos anos ter como missão voltar a trazer pessoas ao cinema. O seu cunho pessoal é indelével, muito graças à sua disponibilidade para participar no máximo de cenas de acção possível, quase sempre dispensando duplos. Nota para uso limitado de CGI (efeitos especiais computorizados), algo que tornou as cenas com os aviões de cortar a respiração.

Viva o cinema pipoca, viva o cinema em sala, viva o Tom Cruise, viva o cinema espetáculo, abaixo o CGI, viva o Cinema!

Fun Fact: os actores receberam treino para pilotar F-18 durante 3 meses. (Vários no primeiro dia de treino vomitaram)

terça-feira, 6 de dezembro de 2022

Advento 2022 - #10 - The Truman Show (1998)

The Truman Show (1998)

O resumo desta história é simples: um mediador de seguros com 30 anos de idade e de seu nome Truman, descobre que toda a sua vida é um reality show. É tudo um embuste! A sua mãe, esposa, melhor amigo e qualquer pessoa que conhece são, na verdade, atores. Este reality show é simplesmente o acompanhamento em direto da vida de Truman, programa visto por milhões de pessoas. Pode-se ver Truman a lavar os dentes, a levar o lixo, a ir trabalhar e a defec….isso, felizmente, não! No fundo é um big brother em esteroides, onde  não se pediu sequer o consentimento ao pobre Truman para participar. Contudo e paulatinamente, Truman começa a perceber que algo de errado se passa…


Esta obra de Peter Weir - realizador de Sociedade dos Poetas Mortos – conta com Jim Carrey no papel de Truman e Ed Harris no papel de Christof, uma espécie de grande irmão (no secret story seria a “voz”) que controla as falas dos atores e a narrativa do show. Curiosamente Truman e Christof nunca se cruzam ao longo do filme.


Este filme é um clássico dos anos 90, cuja história sempre me fez refletir. Quais são os limites do entretenimento? A exposição humana é assim tão interessante? Porque é que os reality shows têm tanta audiência? Certo é que a estreia deste The Truman Show estreou precisamente no advento dos Reality Shows, altura em que surgiram os primeiros Survivors, Big Brothers e afins. Não sei se nos deu respostas, mas questões, ai ai, levanta várias (não sei para que foi este "ai,ai").

E para o caso de não nos vermos mais, Bom Dia, Boa Tarde e Boa Noite...

Fun Fact: numa cena inicial, um frasco de vitamina D está na mesa de cozinha de Truman. Tal fármaco é necessário compensar para a falta de exposição ao sol (real).


segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

Advento 2022 - #9 - Million Dollar Baby (2004)

Million Dollar Baby (2004)

Quando estreou, tive a oportunidade de ver Million Dollar Baby no cinema e garanto que senti que as pessoas presentes, assim como eu, saíram caladas da sala com um autêntico murro no estômago. O estado era de profundo KO, depois de um segundo round completamente inesperado. É extraordinário quando uma obra cinematográfica nos consegue surpreender desta forma.


Maggie Fitzgerald (Hillary Swank) é uma empregada de mesa que resolve, já depois dos 30 anos, tentar ser lutadora de boxe. Suplica a Frank Dunn (Clint Eastwood), dono de um ginásio local e veterano treinador para a treinar. Numa primeira fase, Frank recusa-se a treinar Maggie, pois considera que esta já não tem idade para vingar na modalidade. Contudo, a sua perseverança e resiliência, chamam a atenção do empregado do ginásio, um ex-lutador chamado Eddie “Scrap-Iron” Dupris (Morgan Freeman), que resolve ensinar-lhe o básico. Treina e treina e treina. Começa a vencer combates e aos poucos convence Frank a ser seu treinador. Entre os três viria a criar-se uma química e amizade vencedoras.

É uma verdadeira história de superação e resiliência, contada através do talento de grandes actores e da lente de um magnífico realizador, Clint Eastwood. Eastwood que além de realizar e actuar, produziu e foi responsável pela banda sonora (ver abaixo) - um autêntico One Man Show. Morgan Freeman ganhou o Oscar para melhor actor secundário pelos seus desempenhos como Iron Dupris e como narrador (para mim o melhor narrador da história do cinema). Contudo, a "Rainha do Ringue" é Hillary Swank! A transformação física para o papel foi impressionante, mas ainda foi mais marcante a capacidade que teve para desenvolver e credibilizar uma personagem que vive uma autêntica montanha-russa de emoções.




Fun Fact: Hillary Swank submeteu-se a um rigoroso treino físico para o papel, tendo ganho cerca de 10kg de massa muscular...wow (hoje em dia seria patrocinada pela prozis, de certeza...ahah)