sábado, 30 de novembro de 2024

Advento 2024 - #1 - Living (2022)

E de repente chegámos ao Advento! Ainda há pouco estávamos a mastigar 12 passas sofregamente e já estamos de novo em contagem decrescente para um novo ano. Gosto do advento, pois é aquela altura do ano em que há calendários de coisas boas... chocolates, guloseimas, cervejas e claro, filmes. Sim, resolvi de novo dizer presente à empreitada de sugerir um filme por dia, entre os dias 1 e 24 de Dezembro. O leque deste ano tem um pendor mais atual, com um conjunto de filmes variado. Entre animação, clássicos, ação e comédias diria que há oferta para todos os gostos. 

Living (2022)

Se descobrisse que tem apenas 6 meses de vida, o que faria? No meu caso, se descobrisse que tinha o pavio mais curto do que o esperado, provavelmente iria comer sem remorsos tudo aquilo que sempre quis. Posso ir desta para melhor, mas a barriguinha vai cheia. Agora a sério, talvez algumas pessoas entrassem em desespero ou depressão. Outras talvez usassem as últimas energias para deixar tudo organizado e assim facilitar a vida aos seus entes queridos após a sua partida.


O protagonista do filme Living, (Bill Nighy), enveredou por um caminho diferente.   Quer dizer, numa primeira fase ainda se sentiu atraído pelo viver "La Vida Loca", indo a bares e afins para se divertir. Contudo, percebeu que os seus últimos anos foram uma perda de tempo, procrastinação, falta de empatia com o outro e acima de tudo olhou em retrospectiva e sentiu que não iria deixar qualquer legado. Então resolve utilizar a sua posição de responsável das obras públicas da cidade para deixar o derradeiro contributo à sociedade, por mais singelo que fosse. 


Este filme de Oliver Hermanus é um remake de Ikiru (1952) de Akira Kurosawa, sendo que desta feita a ação decorre em Inglaterra dos anos 50 e não no Japão. A propósito deste facto, é notório e digno de nota, o excelente trabalho da equipa técnica para conseguir recriar de forma o mais fíel possivel a cidade de Londres dos anos 50. 

Da minha perspectiva, não tem o brilhantismo e a aura do original, no entanto, consegue manter o espírito da narrativa, sendo inspirador na mensagem que entrega ao espectador: não deixe para amanhã, porque amanhã pode ser tarde demais ou se preferirem uma tónica mais positiva, nunca é tarde para começar. 

Fun Fact: Bill Nighy assumiu nunca ter visto a versão final do filme, argumentando que não gosta de ver filmes em que é o protagonista.