sábado, 28 de novembro de 2020

Ciclos - Oscars 2001-10: The Hurt Locker (2010)

   2010 - Nomeados para o Oscar de melhor filme:


- Hurt Locker (vencedor)
- Avatar 
-The Blind Side
- District 9
- An Education
- Inglourious Basterds 
- Precious: Based on the Novel "Push" by Sapphire
- A Serious Man
- Up
- Up in the Air

Bombas, bombas e mais bombas! Uma unidade militar do exército americano, especialista em minas em armadilhas, encontra-se na Guerra do Iraque há vários meses, e grande parte dos soldados aguarda impacientemente o momento da rendição, o momento de voltar para casa e sair daquele inferno. Nessa unidade e após a morte do Sargento Matt Thompson (Guy Pearce) numa explosão, é integrado o Sargento William James (Jeremy Renner), um verdadeiro especialista no desarme bombas (abaixo com a fatiota - um cruzamento entre astronauta e jogador de hóquei no gelo).


No entanto, James não é bem aceite no grupo. Além de ser bad boy e não fugir a conflitos, parece ser imune ao medo, algo essencial para o papel que tem de desempenhar no desarme de bombas, mas que, simultaneamente, o coloca muitas vezes em situações limite. Resumidamente, tem bom coração - em combate dá tudo pelos colegas e preocupa-se com os locais inocentes - mas é completamente viciado em adrenalina e morte não é algo que o assuste. Um retrato da sua personalidade pode ser feito através de uma passagem do filme, quando um general lhe pergunta qual é melhor maneira de desarmar uma bomba e James responde: The Way you don't die, Sir!



Posto isto, Hurt Locker tem uma narrativa que contem evidentes traços comuns com filmes afamados sobre a guerra do Vietmane, nomeadamente, Deer Hunter e Platoon. Apenas o cenário muda, Iraque em vez de Vietname. Aliás Hurt Locker é um calão que surgiu durante a guerra do Vietmane e que significa algo ou lugar de extrema dor e profundo desconforto. 

De resto, em todas estas obras, estamos perante histórias que relatam o quotidiano de jovens militares que, em nome da bandeira americana, vão combater para uma terra distante geograficamente e culturalmente, numa guerra e por uma causa de índoles duvidosas. Sujeitos a muita violência, nada mais que traumas trazem na memória quando regressam a casa. A dada altura em Hurt Locker, um dos militares diz que ainda não se sente responsável para ter um filho, mas no momento seguinte tem de pegar numa arma e, se for preciso, matar alguém. 

Apesar de por vezes a história se dispersar demais, considero que o filme vale, além do retrato da guerra do Iraque, pelos momentos de tensão dramática que surgem em catadupa e que acabam por prender o espectador. Basta pensar que num banal filme de acção, o desarme de uma bomba é um momento muito tenso e que põe qualquer um a roer unhas. Em Hurt Locker há dezenas de bombas que são desarmadas.


The Hurt Locker entrou para história dos Oscars em 2010. Não só ganhou o Oscar para melhor filme, como consagrou Kathryn Bigelow como a primeira e, para já, única mulher a ganhar o Oscar para melhor realizador(a). Curiosamente, em concurso também estava o seu ex-marido James Cameron com Avatar (único filme em que adormeci no cinema), acredito que tenha havido um gostinho extra nesta vitória...Nahh. Antes pelo contrário, terá até sido Cameron a insistir com Bigelow para que aceitasse este projeto de realização. 

Nesta edição de 2010, além de The Hurt Locker e Avatar havia vários filmes nomeados com interesse, Inlgourious Basterds, District 9, Up, Blind Side ou Up in the air. Boa colheita, hein!

Fun Fact: A acção foi totalmente filmada na Jordânia. Estava prevista a rodagem de uma semana numa verdadeira base militar americana noKuwait, no entanto, o pedido acabaria por ser negado.

domingo, 22 de novembro de 2020

Ciclos - Oscars 2001-10: Slumdog Billionaire (2009)

  2009 - Nomeados para o Oscar de melhor filme:


- Slumdog Billionaire (vencedor)
- Curious Case of Benjamin Button
- Frost/Nixon
- Milk
- The Reader

20 milhões de rupias são cerca de 230 mil euros e é o prémio máximo da versão indiana do "Quem quer ser milionário?". Jamal Malik (Dev Patel) é um orfão oriundo de uma favela (slum) de Mumbai e está a uma resposta de ganhar o concurso. Há um impasse. Malik encontra-se preso por suposta batota nas respostas. Afinal, como é que um orfão de uma favela conseguiu chegar à fase final do "Quem quer ser milionário?"?. A Malik resta defender-se, justificando à polícia como é que soube as respostas para cada uma das questões. E é partir deste ponto, que o filme nos leva numa viagem pela tão pobre e tão rica Índia e a cada um dos episódios da vida de Malik que, coincidentemente, se interligam com as perguntas do concurso. 


Realizado por Danny Boyle (realizador de Trainspotting), Slumdog Billionaire não é apenas um drama com laivos de comédia, é sobretudo um retrato de contrastes da Índia, onde as desigualdades são mais do que muitas. No início do filme, a pobreza e a sujidade retratadas e em que vivem os órfãos impressionam e uma das cenas com fezes até dá a volta ao estômago, algo que se torna sensorial devido à  notável fotografia do filme. Mas onde há vida, há esperança, num dia temos fome, no outro pode ser que consigamos encher a pança...(para o ano ponho esta rima num manjerico). 

É um filme que recomendo pela capacidade que tem de nos fazer pôr a nossa confortável vida em perspetiva e, simultaneamente, de nos fazer sonhar que não é impossível ganhar o "Quem quer ser Milionário?" (que raio de pergunta… quem não quer?)



Nenhum dos candidatos a melhor filme em 2009 era extraordinário, embora, tendo em conta o favoritivismo de Curious Case of Benjamin Button, a vitória de Slumdog Billionaire tivesse sido algo surpreendente. Mesmo assim, o que mais impressionou nessa edição dos Oscars foi o facto de Dark Night não ter sido sequer nomeado, fime de Nolan que consagrou postumamente Heath Ledger.  

Fun Fact: O monte de bosta em que Jamal Malik cai em miúdo era feita de uma mistura de chocolate e manteiga de amendoim.  

sábado, 21 de novembro de 2020

Ciclos - Oscars 2001-10: No Country for Old Men (2008)

 2008 - Nomeados para o Oscar de melhor filme:


- No Country for Old Men (vencedor)
- Juno
- Atonement 
- Michael Clayton
- The Will Be Blood

O vencedor do Oscar para melhor filme em 2008 foi No Country for Old Men (PT: Este País não é para Velhos), obra adaptada e realizada pelos irmãos Cohen. Trata-se de um filme cujo título não podia vir mais a propósito da situação atual - com o coronavirus à solta e a atacar de forma mais agressiva os nossos anciãos, não é Este País que não é para Velhos, é o próprio mundo. 


No Texas profundo, Llewelyn Moss (Josh Brolin), um caçador que vagueava numa zona deserta em busca de presas, deparou-se com uma cena de crime - vários carros cravejados de balas e corpos espalhados pelo chão (um verdadeiro Texas...). No meio da confusão encontrou uma mala cheia de dinheiro (2 milhões de dólares) e vários fardos de droga (fardo é um bom nome para droga, uma vez que serve também para a palha dos burros).

Em vez de chamar a polícia, a ganáncia falou mais alto e resolve ficar com o pilim (graveto, grana, cacau), algo que fez do próprio um alvo, começando a ser perseguido pelo assassino profissional, Anton Chigurh (Javier Bardem). Começa o jogo do rato e gato, sendo que o gato vai matando todos aqueles que lhe aparecem à frente.

Com a matança em crescendo, Ed Tom Bell (Tommy Lee Jones) um experiente xerife funcionalmente letárgico, vai-se deparando com os horrendos crimes para os quais não tem meios de combate. Sentindo-se, à medida que o tempo vai passando, cada vez mais ultrapassado e velho para dar resposta à catadupa de acontecimentos e à guerra entre cartéis de droga, começa a vaguear na sua mente uma ideia...  a ideia que aquele país já não era para velhos.

 


No Country for Old Man é um clássico produto dos irmãos Cohen, uma intrincada história de crime passada numa qualquer zona profunda dos Estados Unidos, com bons atores e uma fotografia bastante competente, neste caso de Roger Deakins (um dos melhores do meio). Algo interessante neste filme é o ritmo da narrativa, que vai dos "0 aos 100"muito rapidamente, devido à oscilação existente entre as cenas calmas e nostálgicas do xerife Bell e as cenas de suspense e violência desencadeadas por Anton Chigurh. 

A propósito de Chigurh, Javier Bardem tem um desempenho extraordinário, criando um vilão que, apesar do cabelo à Beatriz Costa, é verdadeiramente aterrador e tão frio que chega a ser sobrehumano. Para mim um dos melhores(piores) vilões da história do cinema. Algumas das peculiaridades desta personagem são decidir o destino das vítimas através do arremesso de uma moeda ao ar (ver abaixo) e executar as mesmas recorrendo a uma garrafa de gás comprimido.




Em 2008, o Oscar para melhor filme tinha dois favoritos à vitória. Além de No Country for Old Men, There Will Be Blood de Paul Thomas Anderson com um Daniel Day-Lewis no pico da sua forma podia ter arrecadado a estatueta, algo que também não seria injusto.

Fun Fact: Quando Joel Coen e Ethan Coen abordaram Javier Bardem sobre o papel de Chigurh, ele disse: "Eu não conduzo, falo mal inglês e odeio violência". Os Coens responderam: "É por isso que te ligamos." Bardem disse que aceitou o papel porque tinha o sonho de participar num filme dos irmãos Coen.

domingo, 15 de novembro de 2020

Ciclos - Oscars 2001-10: The Departed (2007)

  2007 - Nomeados para o Oscar de melhor filme:


- The Departed (vencedor)
- Babel
- Letters from Iwo Jima 
- Little Miss Sunshine
- The Queen



O enredo de The Departed leva-nos a Boston, numa época em que existe uma guerra aberta entre a polícia e o crime organizado. Nesta trama densa e tensa, um jogo de espiões começa a desenrolar-se. Frank Costello (Jack Nicholson) é o "padrinho" da máfia irlandesa, Colin Sullivan (Matt Damon), o infiltrado da máfia na polícia de Massachusetts e Billy Costigan (Leo DiCaprio), o infiltrado da polícia na máfia irlandesa. Portanto, ratazanas de ambos os lados à solta em gelo fino. Por um lado em busca de informações relevantes para as suas facções, mas por outro com receio de ver a sua carequinha descoberta e consequentemente um encontro antecipado com os anjinhos. A certa altura Frank Costello diz a Collin uma frase que pode resumir o sentimento que paira no ar: One of us had to die. With me, it tends to be the other guy.

Como um peixe na água, Scorcese assina com a sua mestria habitual este remake de WuJianDao ( filme de Hong Kong) sobre crime e gangsters. Neste caso atrevo-me dizer que o realizador elevou os níveis de tensão a um ponto jamais visto na sua filmografia. A fotografia é excelente e a banda sonora soberba - afinal não é todos os dias que um pedaço de cinema nos presenteia com trilhas intemporais como Comfortably Numb dos Pink Floyd.  

Contudo, o trabalho de qualquer realizador fica facilitado quando tem ao seu dispor um elenco do calibre de The Departed. Leonardo DiCaprio, Matt Damon, Jack Nicholson, Mark Wahlberg, Martin Sheen, Vera Farmiga, Alec Baldwin encarnam, de forma sublime, personagens em constante dilema moral, patrocinando com o carisma certo a teia que é esta história. 





Nomeado para 5 Oscars, The Departed viria a ganhar o Oscar de melhor filme na edição de 2007 sem surpresas, tendo suplantado títulos como Babel ou Letters de Iwo Jima (filme extraordinário de Clint Eastwood). 

Fun Fact: Ao longo do filme, aquele palavrão (e derivados) que começa com a letra "F" é pronunciado por 238 vezes.

domingo, 8 de novembro de 2020

Ciclos - Oscars 2001-10: Crash (2006)

 2006 - Nomeados para o Oscar de melhor filme:


- Crash (vencedor)
- Brokeback Moutain
- Capote
- Good Night, and Good Luck
- Munich


A história dos Oscars está repleta de surpresas e em 2006 aconteceu uma das maiores. Crash de Paul Haggis (o argumentista de Million Dollar Baby), contra a generalidade das expectativas ganhou o Oscar para melhor filme, quando o grande favorito seria Brokeback Mountain de Ang Lee, seguido nas casas de apostas de Capote, filme que consagrou Philip Seymour Hoffman. 

Sucintamente, a acção de Crash decorre em L.A. por um período de 36 horas, durante as quais, várias personagens de diferentes mundos colidem. Brancos, negros e hispânicos, vêm as suas vidas interligadas numa história de crime e racismo, onde fica claro que o bem e o mal não tem cor. 

Muitos críticos, cinéfilos e outros maluqinhos por cinema consideram-no um dos piores filmes de sempre a ganhar a principal categoria da Academia, basta olhar de relance para as caixas de comentários do IMDb ou do Letterdbox. As principais queixas normalmente são: 

- O guião é simplista e desenvolve superficialmente as personagens
- A narrativa tem demasiadas coincidências, o que torna a história inverosímil. 
- A forma como aborda o tema do racismo, abusando do recurso a clichés demasiado previsíveis. 

Também conheço várias pessoas com opiniões diametralmente opostas. Gente que adora e que considera o filme como um das suas vidas.

O meu ponto de vista é mais intermédio. Considero o argumento um pouco simplista, que não desenvolve com a profundidade necessária as várias personagens e concordo que narrativa tem demasiadas coincidências. Por outro lado, como aspectos positivos destaco o competente desempenho do elenco com Don Cheadle, Sandra Bullock, Matt Dillon, Terrence Howard e Michael Peña e a eficácia da transmissão da mensagem - não há ninguém nem 100% bom, nem 100% mau, somos seres imperfeitos e perfeitos na imperfeição. 



Fun Fact: Com um orçamento apenas de 6 milhões de dólares, o realizador Paul Hagis teve de cortar custos, tendo de ceder a sua casa e carro para algumas cenas.


sexta-feira, 6 de novembro de 2020

Ciclos - Oscars 2001-10: Million Dollar Baby (2005)

   2005 - Nomeados para o Oscar de melhor filme:


- Million Dollar Baby (vencedor)
- The Aviator
- Finding Neverland 
- Ray 
- Sideways


Million Dollar Baby (MDB) é um drama desportivo realizado por Clint Eastwood em 2004 e pode-se dizer que é uma espécie de Rocky (o primeiro) no feminino com as devidas diferenças. Mas os ingredientes são idênticos: boxe, drama, superação, a importância que um treinador pode ter e personagens principais que, vindos do nada, conseguem singrar no mundo do desporto...MDB só não tem o Gonna Fly Now (música icónica do Rocky de Bill Conti)



O argumento, a cargo de Paul Haggis, conta a história de Maggie Fitzgerald (Hillary Swank) uma simples empregada de mesa do Missouri que aspira tornar-se boxer (não, não quer ser um cão), apesar de já não ser uma jovem (31 anos) para se iniciar na modalidade. Para a ajudar, procura o famoso treinador Frankie Dunn (Clint Eastwood), um homem com alguma idade, isolado, azedo e amargurado com a vida, que inicialmente recusa treinar Maggie, essencialmente, por ser mulher e por não ter idade para iniciar uma carreira. 

Todavia, Maggie não desiste e mesmo sem treinador inicia os seus treinos. Demonstrando muita tenacidade, ambição e encorajada por  Iron Dupris (Morgan Freeman), um velho Boxer empregado no ginásio, consegue chamar a atenção de Frankie, que aceita relutantemente treiná-la, após ter tido uma desilusão com um dos seus pupilos mais promissores. Com ajuda de Frakie evolui rapidamente e torna-se em pouco tempo uma boxer temível, ganhando combate após combate, até conseguir um combate para o título (a million dollar match) desafiando a campeã Billie " The Blue Bear" Ostreman, MÁ COMO AS COBRAS.  


Não vou avançar o resultado do combate coincidente com o clímax do filme, mas adianto que algo dramático acontece. Curiosamente, se olharmos para os títulos em Inglês ou em PT do Brasil - Million Dollar Baby e Menina de Ouro respectivamente - não antevemos o desfecho do filme. No entanto, o título em Portugal é indicativo de que algo vai correr mal - Million Dollar Baby, Sonhos Vencidos. Fica o mistério no ar para quem não viu.

Tive a oportunidade de ver o filme no cinema e garanto que senti que as pessoas presentes, assim como eu, saíram caladas da sala com um autêntico murro no estômago, quase em estado de KO depois de um segundo round completamente inesperado. É extraordinário quando uma obra cinematográfica nos consegue surpreender desta forma. Vejam!

Este título tem o selo de qualidade de Eastwood que além de realizar e actuar, produziu e foi responsável pela banda sonora (ver abaixo) - um autêntico One Man Show. Morgan Freeman ganhou o Oscar para melhor actor secundário pelos seus desempenhos como Iron Dupris e como narrador (para mim o melhor narrador da história do cinema). Contudo, a "Rainha do Ringue" é Hillary Swank! A transformação física para o papel foi impressionante, mas ainda foi mais marcante a capacidade que teve para desenvolver e credibilizar uma personagem que vive uma autêntica montanha-russa de emoções.


Dos 5 nomeados em 2005 para Oscar de melhor filme, além de Million Dollar Baby, apenas vi o Aviator, o favorito à vitória desse ano. Destaco a actuação de Cate Blanchett num das melhores papéis da carreira, porém na minha opinião, o filme de Scorsese com DiCaprio como protagonista, é demasiado longo e enfadonho. 

Fun Fact: Hillary Swank submeteu-se a um rigoroso treino físico para o papel, tendo ganho cerca de 10kg de massa muscular...wow (hoje em dia seria patrocinada pela prozis, de certeza...ahah)
 

domingo, 1 de novembro de 2020

Ciclos - Oscars 2001-10: O Regresso do Rei (2004)

  2004 - Nomeados para o Oscar de melhor filme:


- The Lord of The Rings: The Return of The King (vencedor)
- Mystic River
- Lost in Translation
- Master and Commander 
- Seabiscuit



Realizado por Peter Jackson e baseado na obra literária de J. R. R. Tolkien, The Return of The King é o terceiro e último capítulo da trilogia The Lord of The Rings. Com a conquista do Oscar para melhor filme, este título marca a consagração da saga, depois de The Fellowship of The Ring e The Two Towers terem também estado nomeados  para  a categoria mais importante dos prémios da Academia, em 2002 e 2003 respectivamente. 

Embora só em 2004, tenha atingido o patamar máximo ao nível dos prémios, a trilogia desde o início foi um retumbante sucesso de bilheteira. Um sucesso ainda maior caso se inclua na análise a prequela do Hobit. Só em termos de receitas de bilheteira, o franchise atingiu quase 7 mil milhões de dólares, perante um orçamento acumulado de cerca de mil milhões de dólares, ou seja, um retorno de 586% (nada mau). E curiosamente, o Regresso do Rei foi de todos os filmes, o que obteve uma receita superior, cerca de 1,1 mil milhões de Dólares. Uma autêntica cash cow bem ordenhada por Peter Jackson (peço desculpa pela imagem). À data, apenas Titanic tinha tido uma receita superior, mais de 2 mil milhões de dólares. 


A narrativa do Regresso do Rei segue a jornada de dois Hobbits (seres anões, mas com uns pés enormes e peludos), Frodo (Elijah Wood) e Sam (Sean Astin), a caminho de Mordor com objectivo de destruir o anel (the One Ring). Os dois pequenos Hobbits, entre tantos perigos, estão entregues à sua sorte e ao seu guia, o repugnante Gollum/Smeágol (na altura a animação de Gollum foi considerada revolucionária). Gollum já possuiu o anel e vive num dilema interior, entre querer ajudar os dois pequenos Hobbits e recuperar o anel para si (o seu precious). 



Paralelamente, decorre a acção em Isengard, onde Galdalf (Ian McKellen), Aragorn (Viggo Mortensen), Legolas (Orlando Bloom), Gimli (John Rhys-Davies) e o Rei Rohan (Miranda Otto) encontram Merry e Pippin, os outros dois hobbits que participam nesta aventura. E a partir daqui, a luta entre o bem e o mal segue o seu percurso com os volte-faces habituais deste tipo de histórias.  Adoro a rivalidade amigável entre o anão brutamontes Gimli e elfo estiloso Legolas para ver quem consegue matar mais inimigos, quem terá ganho. Eis a contagem:




Na altura em que saiu, a trilogia The Lord of Rings apresentou-se como revolucionária ao nível dos efeitos especiais, sendo inegável o seu contributo para o desenvolvimento de novas formas de usar tecnologia no cinema. No entanto, esta saga é muito mais do que um primor técnico. É uma adaptação extraordinariamente bem conseguida das palpitantes aventuras, meio mediavais, meio místicas, criadas por Tolkien. Não é uma simples história do Bem contra o Mal. É uma história de fortes que se tornam fracos, de fracos que se tornam fortes, de fracos que são fortes e de fortes que são fracos. É um épico intemporal, daqueles filmes para passar naquelas datas especiais do ano, como Natal ou a Páscoa. 

Destaque final para o elenco desta saga, é mesmo uma enorme constelação de estrelas, cujas performances não têm mácula. Além de todos os nomes mencionados anteriormente, não esquecer ainda a presença de outros vultos do cinema, nomeadamente, Christopher Lee como Sauroman, Hugo Weaving como Elrond ou Cate Blanchett como Galadriel.
 


Em 2004, o Óscar para melhor filme não podia ter outro destino, era mais que merecida a consagração da trilogia. Todavia, nesse ano havia competição interessante, nomeadamente, Mystic River de Clint Eastwood ou Lost in Translation de Sofia Coppola, dois filmes de que gosto bastante. 

Fun Fact:  Um filme normal tem cerca de 200 efeitos especiais, The Return of The King teve 1.487.