domingo, 28 de março de 2021

#15 Filme da Semana - Os 7 de Chicago (2020)

Os efeitos da pandemia fazem-se sentir em todas as actividades e o cinema não é excepção. Muitas estreias adiadas, inúmeras produções paradas e com as salas de cinema fechadas em grande parte dos países devido às medidas de confinamento, não se vislumbra o início da retoma desta indústria. Assim é natural que a época dos prémios seja mais "fraquinha" este ano, dado o menor leque de escolhas existente, tanto em qualidade como em quantidade.

Não obstante, é sempre um período de balanços e o momento ideal para olhar, nem que seja de relance, para o que melhor se fez ao nível de cinema e televisão no ano anterior. Neste sentido, durante mês de Março na Rubrica Filme da Semana serão analisados alguns filmes/séries que estiveram a concurso na última edição dos Globos de Ouro.

Os 7 de Chicago (2020)

Os 7 de Chicago é uma obra escrita e realizada por Aaron Sorkin, um autor reconhecido pela capacidade de contar histórias normalmente com pendor político, mas de forma emocionante e cativante para o espectador. Exemplo disso mesmo são, por exemplo, as séries "Os Homens do Presidente" ou "The Newsroom" (aproveito para recomendar). Em 2017, Sorkin alargou o seu talento da escrita à realização com Molly's Game, um filme de cariz biográfico sobre uma organizadora de jogos de Poker a dinheiro (ilegal) entre grandes estrelas e milionários. 


Em 2020, voltou para trás das câmaras com um drama também biográfico, centrado nos acontecimentos ocorridos durante o julgamento do caso que ficou conhecido como Os 7 de Chicago. E quem eram estes 7? Um grupo de activistas acusados pelo governo americano de conspirar e incitar à revolta durante a Democratic National Convention em 1968. Uma das suas bandeiras era a luta contra a Guerra do Vietname. Este grupo era bastante heterogéneo, uma vez que contava ao mesmo tempo com elementos moderados como o estudante Tom Hayden (Eddie Redmayne), ou elementos mais excêntricos como o Yippie Abbie Hoffman (Sacha Baron Cohen), o que tornou este caso, de certo modo, exótico.

Sorkin rodeou-se de um bom elenco que teve um desempenho eficaz nesta narrativa, que segundo consta tem alguns pormenores demasiado romanceados. Esquecendo este aspecto, pode-se considerar que este filme é um retrato de uma época em que várias lutas a bem da civilização tomaram lugar e que, por esse motivo, merece ser visto. Todavia, tenho de confessar que apesar de ter achado interessante, tive alguma dificuldade em suportar sem bocejar a grande quantidade de cenas decorridas dentro do tribunal.

Na edição deste ano dos Globos de Ouro, Os 7 de Chicago estava nomeado para 5 categorias, tendo alcançado a vitória na categoria de melhor argumento. 

Fun Fact: Sacha Baron Cohen admitiu que ficou aterrorizado pelo facto de ter de fazer sotaque americano para o seu papel como Abbie Hoffman. Algo que é pouco frequente na sua carreira, mais pautada pelo uso de sotaques para fins essencialmente cómicos. 

sábado, 20 de março de 2021

#14 Filme da Semana - Soul (2020)

Os efeitos da pandemia fazem-se sentir em todas as actividades e o cinema não é excepção. Muitas estreias adiadas, inúmeras produções paradas e com as salas de cinema fechadas em grande parte dos países devido às medidas de confinamento, não se vislumbra o início da retoma desta indústria. Assim é natural que a época dos prémios seja mais "fraquinha" este ano, dado o menor leque de escolhas existente, tanto em qualidade como em quantidade.

Não obstante, é sempre um período de balanços e o momento ideal para olhar, nem que seja de relance, para o que melhor se fez ao nível de cinema e televisão no ano anterior. Neste sentido, durante mês de Março na Rubrica Filme da Semana serão analisados alguns filmes/séries que estiveram a concurso na última edição dos Globos de Ouro.

Soul (2020)

A Pixar conseguiu mais uma vez! Que maravilha é este Soul, um filme sobre alminhas e com muita alma. Um desenho animado para miúdos, médios e graúdos. Tem o condão incrível de tornar a morte em vida. Mas acima de tudo tem a capacidade de nos fazer pensar no que raio andamos a fazer neste mundo, principalmente quando só temos uma ficha para jogar. No entanto, não é um filme pesado para as crianças. Há fofura e humor que sobram para agradar a esse segmento. 


A história é simples, Joe é um professor de música frustrado que, finalmente e após tentativas falhadas, consegue a oportunidade para actuar com uma maiores divas do Jazz e assim mostrar todo o seu talento como pianista. Contudo, quando tudo parece que vai mudar na sua vida, tem um acidente bem parvo e fica às portas da morte. Nesse momento a sua alma fica em "trânsito" e a deambular numa dimensão estranha. É nessa dimensão que começa a sua luta para voltar ao mundo terreno, será que vai conseguir?

O filme está muito bem feito, incluindo a animação, o elenco que dá voz às personagens e principalmente a história. Se eu fosse o ministro da educação, tornaria obrigatório o visionamento de Soul nas aulas de orientação vocacional.

Ganhou o Globo de Ouro e dificilmente o Óscar para melhor filme de animação escapará a Soul. 

Fun Fact: Foi o primeiro filme da Pixar a não sair nos cinemas, tendo estreado directamente no Disney+.





 



sábado, 13 de março de 2021

#13 Filme da Semana - Mank (2020)

Os efeitos da pandemia fazem-se sentir em todas as actividades e o cinema não é excepção. Muitas estreias adiadas, inúmeras produções paradas e com as salas de cinema fechadas em grande parte dos países devido às medidas de confinamento, não se vislumbra o início da retoma desta indústria. Assim é natural que a época dos prémios seja mais "fraquinha" este ano, dado o menor leque de escolhas existente, tanto em qualidade como em quantidade.

Não obstante, é sempre um período de balanços e o momento ideal para olhar, nem que seja de relance, para o que melhor se fez ao nível de cinema e televisão no ano anterior. Neste sentido, durante mês de Março na Rubrica Filme da Semana serão analisados alguns filmes/séries que estiveram a concurso na última edição dos Globos de Ouro.

Mank (2020)

Sempre que David Fincher lança um novo filme existe sempre alguma ansiedade. E quando foi anunciado que iria fazer um filme sobre o processo de escrita do roteiro elaborado por Herman J. Mankiewicz (Mank) para o filme Citizen Kane, considerado um dos melhores de sempre, as expectativas ainda se elevaram mais. Ainda mais quando para o papel de Mank foi escalonado um dos melhores atores da atualidade, Gary Oldman. No entanto, havia alguma mágoa por estrear diretamente na Netflix e não passar pelos cinemas. 


Mank era um escritor talentoso, tendo feito o argumento para muitos filmes, mas tinha um sério problema com a "pinga". Aliada à "pinga" a posições políticas divergentes com grandes nomes da indústria do cinema, tornavam-no numa figura bastante incómoda. Em 1940, Orson Wells detinha liberdade criatividade total dos seus projetos e contratou Mank, para lhe escrever o roteiro do seu próximo filme, Citizen Kane. Como seria de prever entraram em choque. 


A premissa do filme é bastante interessante, um olhar sobre o processo criativo de um dos melhores filmes de sempre e a tensão que se desenvolveu entre os dois grandes responsáveis pela obra, Mank e Wells. A escolha do preto e branco é feliz e aproxima o espectador à época em que foi realizado Citizen Kane. O problema é que os saltos temporais que decorrem ao longo da acção são muito difíceis de acompanhar, bem como a maior parte das referências utilizadas em alguns dos diálogos. Estes dois factores tornam o filme confuso e de alguma forma elitista. 

Sem embargo, Gary Oldman como Mank e Tom Burke como Wells têm um desempenho excepcional e que merece destaque. Diria que Oldman é mais uma vez  um sério candidato a óscar para melhor actor.

Fun Fact: O argumento original deste filme é de Jack Fincher, pai de David Fincher, falecido em 2003. Infelizmente não viu este projeto a chegar aos ecrãs. 

sábado, 6 de março de 2021

12# Filme da Semana - Borat Subsquent Moviefilm (2020)

Os efeitos da pandemia fazem-se sentir em todas as actividades e o cinema não é excepção. Muitas estreias adiadas, inúmeras produções paradas e com as salas de cinema fechadas em grande parte dos países devido às medidas de confinamento, não se vislumbra o início da retoma desta indústria. Assim é natural que a época dos prémios seja mais "fraquinha" este ano, dado o menor leque de escolhas existente, tanto em qualidade como em quantidade

Não obstante, é sempre um período de balanços e o momento ideal para olhar, nem que seja de relance, para o que melhor se fez ao nível de cinema e televisão no ano anterior. Neste sentido, durante mês de Março na Rubrica Filme da Semana serão analisados alguns filmes/séries que estiveram a concurso na última edição dos Globos de Ouro. 

Borat Subsequent Moviefilm: Delivery of Prodigious Bribe to American Regime for Make Benefit Once Glorious Nation of Kazakhstan (2020)

Um dos grandes vencedores dos Globos de Ouro foi sem dúvida nenhuma Sacha Baron Cohen. E porquê? Estava nomeado para melhor ator secundário em Os 7 de Chicago e ganhou os Globos para melhor ator e melhor filme de Comédia/Musical com o novo Borat. É sobre este filme que vos venho falar. 

Sacha Baron Cohen já vestiu inúmeras peles no cinema e televisão desde Bruno, Ali G, e até o Grande Ditador. Adopta sempre um estilo camaleónico e meio de desenho animado, mudando completamente de feições em cada personagem.  No entanto, é na pele de Borat em que parece se sentir mais à vontade e com a qual atingiu o maior sucesso. 



Borat the Subsquent Moviefilm surge como a continuação do primeiro filme de Borat, mantendo a premissa, um Mockumentary (um documentário falso) que procura situações reais de humor desconfortável. 


(estão-se a rir, mas usar assim a máscara tem a mesma eficácia de a usar nos queixos)

Borat após cair em desgraça no seu Cazaquistão regressa aos Estados Unidos com a sua filha e o seu assistente, em busca de mais conhecimento da cultura americana. Em plena pandemia e na ante-camâra das eleições americanas, viaja por uma América profunda onde encontra de tudo.  Negacionistas, racistas e fanáticos religiosos, os alvos preferenciais de Borat são expostos  graças ao talento para o improviso de Sacha Baron Cohen  e à sua capacidade de se infiltrar no seu seio destes grupos. A cena mais polémica ocorre com Rudy Giulliani, antigo Mayor de Nova Iorque e advogado de Donald Trump, que cai na armadilha de Borat e sua equipa, dando uma entrevista (falsa) em que não fica muito bem na fotografia....

O filme não traz nada de inovador, a fórmula é batida, mas ainda tem alguma eficácia, muito graças ao talento extraordinário do Camaleão Sacha Cohen. Como a personagem já é amplamente conhecida, neste filme teve de se "mascarar" de outras personagens. Não é excelente, não é horrível, é bom para se ver quando se tem a cabeça a meio gás e existe alguma vontade de soltar umas gargalhadas, embora algumas cenas possam criar algum (ou mesmo muito) desconforto.

Fun Fact: Durante a rodagem do filme, a polícia foi chamada 92 vezes.