domingo, 31 de dezembro de 2023
Destaques 2023 - Filmes e Séries
sábado, 30 de dezembro de 2023
Wonka (2023)
Havia um anúncio da Bimbo nos anos 90/00 em que havia um pregão que ficou na memória popular: Bimbo é fresco e fofo! Ora pregão que se ajusta parcialmente a Wonka de Paul King, pois o filme lançado pela Disney neste Natal é bastante fofo, mas de fresco tem pouco.
Tem índices elevados de fofura por vários motivos: i) a história é muito
queridinha. Wonka ainda é um jovem chocolateiro à procura de abrir a sua
própria loja nas galerias de chocolate mais luxuosas, pretendendo trazer alegria
e prazer a todos aqueles que comem chocolate. A sua inspiração é a própria mãe,
que parece ter já falecido; ii) é muito colorido e as músicas são enternecedoras
principalmente para o público mais infantil; iii) As personagens parecem todas
saídas do mundo dos ursinhos carinhosos (mesmo os vilões não são muito ameaçadores). Chalamet interpreta um Wonka sem
malicia no olhar e que apenas procura ser feliz na busca do seu sonho. E Hugh Grant,
um Oompa-Loompa engraçado e com danças caricatas.
É fofo sim, porém pouco fresco. A história é previsível, com momentos evidentes
de preguiça argumentativa. Continua a haver um claro abuso do CGI, tornando tudo
muito plástico e falso. As músicas não são tão orelhudas como de outros filmes
Disney.
E é fofo sim, porém demasiado. A personagem de Wonka no filme original parece
afável, mas denota laivos de loucura e perversidade. Ora neste filme não há
qualquer pista que revele o porquê da personagem se ter tornado retorcida.
Resumindo cumpre o seu papel para um público mais infantil, mas não parece
que venha a ter destaque no panteão das grandes obras Disney.
Rating: 3/5
Fun Fact: O realizador Paul King afirmou que ganhou cerca de 20kg por causa
de todo o chocolate que comeu durante a rodagem do filme. E diz que é um
milagre Chalamet ter mantido a boa aparência e a delgadez. Explicou que havia
uma chocolateira profissional a fazer os chocolates deliciosos para o filme.
Algo que com graça o realizador afirmou não fazer sentido, pois os atores conseguem
fingir que estão a comer o melhor chocolate do mundo, mesmo que este seja desagradável
no palato.
domingo, 24 de dezembro de 2023
#4 - Filmes no Sapatinho - Nightmare Before Christmas (1993)

E porque a noite de Natal se está a aproximar, nada melhor do que em The Nightmare Before Christmas falar. Obra saída da cabecinha pensadora de Tim Burton, ainda quando era animador da Disney nos anos 80. A gaveta fez bem ao projecto que foi amadurecendo e de um pequeno conto surgiu numa longa metragem em 1993. Tim Burton acabou por não poder realizar o filme, devido a impedimentos contratuais ligados à produção de Batman. Colaborador habitual de Burton, Elfman (nome apropriado para este filme) foi o criador da extraordinária banda sonora, dando voz ao personagem principal, Jack the Skellinghton, enquanto este canta. Claramente, a música é um dos pontos fortes do filme. Elfman confessou que escrever as 10 faixas para este filme foi o trabalho mais fácil que teve na sua vida, pois considera que tem muitas parecenças com Jack.
Resumidamente, The Nighmare Before Christmas conta a história de Jack Skellinghton, o Pumpkin King da Halloween Town, que está farto da sua vida repetitiva, centrada em exclusivo no dia das bruxas. Um dia e de forma acidental, entra na Christmas Town e descobre que existe o Natal. Fascinado com a ideia e com o espírito, resolve juntar os habitantes e criar um Natal à maneira de Halloween Town. Para o efeito rapta o Pai Natal, a quem chama Sandy Claws, assume o seu lugar e começa a preparar a entrega de presentes, alguns deles bastante diferentes do habitual….
Não sendo propriamente desajustado para um público infantil, devido ao lado sombrio que possui, é claramente direccionado para uma audiência mais adulta. Esteticamente é uma obra magnífica, marcada pelo estilo de Tim Burton em toda a sua plenitude, podendo encontrar-se vários elementos habitualmente usados pelo realizador nos seus filmes. Por exemplo, o recurso a personagens sinistras, mas com bom coração - Eduardo Mãos-de-Tesoura, Jack, etc. Para os fãs de Burton é obrigatório, para quem gosta de uma boa história de animação com uma agradável banda sonora também.
sábado, 23 de dezembro de 2023
#3 - Filmes no Sapatinho - Violent Night (2022)
Silent Night, Violent Night...
Caso sejam
daquelas pessoas que já não têm paciência para os convencionais filmes de
natal, fofinhos, inocentes, com finais previsíveis, e se ao mesmo tempo têm
alguma inclinação para apreciar uma pitada de violência gratuita, humor
sarcástico com notas de brejeirice, então Violent Night de Tommy Wirkola é uma
excelente opção para vocês. Atenção, Violent Night não deixa de ser um filme de Natal.
Os elementos estão lá todos, o Pai Natal anafado, as renas voadoras, presentes
para entregar e famílias ricas desavindas em busca de reatar de relações na noite de Natal. Contudo… O Pai Natal é preguiçoso, rezingão, bêbado
e javardo. A família central da história não tem escrúpulos e quando envolvida
num rapto, é o salve-se quem poder… cada um só se importa com a sua pele e com
a herança.
Mas ao mesmo tempo ver este filme na noite de Natal pode ser um risco. Pois numa noite em que toda a gente come como se fosse hibernar até à primavera, as pessoas com estômago mais frágil poderão canalizar a violência do ecrã para algum tipo de regurgitamento…
Rating: 3/5
Fun Fact: O realizador admitiu ter-se inspirado em certa medida nas armadilhas/partidas usadas em Home Alone para desenvolver algumas das cenas deste filme.
sexta-feira, 22 de dezembro de 2023
#2 - Filmes no Sapatinho - Raiders of Lost Ark (1981)
Exemplo de filme de conforto para mim é Raiders of Lost Ark, AKA o primeiro Indiana Jones. Nos anos 80, juntar uma história de George Lucas, a realização de Steven Spielberg e a queda para herói de acção de Harrison Ford, só poderia retumbar num sucesso gigantesco. Gigantesco ao ponto de atingir vendas de bilheteira de quase $4oomilhões com apenas $20milhões de orçamento.
Harrison Ford na altura confirmou o carisma para herói de ação que já se deixava vaticinar nos primeiros filmes de Star Wars... Embora a sua escolha não tenha sido a primeira, não conseguimos imaginar mais ninguém a sacar do chicote enquanto Indy.
Quanto à história é arqueologia, é profecias, é acção, é povos distantes, é a arca da aliança, é nazis que querem a arca da aliança, arqueólogos armados em vaqueiros, sempre de chicote em riste e que pretendem capturar a arca antecipadamente para impedir os nazis de a usar para vencer a guerra. Depois, claro, o típico romance, dama quase sempre em perigo à espera de ser salva por Indy, mas não com o sinal de frágil na testa, que a donzela deste filme tem pelinho na venta para dar e vender, Marion Ravewood (Karen Allen).
Ainda falta referir o último ingrediente de sucesso desta obra, John Williams e a sua icónica banda sonora. Havia uma anedota na escola em que se perguntava, qual era a música com mais "Tês"... a resposta era a música do Indiana Jones, acompanhava do onamatopaico "Tatatata, tatatamm, tatatatam, tatatamtamatam"... (peço desculpa).
Ao rever este filme, mais uma vez ficou aquele sentimento nostálgico do cinema em que os efeitos práticos eram reis e os cenários reais... Belos tempos em que o CGI era uma miragem e não usado para qualquer montagem.
Rating: 4,5/5
Fun Fact: Atrás foi referido que Harrison Ford não foi a primeira escolha para o papel de Indiana Jones. O escolhido tinha sido Tom Selleck, que só não pode interpretar o papel devido a questões contratuais com a série de TV Magnum P.I.... Caso para dizer males que vêm por bem.
#1 - Filmes no Sapatinho - Maestro (2023)
Este ano não houve advento, mas não podiam faltar algumas sugestões para ocupar algum tempo livre durante esta quadra natalícia. Eis a primeira edição de "Prendas no Sapatinho"
Prendas no Sapatinho #1 - Maestro (2023)
Começo com Maestro, filme realizado, produzido e protagonizado por Bradley Cooper, recentemente estreado na Netflix, após curta passagem nos cinemas. Leonard (Lenny) Bernstein foi um dos mais afamados e talentosos compositores/maestros norte americanos do século passado, tendo uma sólida carreira na música clássica, mas também com contribuições interessantes para a Broadway, nomeadamente West Side Story.
A narrativa do filme vai deambulando entre os seus sucessos profissionais e a sua vida pessoal/amorosa pouco convencional para as décadas de 50 a 80.
É uma peça de cinema muito decente e recomendo vivamente, mas é daqueles filmes que não conto voltar a ver. Reconheço que a realização, fotografia e som estão num patamar de excelência. Também os atores, neste caso com Bradley Cooper à cabeça têm performances imaculadas, até acho que Cooper pode levar a estatueta para melhor ator. Todavia, a duração e a falta de ritmo levam a que certos momentos sejam enfadonhos. Este ano senti o mesmo com Oppenheimer e em Assassinos da Lua das Flores, obras de qualidade superior mas que, a espaços, me custaram visionar.
Rating: 4/5
Fun Fact: a filha de Bradley Cooper interpreta um pequeno
papel enquanto Jamie(criança), personagem filha de Leonard Bernstein.
domingo, 27 de agosto de 2023
Filmes de Verão - #6 - Arctic (2018)
sábado, 19 de agosto de 2023
Filmes de Verão - #5 - Dolemite is My Name
Dolemite is My Name
O Verão pede saladas
e filmes leves, assim a sugestão de hoje passa por um filme familiar, que
dispõe bem, sem grandes complicações e bem humorado. Esse filme é Dolemite is
my Name, filme realizado por Craig Brewer e protagonizado pelo “velhinho” Eddie
Murphy - actor que parecia ter perdido o seu mojo mas que, inesperadamente,
presenteia-nos com uma ótima performance, num papel que parece ter sido feito à
sua medida.
A narrativa baseia-se em factos verídicos e
gira em torno de Dolemite, alter ego de Rudy Ray Moore, um self-made man na
área do entretimento que, contra todas as expectativas, consegue atingir todos ou quase todos os seus objetivos. É considerado por muitos um pioneiro na comédia
e no Rap, tendo também participado e produzido vários filmes. A sua figura
acaba por ser icónica, uma vez que usava roupas pouco convencionais muito ao
estilo pimp (chulo), com adereços como chapéu e bengala.
Não sei se a
época balnear me torna mais condescendente, mas achei este filme inspirador. Fiquei
com vontade de bater punho e ser empreendedor, no entanto, 5 minutos depois
essa vontade já se tinha naturalmente esfumado. Destaco ainda a banda sonora e
as participações bastante cómicas de Wesley Snipes e Snoop Dog (esse mesmo). Eis
o trailer:
Onde Ver: Netflix
Rating: 3,5/5
Fun Fact: Eddie Murphy
é um grande fã de Wesley Snipes e curiosamente este foi o primeiro filme em que
contracenaram.
sexta-feira, 18 de agosto de 2023
Filmes de Verão - #4 - E sai um triplo!
Stephen Curry: Underrated
A NBA é uma liga
desportiva recheada de estrelas, estrelas essas que têm enormes legiões de fãs
e, a maior parte delas, também enormes quantidades de detratores. No entanto, há
um caso singular, por ter muitos fãs e poucos ou nenhuns difamadores (aka haters).
Refiro-me a Stephen Curry dos Golden State Warriors. É um jogador desconcertante,
não só pela sua capacidade ímpar de lançar e marcar triplos (a sua imagem de
marca), mas também por ter uma capacidade de leitura de jogo invulgar e uma
magia que lhe permite inventar jogadas verdadeiramente espetaculares. E é a sua
qualidade de jogo, aliada ao facto de ser muito simpático, brincalhão, por
vezes provocador, mas humilde, que o tornam um jogador apreciado por todos os
amantes de basquetebol.
A sua carreira é
recheada de sucessos. Já foi campeão quatro vezes, sempre pelos Warriors, recorde
que não foi alcançado por muitos jogadores. Individualmente ganhou vários prémios,
tendo numa ocasião sido considerado MVP (melhor jogador da temporada) por unanimidade,
algo muito raro.
Todavia, ao contrário
do que se possa pensar, Curry não teve um percurso nada fácil. Enquanto jovem
era muito franzino e relativamente baixo, mesmo para a posição de base. E
apesar de ter talento, não conseguiu convencer os olheiros das principais universidades
americanas. Apenas conseguiu ser convidado por uma universidade menos conhecida,
Davidson. Aí encontrou um treinador verdadeiramente inspirador, Bob McKillop, considerado
pelo próprio Curry, um dos pilares para o seu sucesso e alguém de quem nunca se
esquece de agradecer quando alcança algum título.
É precisamente
sobre o período universitário de Curry que incide o documentário que vos
proponho hoje, Stephen Curry Underrated. Sim, atualmente há documentários
desportivos às pazadas e confesso-me um pouco enjoado do formato. No entanto, se
há personagem desportiva gloriosa, cativante e que tinha uma boa história para
ser contada, essa personagem é Stephen Curry.
Onde Ver: AppleTV
Rating: 3/5
Fun Fact: Bob McKillop foi treinador de basquetebol da Universidade de Davidson durante 33 anos.
quinta-feira, 17 de agosto de 2023
Filmes de Verão - #3 - Aqui há gatos!
quarta-feira, 16 de agosto de 2023
Filmes de Verão - #2 - Wolfie Amadeusss Mozart
terça-feira, 15 de agosto de 2023
Filmes de Verão - #1 - Bombaaaa
Muitas vezes é no verão que as pessoas têm mais tempo para ver filmes, quer seja por estarem de férias, quer pelo trabalho que acalma ou até mesmo porque outras atividades lúdicas são interrompidas. O mesmo acontece comigo e encontrando-me de férias resolvi lançar um desafio a mim mesmo: propor todos os dias até final de agosto, um filme por noite. As propostas serão feitas de forma telegráfica, procurando alternar entre géneros, antiguidade e plataforma de visualização (cinema, cabo, streaming, Dvd, Blue-Ray, Laser Disc, VHS, Betamax.... se calhar estou a exagerar, mas perceberam a ideia)
Oppenheimer (2023)
Ainda nos cinemas pode-se encontrar a mais recente obra de Christopher Nolan que, depois do desastre que foi Tenet (na minha opinião), regressa com um filme de cariz biográfico sobre J. Robert Oppenheimer, o cientista americano responsável pela invenção/produção das primeiras bombas atómicas. Evidentemente que a história deste homem, pelo impacto que a sua ação teve para a conclusão da segunda guerra mundial, tem um interesse histórico inegável.
Nolan consegue desenvolver a narrativa de forma bem conseguida, através sucessivas deambulações entre o período anterior ao lançamento da bomba e o período subsequente, altura em que J. Robert Oppenheimer teve de lidar com acusações de espionagem a favor da URSS, em plena era da "caça às bruxas". O desenvolvimento de várias linhas temporais tem a habilidade de captar a atenção do espectador, mantendo o interessente em alta durante as 3h00 de duração do filme.
A crítica que aponto é ao facto da duração das cenas ser curta, acabando quase sempre com frases fortes, algo que me deu uma sensação de pouca autenticidade e quase como se estivesse a ver histórias de uma rede social em determinados momentos.
No que concerne a aspectos técnicos, o filme é, naturalmente, um portento, com evidência para o som/música que ajudam a dar realce às emoções, quase que levando o espectador a uma viagem imersiva aos sentimentos de Oppenheimer.
Cylian Murphy, através de toda a sua expressividade mesmo quando está em silêncio, tem um desempenho competente como Oppenheimer. Todavia o destaque tem de ser dado a Robert Downey Jr., num papel vilanesco que contrasta em grande medida com os últimos papéis mais extrovertidos que tem protagonizado (Tony Starks e afins). Diz-se que esta performance pode-lhe valer a nomeação para um Oscar. O resto do elenco é também ele de luxo, nomeadamente Emily Blunt, Matt Damon, Kenneth Branagh, Rami Malek, entre outros.
Onde Ver: Cinemas
Rating: 3,5/5
Fun Fact: Para manter a qualidade entre cenas a preto e branco e a cores, pela primeira vez foram filmadas cenas a preto e branco com câmaras IMAX desenvolvidas pela Kodak.
Aguentem-se então à bomboca que amanhã há mais!



