domingo, 31 de dezembro de 2023

Destaques 2023 - Filmes e Séries

O final do ano é tradicionalmente uma altura para fazer balanços e destaques do ano que passou. No que concerne a filmes e séries, 2023 não me parece um ano que vá ficar para a memória. Há dois efeitos que me parecem ter contribuído. O cansaço com filmes e séries da Marvel ou spin-offs de sagas como Star Wars. A fórmula está mesmo gasta e os recursos precisam ser canalizados para outras alternativas. O outro efeito que não ajudou nada à produção audiovisual foi a greve dos argumentistas, algo que fez parar, cancelar e adiar inúmeros filmes e séries. 

Num ano tão pouco prolífero é natural que os destaques sofram de alguma repetição, ainda assim deixo aqui os títulos que julgo merecerem alguma distinção (a ordem foi definida aleatoriamente). 

Filmes

1. Maestro de Bradley Cooper. 
-Filme biográfico sobre a vida de Leonard Bernstein.
-Netflix


2. Oppenheimer de Christopher Nolan 
-Filme biográfico sobre a vida de J. Robert Oppenheimer
- Apple TV (aluguer)


3. Barbie de Greta Gerwig 
-Filme de com a boneca Barbie como centro da narrativa
-HBO Max


4. Spider-Man: Across the spider verse
-Filme de animação com o homem-aranha
-Apple TV através de aluguer



5. Assassinos da Lua das Flores de Martin Scorcese
-Filme de sobre uma série de assassinatos de índios nos Estados Unidos durante os anos 20
-Apple TV (aluguer)


6. Evil Dead Rise: O despertar de Lee Cronin
- Filme que dá sequência à saga Evil Dead 
- HBO Max


7. A Incrível História de Henry Sugar de Wes Anderson
- Um dos capítulos de uma série de curtas lançadas por Wes Andereson
-Netflix



e agora algumas Séries

1. The Bear (temporada 2)
2. Invincible (temporada 2)
3. The last of Us (temporada 1)
4. Welcome to Wrexham (temporada 2)
5. What We do in the Shadows (temporada 5)
6. Poker Face (temporada 1)
7. Succession (temporada 4)





sábado, 30 de dezembro de 2023

Wonka (2023)

Havia um anúncio da Bimbo nos anos 90/00 em que havia um pregão que ficou na memória popular: Bimbo é fresco e fofo! Ora pregão que se ajusta parcialmente a Wonka de Paul King, pois o filme lançado pela Disney neste Natal é bastante fofo, mas de fresco tem pouco.


Tem índices elevados de fofura por vários motivos: i) a história é muito queridinha. Wonka ainda é um jovem chocolateiro à procura de abrir a sua própria loja nas galerias de chocolate mais luxuosas, pretendendo trazer alegria e prazer a todos aqueles que comem chocolate. A sua inspiração é a própria mãe, que parece ter já falecido; ii) é muito colorido e as músicas são enternecedoras principalmente para o público mais infantil; iii) As personagens parecem todas saídas do mundo dos ursinhos carinhosos (mesmo os vilões não são muito ameaçadores). Chalamet interpreta um Wonka sem malicia no olhar e que apenas procura ser feliz na busca do seu sonho. E Hugh Grant, um Oompa-Loompa engraçado e com danças caricatas.

É fofo sim, porém pouco fresco. A história é previsível, com momentos evidentes de preguiça argumentativa. Continua a haver um claro abuso do CGI, tornando tudo muito plástico e falso. As músicas não são tão orelhudas como de outros filmes Disney.

E é fofo sim, porém demasiado. A personagem de Wonka no filme original parece afável, mas denota laivos de loucura e perversidade. Ora neste filme não há qualquer pista que revele o porquê da personagem se ter tornado retorcida.

Resumindo cumpre o seu papel para um público mais infantil, mas não parece que venha a ter destaque no panteão das grandes obras Disney.

Rating: 3/5

Fun Fact: O realizador Paul King afirmou que ganhou cerca de 20kg por causa de todo o chocolate que comeu durante a rodagem do filme. E diz que é um milagre Chalamet ter mantido a boa aparência e a delgadez. Explicou que havia uma chocolateira profissional a fazer os chocolates deliciosos para o filme. Algo que com graça o realizador afirmou não fazer sentido, pois os atores conseguem fingir que estão a comer o melhor chocolate do mundo, mesmo que este seja desagradável no palato.

domingo, 24 de dezembro de 2023

#4 - Filmes no Sapatinho - Nightmare Before Christmas (1993)

Cheira a Natal. Já se vêm tapetes de meninos Jesus pendurados nas varandas como se fossem cair ao chão, gambiarras berrantes e aos olhos irritantes nas caleiras das casas. O bacalhau está de molho e o peru grosso para no forno não pensar. O óleo está nas frigideira, pronto a fritar sonhos para todos os que são filhós de Deus...



E porque a noite de Natal se está a aproximar, nada melhor do que em The Nightmare Before Christmas falar. Obra saída da cabecinha pensadora de Tim Burton, ainda quando era animador da Disney nos anos 80. A gaveta fez bem ao projecto que foi amadurecendo e de um pequeno conto surgiu numa longa metragem em 1993. Tim Burton acabou por não poder realizar o filme, devido a impedimentos contratuais ligados à produção de Batman. Colaborador habitual de Burton, Elfman (nome apropriado para este filme) foi o criador da extraordinária banda sonora, dando voz ao personagem principal, Jack  the Skellinghton, enquanto este canta. Claramente, a música é um dos pontos fortes do filme. Elfman confessou que escrever as 10 faixas para este filme foi o trabalho mais fácil que teve na sua vida, pois considera que tem muitas parecenças com Jack. 

Resumidamente, The Nighmare Before Christmas conta a história de Jack Skellinghton, o Pumpkin King da Halloween Town, que está farto da sua vida repetitiva, centrada em exclusivo no dia das bruxas. Um dia e de forma acidental, entra na Christmas Town e descobre que existe o Natal. Fascinado com a ideia e com o espírito, resolve juntar os habitantes e criar um Natal à maneira de Halloween Town. Para o efeito rapta o Pai Natal, a quem chama Sandy Claws, assume o seu lugar e começa a preparar a entrega de presentes, alguns deles bastante diferentes do habitual….

Não sendo propriamente desajustado para um público infantil, devido ao lado sombrio que possui, é claramente direccionado para uma audiência mais adulta. Esteticamente é uma obra magnífica, marcada pelo estilo de Tim Burton em toda a sua plenitude, podendo encontrar-se vários elementos habitualmente usados pelo realizador nos seus filmes. Por exemplo, o recurso a personagens sinistras, mas com bom coração - Eduardo Mãos-de-Tesoura, Jack, etc. Para os fãs de Burton é obrigatório, para quem gosta de uma boa história de animação com uma agradável banda sonora também. 


Fun Fact: Marilyn Manson fez uma cover da música This Is Holloween, uma das primeiras a ouvir-se no filme.


sábado, 23 de dezembro de 2023

#3 - Filmes no Sapatinho - Violent Night (2022)

Silent Night, Violent Night...

Caso sejam daquelas pessoas que já não têm paciência para os convencionais filmes de natal, fofinhos, inocentes, com finais previsíveis, e se ao mesmo tempo têm alguma inclinação para apreciar uma pitada de violência gratuita, humor sarcástico com notas de brejeirice, então Violent Night de Tommy Wirkola é uma excelente opção para vocês. Atenção, Violent Night não deixa de ser um filme de Natal. Os elementos estão lá todos, o Pai Natal anafado, as renas voadoras, presentes para entregar e famílias ricas desavindas em busca de reatar de relações na noite de Natal. Contudo… O Pai Natal é preguiçoso, rezingão, bêbado e javardo. A família central da história não tem escrúpulos e quando envolvida num rapto, é o salve-se quem poder… cada um só se importa com a sua pele e com a herança.



Não é uma obra-prima e por vezes o humor tende para o básico, no entanto parece-me uma boa alternativa para ver depois da abertura dos presentes de Natal, após os avós se irem deitar… este filme não é para velhos (velhos de forma carinhosa). Há quem diga, que este filme se pode tornar numa espécie de Die Hard, filme de ação tradicionalmente visto nesta quadra.


Mas ao mesmo tempo ver este filme na noite de Natal pode ser um risco. Pois numa noite em que toda a gente come como se fosse hibernar até à primavera, as pessoas com estômago mais frágil poderão canalizar a violência do ecrã para algum tipo de regurgitamento… 

Rating: 3/5

Fun Fact: O realizador admitiu ter-se inspirado em certa medida nas armadilhas/partidas usadas em Home Alone para desenvolver algumas das cenas deste filme.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2023

#2 - Filmes no Sapatinho - Raiders of Lost Ark (1981)

O Natal é uma altura de conforto, comidinha boa, férias, pantufas do Pateta nos pés, aquecer as mãos no borralho e, claro, ver filmes que já vimos 5oo mil vezes. É natural gostarmos de rever filmes para obter conforto, pois uma forma de conforto é também a previsibilidade. A previsibilidade de saber que se vai ver um filme de que gostamos, mas também no sentido de sabermos que haverá cenas que nos irão trazer uma satisfação muito satisfatória.

Exemplo de filme de conforto para mim é Raiders of Lost Ark, AKA o primeiro Indiana Jones. Nos anos 80, juntar uma história de George Lucas, a realização de Steven Spielberg e a queda para herói de acção de Harrison Ford, só poderia retumbar num sucesso gigantesco. Gigantesco ao ponto de atingir vendas de bilheteira de quase $4oomilhões com apenas $20milhões de orçamento.



Harrison Ford na altura confirmou o carisma para herói de ação que já se deixava vaticinar nos primeiros filmes de Star Wars... Embora a sua escolha não tenha sido a primeira, não conseguimos imaginar mais ninguém a sacar do chicote enquanto Indy. 


Quanto à história é arqueologia, é profecias, é acção, é povos distantes, é a arca da aliança, é nazis que querem a arca da aliança, arqueólogos armados em vaqueiros, sempre de chicote em riste e que pretendem capturar a arca antecipadamente para impedir os nazis de a usar para vencer a guerra. Depois, claro, o típico romance, dama quase sempre em perigo à espera de ser salva por Indy, mas não com o sinal de frágil na testa, que a donzela deste filme tem pelinho na venta para dar e vender, Marion Ravewood (Karen Allen). 

Ainda falta referir o último ingrediente de sucesso desta obra, John Williams e a sua icónica banda sonora. Havia uma anedota na escola em que se perguntava, qual era a música com mais "Tês"... a resposta era a música do Indiana Jones, acompanhava do onamatopaico "Tatatata, tatatamm, tatatatam, tatatamtamatam"... (peço desculpa).

Ao rever este filme, mais uma vez ficou aquele sentimento nostálgico do cinema em que os efeitos práticos eram reis e os cenários reais... Belos tempos em que o CGI era uma miragem e não usado para qualquer montagem.

Rating: 4,5/5

Fun Fact: Atrás foi referido que Harrison Ford não foi a primeira escolha para o papel de Indiana Jones. O escolhido tinha sido Tom Selleck, que só não pode interpretar o papel devido a questões contratuais com a série de TV Magnum P.I.... Caso para dizer males que vêm por bem.


#1 - Filmes no Sapatinho - Maestro (2023)

Este ano não houve advento, mas não podiam faltar algumas sugestões para ocupar algum tempo livre durante esta quadra natalícia. Eis a primeira edição de "Prendas no Sapatinho"

Prendas no Sapatinho #1 - Maestro (2023)



Começo com Maestro, filme realizado, produzido e protagonizado por Bradley Cooper, recentemente estreado na Netflix, após curta passagem nos cinemas. Leonard (Lenny) Bernstein foi um dos mais afamados e talentosos compositores/maestros norte americanos do século passado, tendo uma sólida carreira na música clássica, mas também com contribuições interessantes para a Broadway, nomeadamente West Side Story.

A narrativa do filme vai deambulando entre os seus sucessos profissionais e a sua vida pessoal/amorosa pouco convencional para as décadas de 50 a 80.


É uma peça de cinema muito decente e recomendo vivamente, mas é daqueles filmes que não conto voltar a ver. Reconheço que a realização, fotografia e som estão num patamar de excelência. Também os atores, neste caso com Bradley Cooper à cabeça têm performances imaculadas, até acho que Cooper pode levar a estatueta para melhor ator. Todavia, a duração e a falta de ritmo levam a que certos momentos sejam enfadonhos. Este ano senti o mesmo com Oppenheimer e em Assassinos da Lua das Flores, obras de qualidade superior mas que, a espaços, me custaram visionar.

Rating: 4/5 

Fun Fact: a filha de Bradley Cooper interpreta um pequeno papel enquanto Jamie(criança), personagem filha de Leonard Bernstein.

domingo, 27 de agosto de 2023

Filmes de Verão - #6 - Arctic (2018)

Arctic (2018)

Como sabe bem um geladinho no Verão. Mesmo aqueles só de gelo ajudam a refrescar a alminha. Assim, vem mesmo a calhar uma sugestão de hoje... a de um filme cuja ação decorre totalmente no Polo Norte, com gelo a perder de vista (por enquanto) e uma imensidão de coisa nenhuma.



O papel que o próprio cenário gélido desempenha pode ter contribuído para que o título do filme de Joe Penna seja simplesmente Arctic. A história é bastante simples, Overgard (Mads Mikkelsen) é o único sobrevivente de um acidente de uma pequena aeronave. Para tentar escapar ao destino dos restantes tripulantes tem de lutar diariamente para se alimentar, sobreviver ao frio e aos ursos polares enquanto tenta desesperadamente entrar em contacto, via rádio, com alguma aeronave que passe a uma distância suficiente para receber o pedido de ajuda. Com o passar do tempo, o desespero e alguns contratempos vão esgotando a esperança de se salvar, até que...


Este filme acaba por ser como um gelado de baunilha, simples mas marcha bem. Para tal, contribui uma excelente performance de Mads Mikkelsen, pautada por uma grande amplitude de emoções, quase sempre entre a esperança e o desespero.


Rating: 3,5/5
Onde ver: Filmin
Fun Fact: O urso visto no filme é real. Feitas as contas ficava mais barato filmar do que o recurso a efeitos especiais.

sábado, 19 de agosto de 2023

Filmes de Verão - #5 - Dolemite is My Name

 Dolemite is My Name

O Verão pede saladas e filmes leves, assim a sugestão de hoje passa por um filme familiar, que dispõe bem, sem grandes complicações e bem humorado. Esse filme é Dolemite is my Name, filme realizado por Craig Brewer e protagonizado pelo “velhinho” Eddie Murphy - actor que parecia ter perdido o seu mojo mas que, inesperadamente, presenteia-nos com uma ótima performance, num papel que parece ter sido feito à sua medida.


A narrativa baseia-se em factos verídicos e gira em torno de Dolemite, alter ego de Rudy Ray Moore, um self-made man na área do entretimento que, contra todas as expectativas, consegue atingir todos ou quase todos os seus objetivos. É considerado por muitos um pioneiro na comédia e no Rap, tendo também participado e produzido vários filmes. A sua figura acaba por ser icónica, uma vez que usava roupas pouco convencionais muito ao estilo pimp (chulo), com adereços como chapéu e bengala.  

Não sei se a época balnear me torna mais condescendente, mas achei este filme inspirador. Fiquei com vontade de bater punho e ser empreendedor, no entanto, 5 minutos depois essa vontade já se tinha naturalmente esfumado. Destaco ainda a banda sonora e as participações bastante cómicas de Wesley Snipes e Snoop Dog (esse mesmo). Eis o trailer:


Onde Ver: Netflix

Rating: 3,5/5

Fun Fact: Eddie Murphy é um grande fã de Wesley Snipes e curiosamente este foi o primeiro filme em que contracenaram.


sexta-feira, 18 de agosto de 2023

Filmes de Verão - #4 - E sai um triplo!

 Stephen Curry: Underrated

A NBA é uma liga desportiva recheada de estrelas, estrelas essas que têm enormes legiões de fãs e, a maior parte delas, também enormes quantidades de detratores. No entanto, há um caso singular, por ter muitos fãs e poucos ou nenhuns difamadores (aka haters). Refiro-me a Stephen Curry dos Golden State Warriors. É um jogador desconcertante, não só pela sua capacidade ímpar de lançar e marcar triplos (a sua imagem de marca), mas também por ter uma capacidade de leitura de jogo invulgar e uma magia que lhe permite inventar jogadas verdadeiramente espetaculares. E é a sua qualidade de jogo, aliada ao facto de ser muito simpático, brincalhão, por vezes provocador, mas humilde, que o tornam um jogador apreciado por todos os amantes de basquetebol.


A sua carreira é recheada de sucessos. Já foi campeão quatro vezes, sempre pelos Warriors, recorde que não foi alcançado por muitos jogadores. Individualmente ganhou vários prémios, tendo numa ocasião sido considerado MVP (melhor jogador da temporada) por unanimidade, algo muito raro.

Todavia, ao contrário do que se possa pensar, Curry não teve um percurso nada fácil. Enquanto jovem era muito franzino e relativamente baixo, mesmo para a posição de base. E apesar de ter talento, não conseguiu convencer os olheiros das principais universidades americanas. Apenas conseguiu ser convidado por uma universidade menos conhecida, Davidson. Aí encontrou um treinador verdadeiramente inspirador, Bob McKillop, considerado pelo próprio Curry, um dos pilares para o seu sucesso e alguém de quem nunca se esquece de agradecer quando alcança algum título.

É precisamente sobre o período universitário de Curry que incide o documentário que vos proponho hoje, Stephen Curry Underrated. Sim, atualmente há documentários desportivos às pazadas e confesso-me um pouco enjoado do formato. No entanto, se há personagem desportiva gloriosa, cativante e que tinha uma boa história para ser contada, essa personagem é Stephen Curry.

Onde Ver: AppleTV

Rating: 3/5

Fun Fact: Bob McKillop foi treinador de basquetebol da Universidade de Davidson durante 33 anos.

 

quinta-feira, 17 de agosto de 2023

Filmes de Verão - #3 - Aqui há gatos!

Gato Preto, Gato Branco (1998)

Aqui há gato... aliás gatos, um preto e um branco, pelo menos no título e aqui ali no filme que vos proponho hoje: Gato Preto, Gato Branco de Emir Kusturica.

Kusturica atingiu o auge da sua carreira entre o início dos anos 80 e o final dos anos 90, com titulos como, When Father Goes away from Business (1985), Time of Gypsies (1989), Arizona Dream (1993), Underground (1995) e finalmente, Black Cat, White Cat (1998). Os seus filmes sao reconhecidos pela sua criatividade, caos, interacções étnicas e, claro, a música tradicional constante. Nos últimos anos assumiu algumas posições políticas controversas, com alguma aproximação a Putin, principalmente aquando da anexação da Crimeia.



Gato Preto, Gato Branco, comporta todos os elementos da cinemografia de Kusturica referidos anteriormente. A sua narrativa centra-se num grupo de ciganos que vive junto às margens do Danúbio, sobrevivendo de negociatas e esquemas que chegam a envolver casamentos arranjados para saldar dívidas entre famílias.


O filme tem um tom humorístico bastante vincado, aqui e ali um pouco pateta demais, mas que acaba por ser magnetizante dado o seu non sense. Por exemplo, frequentemente aparece um porco a comer peças de um carro abandonado. Destaque ainda para o retrato interessante que é dado de uma época e de uma europa mais desconhecida para os mais ocidentais. E por fim, a música tradicional/étnica, elemento fundamental e constante da obra do autor.



Onde ver: Filmin

Rating: 4/5

Fun Fact: Em vez do titulo escrito na introdução do filme, perece uma fotografia de um grato branco e de um gato preto.

Miauuu, amanhã talvez haja mais (estou com humores de gato). 

quarta-feira, 16 de agosto de 2023

Filmes de Verão - #2 - Wolfie Amadeusss Mozart

Muitas vezes é no verão que as pessoas têm mais tempo para ver filmes, quer seja por estarem de férias, quer pelo trabalho que acalma ou até mesmo porque outras atividades lúdicas são interrompidas. O mesmo acontece comigo e encontrando-me de férias resolvi lançar um desafio a mim mesmo: propor todos os dias até final de agosto, um filme por noite. As propostas serão feitas de forma telegráfica, procurando alternar entre géneros, antiguidade e plataforma de visualização (cinema, cabo, streaming, Dvd, Blue-Ray, Laser Disc, VHS, Betamax.... se calhar estou a exagerar, mas perceberam a ideia)

Amadeus (1984)

Estou longe de ser um especialista em música clássica, na verdade, em música no geral. Não sei tocar sequer o "Parabéns a Você" na flauta. No entanto, atrevo-me a dizer que Mozart terá sido dos maiores génios da história da música.

Houve uma altura em que resolvi estudar a ouvir música clássica e Mozart fazia parte das playlists habituais do género. Todavia, era impossível concentrar-me a ouvir as suas obras. É tão sublime, que a atenção resvalava quase sempre da aborrecida matéria, para as hipnotizantes notas que me entravam pelos ouvidos. Aproveito para partilhar uma das peças que mais gosto do seu Requiem. 


 
Incentivado (obrigado?) pelo pai, Mozart aos 4 anos já sabia tocar piano e aos 5 começou a compor. Eu e a maior parte das pessoas com essas idades mal sabíamos apertar os atacadores. Na adolescência foi contratado como músico na corte em Salzburgo, aos 15 anos chega a Viena e é na capital austríaca que conquista a fama, apesar de viver quase sempre em dificuldades financeiras. Viria a morrer na miséria aos 35 anos, deixando um legado intemporal, entre os quais, várias óperas, sinfonias e concertos.  O devido reconhecimento apenas surgiria anos mais tarde e o seu génio é louvado ainda nos dias de hoje. 

Em 1984, Milos Foreman deu vida a Mozart no grande ecrã e de uma forma absolutamente extraordinária, através do épico biográfico, Amadeus. A história é narrada por Antonio Salieri (F. Murray Abraham), compositor contemporâneo de Mozart (Tom Hulce), que nutria por ele um misto de fascínio e inveja. Nos seus relatos e em jeito de confissão, considerava que Deus o tinha injustiçado, dando um talento único a uma criatura vulgar e que ele, Salieri, tão casto e devoto não tinha sido agraciado com semelhantes dotes, tendo, imerecidamente, sido esquecido pelo público. Todavia, o ódio que sentia era tão grande como a admiração que tinha por Mozart. Com a sua notável interpretação de Salieri, Abraham mereceu de forma justa o oscar para melhor actor. 

Visualmente, Amadeus é magnífico, boa fotografia, caracterização de cenários e personagens impecáveis. No entanto, a banda sonora, toda ela obra de Mozart, destaca-se, como não poderia deixar de ser. Por isso, recomendo que vejam o filme, se possível, com um bom sistema de som. Nota final para Tom Hulce que, segundo consta, terá estudado música e praticado as peças de Mozart afincadamente, tendo sido o próprio a tocar os instrumentos sem recurso a duplos no filme.


Onde ver: Nestas próximas semanas é possível ver Amadeus no Cinemundo. 

Rating: 5/5

Fun Fact:  O filme reavivou o interesse na obra de Salieri que, até então, estava remetida à obscuridade. 

terça-feira, 15 de agosto de 2023

Filmes de Verão - #1 - Bombaaaa

Muitas vezes é no verão que as pessoas têm mais tempo para ver filmes, quer seja por estarem de férias, quer pelo trabalho que acalma ou até mesmo porque outras atividades lúdicas são interrompidas. O mesmo acontece comigo e encontrando-me de férias resolvi lançar um desafio a mim mesmo: propor todos os dias até final de agosto, um filme por noite. As propostas serão feitas de forma telegráfica, procurando alternar entre géneros, antiguidade e plataforma de visualização (cinema, cabo, streaming, Dvd, Blue-Ray, Laser Disc, VHS, Betamax.... se calhar estou a exagerar, mas perceberam a ideia)

Oppenheimer (2023)



Ainda nos cinemas pode-se encontrar a mais recente obra de Christopher Nolan que, depois do desastre que foi Tenet (na minha opinião), regressa com um filme de cariz biográfico sobre J. Robert Oppenheimer, o cientista americano responsável pela invenção/produção das primeiras bombas atómicas. Evidentemente que a história deste homem, pelo impacto que a sua ação teve para a conclusão da segunda guerra mundial, tem um interesse histórico inegável. 

Nolan consegue desenvolver a narrativa de forma bem conseguida, através sucessivas deambulações entre o período anterior ao lançamento da bomba e o período subsequente, altura em que J. Robert Oppenheimer teve de lidar com acusações de espionagem a favor da URSS, em plena era da "caça às bruxas". O desenvolvimento de várias linhas temporais tem a habilidade de captar a atenção do espectador, mantendo o interessente em alta durante as 3h00 de duração do filme.

 A crítica que aponto é ao facto da duração das cenas ser curta, acabando quase sempre com frases fortes, algo que me deu uma sensação de pouca autenticidade e quase como se estivesse a ver histórias de uma rede social em determinados momentos. 

No que concerne a aspectos técnicos, o filme é, naturalmente, um portento, com evidência para o som/música que ajudam a dar realce às emoções, quase que levando o espectador a uma viagem imersiva aos sentimentos de Oppenheimer.


Cylian Murphy, através de toda a sua expressividade mesmo quando está em silêncio, tem um desempenho competente como Oppenheimer. Todavia o destaque tem de ser dado a Robert Downey Jr., num papel vilanesco que contrasta em grande medida com os últimos papéis mais extrovertidos que tem protagonizado (Tony Starks e afins). Diz-se que esta performance pode-lhe valer a nomeação para um Oscar. O resto do elenco é também ele de luxo, nomeadamente Emily Blunt, Matt Damon, Kenneth Branagh, Rami Malek, entre outros. 

Onde Ver: Cinemas

Rating: 3,5/5

Fun Fact: Para manter a qualidade entre cenas a preto e branco e a cores, pela primeira vez foram filmadas cenas a preto e branco com câmaras IMAX desenvolvidas pela Kodak.

Aguentem-se então à bomboca que amanhã há mais!