quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

Destaques de 2021 - Uma espécie de Top 5



Estamos a chegar ao fim de mais um ano, altura ideal para fazer um pequeno balanço do que melhor se fez na sétima arte. Foi mais um ano afectado pela pandemia, com muitas estreias adiadas e projectos a ficar na gaveta. As plataformas de streaming mantiveram a tendência de crescimento, sendo responsáveis pela produção de um sem fim de filme e séries... Infelizmente quantidade não é qualidade, embora haja algumas excepções. Sem mais delongas, ficam os meus destaques de 2021 (considerando a data de estreia em Portugal):

1-Druk



2-Promising Young Woman




3-O Lobo Solitário




4-The Power of the Dog




5-Nomadland


Não sei se foram os melhores filmes de 2021, mas foram aqueles que mais me marcaram. Isto dos tops é como as vaginais, como diria a Dr. Ruth dos Remédios: cada um tem a sua e quem quiser dá-la, dá...


sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

Advento 2021 - Lista Final

Completado mais um calendário de advento (isto não foi uma maratona, foi um autêntico Iron Man), fiquem com a lista completa. 


  1.  American Gangster
  2. The Matrix
  3. Donnie Darko
  4. Sanjuro
  5. Se7en
  6. Tangerines
  7. Grave of the Fireflies
  8. Twelve Monkeys
  9. My Octopus Teacher
  10. The Power of The Dog
  11. Quo vadis, Aida?
  12. The Father
  13. Once Upon a Time in America
  14. Deadpool
  15. The Florida Project
  16. Spring, Summer, Fall, Winter and...Spring
  17. O Filme do Bruno Aleixo
  18. Mystic River
  19. Soul
  20. Full Metal Jacket
  21. E.T.
  22. Anatomy of a Murder
  23. Onward
  24. Lost in Translation
  25. Tokyo Godfathers
  26. Love Actually
  27. Hachi: A Dog's Tale


quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

Advento 2021 - Hachi: A Dog’s Tale (2009) - 27/27

Chega ao fim mais um calendário de advento, mas antes ainda há mais um filme para destacar/sugerir, Hachi: A Dog’s Tale (2009) de Lasse Hallstrom. Como é véspera de Natal, resolvi jogar pelo seguro e optar por um filme familiar. É um filme patrocinado pela clinex, dada a facilidade com que mete a malta a chorar.




Hoje em dia os animais de estimação assumem um papel cada vez mais de destaque nas sociedades ocidentais, em muitas famílias quase que fazem parte do agregado familiar. São também para muita gente fiéis amigos e para alguns a única companhia. Considerando este aspeto, é natural que um filme como Hachi entre com facilidade na maior parte dos corações de quem o vê. A história é a de uma adoção de um cachorrinho que se encontrava perdido numa estação de comboio, por parte do Professor Parker Wilson (Richard Gere). Os dois desenvolvem uma cumplicidade para além do esperado. Fica este cheirinho da narrativa. Não avanço mais, para não fazer spoil, apesar do filme já ter uns anitos (em anos de cão deve ter uns 77). O que posso avançar é que se trata de um filme baseado na história verídica de Hachico (um cão de raça Akita), ocorrida no Japão entre os anos 20 e 30.




Fun Fact: O Papel de Hachiko é desempenhado por 3 cães no filme: Chico, Layla e Forrest.

Advento 2021 - Love Actually (2003) - 26/27

O Natal é tão confortável e aconchegante porque é feito de clichês. Sabemos que vamos encontrar na mesa o bom velho bacalhau, filhós e bolo rei (já estou naquela idade de transição em que se começa a gostar de bolo rei, até a fruta cristalizada marcha). Reencontramos familiares e amigos, alguns que só vemos nesta data. E na televisão passam sempre os mesmos filmes, Sozinho em Casa, o Shreck ou até mesmo o Amor Acontece.


O Amor Acontece faz parte daquele grupo de filmes cuja ação se passa no Natal, tipicamente com uma narrativa romântica fraquita, em que tudo acabava bem, após a travessia de um mar de coincidências sem fim. Estes filmes são os ideias para o Natal, pois não requerem muita destreza mental para acompanhar a história e bem sabemos que nestes dias há muitas distrações – a canalha a fazer barulho em casa, um copito a mais…

Dentro deste grupo de filmes, resolvi escolher o Amor Acontece por ser dos mais conhecidos deste género e, claro, por contar com uma participação tuga, carago! (carago, não, carago). Refiro-me a Lúcia Moniz, o par romântico de Colin Firth. Lúcia Moniz faz o papel de uma portuguesa - Aurélia -  que se apaixona por um escritor Inglês. A Aurélia não sabe falar Inglês e os dois comunicam essencialmente por gestos, mas a chama lá se acende. A dada altura do filme aparece a família e os amigos portugueses de Aurélia e é interessante constatar que em 2003, o mundo (ou pelo menos o realizador e argumentista Richard Curtis) ainda achava que todos os portugueses tinham bigode (homens e mulheres).

Fun Fact:  Kris Marshall devolveu o seu salário pela cena em que três raparigas americanas o despem. Afirmou que se divertiu tanto com os 21 takes, que se sentiu no dever de fazer a cena de graça. (ai o maroto…)


quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

Advento - 2021 - Tokyo Godfathers (2003) - 25/27

Depois de Lost in Translation vou permanecer no Japão para sugerir Tokyo Godfathers - uma animação de bem ao estilo nipónico de Sotoshi Kon (falecido em 2010), criador de Paprika e Perfect Blue, dois dos seus títulos mais aclamados. Para fazer este filme, Kon inspirou-se em 3 Godfathers de John Ford.  

Tokyo Godfathers é no fundo um conto natalício moderno. Passa-se em Tóquio, durante a véspera de Natal, onde três amigos sem abrigo – um miudita, um travesti e um vagabundo de meia-idade – encontram no meio do lixo uma recém-nascida, Hana. O travesti, que sempre sonhou em ser mãe, convence os outros dois sem abrigo a cuidar do bebé naquela noite. No dia seguinte, iniciam uma saga cheia de peripécias em busca dos pais da criança (Mas quem será? eu sei lá, sei lá…).

É um filme em que acontece a magia do Natal, mesmo que os protagonistas sejam os menos ortodoxos. Afinal, o amor não é faculdade exclusiva dos abastados ou de quem tem uma vida normal. Até diria que é maior quando resulta de atos de quem tem pouco e partilha o nada que tem.

Fun Fact: O número 12-25 (dia de Natal) aparece várias vezes ao longo do filme. Por exemplo, pode-se ver na conta de um táxi (12,250 ienes), na sua matrícula ou mesmo num relógio/alarme.

P.S.: Disponível na Netflix

Advento 2021 - Lost in Translation (2003) - 24/27

Lost in Translation é provavelmente o filme de maior sucesso de Sofia Coppola e é essencialmente um filme que navega nas águas da nostalgia. E há sentimento mais natalício do que a nostalgia (a seguir à gula, obviamente)?

Bill Murray é Bob Harris, uma estrela de cinema americana, que se encontra sozinho em Tóquio para gravar reclames a Whiskeys (o meu emprego de sonho) e fazer outras promoções publicitárias. É um homem de meia idade e alguém que está habituado a viajar sozinho, embora seja notório que começa a ficar farto dessas andanças. Scarlett Joahnsson é Charlotte, uma jovem recentemente graduada, que veio para Tóquio “arrastada” pelo marido, um fotógrafo que se encontra no Japão em trabalho e que a deixa muito tempo sozinha. Charlotte sem grande ocupação, começa a sentir-se vazia e aborrecida.

Bob e Charlotte estão alojados no mesmo hotel e aos poucos aproximam-se. No fundo estão ambos sozinhos num sítio estranho. E passam algum tempo juntos, partilhando a sua experiência de vida, enquanto tentam adaptar-se à cultura japonesa, bem diferente e até exótica aos olhos de um ocidental – nesta parte há vários momentos cómicos, originados pelo choque cultural. Um dos mais marcantes é quando vão ao Karaoke.


Julgo que Sofia Coppola não podia ter encontrado dois atores que conseguissem aportar tanta melancolia apenas com a sua presença. Além do seu óptimo desempenho, tanto Bill como Scarlett têm um triste semblante natural, que dá credibilidade ao sentimento que a realizadora quer transmitir com este filme.

Fun Fact: Sofia Coppola revelou que escreveu o papel principal especificamente para Bill Murray e que não teria feito o filme, se ele tivesse recusado.  

PS: Disponível na Netflix até dia 31 de Dezembro.


terça-feira, 21 de dezembro de 2021

Advento 2021 - Onward (2020) - 23/27

Já estamos na semana de Natal, por isso é hora de dar espaço a algumas sugestões mais familiares. Assim, resolvi recorrer mais uma vez ao portefólio da Disney /Pixar. Depois de sugerir Soul, resolvi incluir neste calendário um filme que teve o azar de ter estreado no mesmo ano - Onward. Azar, porque é um óptimo desenho animado e merecia ter tido mais destaque.  


Vou ser muito telegráfico. Quero apenas realçar o excelente trabalho da Pixar, desta feita com uma história decorrida num mundo de fantasia geek. Há de tudo: elfos, fadas motoqueiras, feiticeiros, leões voadores, etc. Mas há sobretudo aventura, emoção e humor. É uma obra daquelas para miúdos que os graúdos adoram ver.

Fun Fact: Algures no filme, aparece a icónica carrinha de pizas da Pixar - Pizza Planet.










Advento 2021 - Anatomy of a Murder (1959) - 22/27

Frederick Manion (Ben Gazzara), um soldado americano que lutou na guerra da Coreia, é acusado de ter assassinado Barney Quill, após este ter violado a sua mulher, Laura Manion (Lee Remick). A acusação do ministério público (destaque para George C. Scott) culpa Manion de assassinato a sangue frio e põe em causa a tese da violação. Essa tese baseia-se por um lado na beleza de Laura e por outro no seu comportamento potencialmente promíscuo com outros homens. O advogado de defesa, Paul Biegler (James Stwart), aceita o caso, seguindo a premissa que as acções de Manion se podem ter ficado a dever a um momento de insanidade momentânea. Será esse o suporte do apelo à absolvição. O palco de batalha será o tribunal. Acusação e defesa usarão todo o argumentário à sua disposição para convencer o júri da inocência ou culpa de Sr. Manion.


O que torna diferente este filme de Otto Preminger em relação a outros filmes de julgamentos e disputa entre advogados é o facto de serem apresentado ao espectador não só os dois lados da história, mas também os detalhes formais que envolvem um processo/julgamento. Desde a relevância da chamada telefónica do acusado, passando pelo utilização de peritos como psiquiatras para atestar a condição do réu, para não falar da importância da escolha do juiz e, por fim, a forma como se apresenta a versão dos factos ao júri. Todos os aspectos contam e um passo em falso poderá virar o jogo a favor de qualquer um dos lados. Gostei bastante do realismo da exposição do processo e a credibilidade que os actores deram às personagens.  


Fun Fact: Este filme foi polémico à data, muito devido ao uso de expressões como "bitch", "contraceptive", "panties", "penetration", "rape", "slut" and "sperm". O pai de James Stewart ficou tão ofendido que chegou a adjetivar a obra de suja, apelando à sua não visualização.

Dark Fun Fact: James Stewart e Lee Remick faleceram em anos diferentes, mas no mesmo dia. Curiosamente é também o dia do meu aniversário, 2 de Julho. 

segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

Advento 2021 - E.T. The Extra-terrestrial (1982) - 21/27

Steven Spielberg, aniversariante na semana passada, estreou recentemente o seu primeiro musical, West Side Story. Aproveitando estes factos, resolvi recordar um dos filmes do realizador, E.T. The Extra-Terrestrial. Talvez seja mesmo o meu favorito e é sempre uma boa opção para ver em família, principalmente nestes dias de chuva e frio.

" E.T. Phone Home!" é uma frase que está encastrada na minha mente. Algo simples de explicar, quando era miúdo tinha uma gravação em VHS, que não raras vezes acabou por ser reproduzida no meu vídeo. É uma frase que me é de tal forma marcante, que sempre que vejo uma imagem do E.T. acabo por reproduzi-la, quase como se de um reflexo pavloviano se tratasse. Sim, tenho uma mente muito perturbada.


Mas E.T. é magia, emoção e aventura. A história centra-se num pequeno extraterrestre que é deixado para trás numa visita ao planeta Terra e que depois de andar perdido, encontra abrigo na casa de Elliott (Henry Thomas), miúdo que vive pacatamente com a sua família e com quem E.T. desenvolve uma ligação muito forte. Elliott, a sua irmã (Drew Barrymore) e os seus amigos conseguem, até determinada altura, esconder e proteger o pequeno E.T.dos “adultos”. Sim, dos adultos, pois se estes o descobrirem, seria preso e muito provavelmente alvo de experiências científicas. Os miúdos começam então a tentar ajudar E.T. a contactar a nave que acidentalmente o deixou para trás. Será que vão conseguir?

É daqueles filmes de lágrima fácil e uma obra familiar, brilhantemente criada por Spielberg. Nota alta também para a banda sonora a cargo de John Williams, na minha opinião é das melhores da história do cinema.


Fun Fact: Steven Spielberg filmou grande parte do filme ao nível de altura de uma criança para destacar a ligação entre Elliott e E.T..

domingo, 19 de dezembro de 2021

Advento 2021 - Full Metal Jacket (1987) - 20/27







Full Metal Jacket, obra de Kubrick sobre a guerra do Vietname (na verdade anti-guerra), é dos poucos filmes cujo título é tão poderoso em inglês como na sua tradução portuguesa, ainda por cima não sendo literal - Nascido para Matar. E de certa forma, até merecia dois títulos, porque a história apesar de sequencial, tem duas partes bem distintas. 



A primeira coincide com o momento da recruta de um pelotão de fuzileiros, constituído por jovens americanos de todas as raças e castas, que se preparam para entrar na guerra do Vietname. Na verdade preparam-se para algo que vai mudar as suas vidas para sempre. Na cena inicial, acima apresentada, pode-se assistir a estes aspirantes soldados que, com um ar inocente e jovial, rapam o cabelo. O que acaba por ser uma bela ilustração do que significa a preparação e a consequente ida para a guerra. A perda da inocência e o abandono momentâneo (ou às vezes definitivo) do quotidiano. A sua vida por alguns anos, tal como o seu cabelo, será rapada em nome de uma causa, que causa? Muitos destes jovens nunca souberam bem qual, mas foram em representação de uma bandeira, de uma pátria. 




Na recruta, os treinos, conduzidos por um austero (mas típico) Sargento Hartman (Lee Harmey, falecido em 2018), são agressivos com a finalidade de disciplinar estes jovens rapazes e prepará-los para cenários de conflito armado. No fundo o grande objectivo, além do treino militar, é arrancar à força estes jovens da adolescência e fazer deles homens disciplinados, até quando respiram. Neste pelotão destacam-se o anafado e pouco atlético, Leonard Lawrence (Vincent D'Onofrio), o que lhe valeu a atribuição do apelido de "Gomer Pyle" por parte de Hartman e J.T. Davis (Matthew Modine), praticamente o único amigo de Pyle e o palhacito do grupo, o que lhe valeu a alcunha de "Joker". Pyle após dificuldades iniciais encontra em Joker uma ajuda e consegue melhorar nos treinos e encontrar a sua vocação - o tiro sniper - em que se destaca dos demais. No entanto, depois de ter sido encontrado um Donut (artigo ilegal) nos pertences do Pyle, todo a sua unidade teve de pagar com exercícios físicos. Por causa desta situação, os restantes companheiros de pelotão passaram a odiar Pyle e este viu-se abandonado e excluído. Mergulhado num alheamento geral, a partir daqui a sua única obsessão passa a ser a sua sniper rifle, sentindo que esta arma é quase uma extensão natural do seu corpo. Até parece que ficou possuído pelo cântico que enaltece a importância da rifle (tradicional no exército americano), entoado a determinada altura do filme:



This is my rifle. There are many like it, but this one is mine.
My rifle is my best friend. It is my life. I must master it as I must master my life.
Without me, my rifle is useless. Without my rifle, I am useless. I must fire my rifle true. I must shoot straighter than my enemy who is trying to kill me. I must shoot him before he shoots me. I will. (*)

Esta primeira parte, para mim, contem dos melhores minutos da história do cinema que culminam numa cena climáx, cuja intensidade torna difícil a transição para a segunda parte, a guerra do Vietname propriamente dita. Não sendo mau cinema, a segunda parte não consegue atingir o patamar da primeira. Na minha opinião até fica ligeiramente abaixo de outros títulos da mesma década, Platoon, Apocalipse Now e The Deer Hunter, por exemplo). Todavia, a mensagem que passa também é clara, por muito e bom treino que um soldado tenha, nada prepara verdadeiramente um jovem/homem para uma guerra, muito menos quando esta não faz qualquer sentido.




Contudo, a qualidade da filmagem de Kubrick é inquestionável e transversal a todo o filme, mantendo como em outras das sua obras, os seus planos impecáveis e o seu movimento de câmara característico. É engraçado terminar este ciclo, com o primeiro filme que vi do realizador, há muitos anos numa sessão da RTP, ainda sem capacidade para perceber o que foi e o que implicou a Guerra do Vietname, mas já com a sensação de estar perante um grande filme. Felizmente, a minha opinião manteve-se ao longo dos anos, ainda mais depois de perceber o seu contexto histórico.


(*) Fun Fact: Na minha adolescência fui apreciador da banda de heavy metal Fear Factory e durante algum tempo, uma das músicas tinha uma passagem que me era familiar. Essa passagem vim a descobrir que era de Full Metal Jacket, precisamente a que referi anteriormente- #My Rifle is my best friend..." (a partir do 2min20seg). 
PS: Atenção esta música não deve estar ao alcance de crianças. 



sábado, 18 de dezembro de 2021

Advento 2021 - 19/27 - Soul (2020)

Falta um pouco de animação neste advento, por isso, apresento-vos um filme sobre a morte.... Vá é sobre a morte, mas de tétrico tem pouco. 




A Pixar conseguiu mais uma vez! Que maravilha é este Soul, um filme sobre alminhas e com muita alma. Um desenho animado para miúdos, médios e graúdos. Tem o condão incrível de tornar a morte em vida. Mas acima de tudo tem a capacidade de nos fazer pensar no que raio andamos a fazer neste mundo, principalmente quando só temos uma ficha para jogar. No entanto, não é um filme pesado para as crianças. Há fofura e humor que sobram para agradar a esse segmento.

Fun Fact: Curley (personagem que toca bateria numa banda Jazz) veste uma t-shirt que diz "classic & free & fusion & modal &bebop" - são todas as formas de Jazz.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

Advento 2021 - 18/27 - Mystic River (2003)

O filme começa com um momento marcante - três jovens amigos (Jimmy Markum, Sean Devine e Dave Boyle) brincavam nas ruas da cidade de Boston. Enquanto inscreviam o seu nome em cimento fresco, foram abordados por desconhecidos. Estes desconhecidos apresentaram-se como polícias aos rapazes e conseguiram convencer Dave a seguir com eles no carro. Todavia, estes desconhecidos eram molestadores de crianças e agrediram sexualmente o rapaz que raptaram, até ao momento em que este conseguiu escapar passados 4 dias. No entanto, o trauma nunca haveria de desaparecer.

Anos passaram e estes 3 amigos seguiram caminhos diferentes, até ao momento em que a filha de Jimmy (Sean Penn) aparece morta. Por coincidência (nos bons filmes não há coincidências), o agente policial designado para investigar o crime foi Sean Devine (Kevin Bacon), que identifica alguns suspeitos, entre eles, Dave Boyle (Tim Robbins) à primeira vista uma pessoa inofensiva, mas ainda marcado pelos abusos da sua juventude. Esta é a base de uma história de vidas entrelaçadas com o Mystic River (rio de Boston) como pano de fundo.



É uma obra que muita gente não gosta por ter pouca acção para um filme policial (se querem acção e futilidade vão ver Michael Bay, pá...). Na minha opinião este filme é muito mais do que um policial. É uma história que retrata a importância e a influencia que alguns momentos da infância e juventude podem ter na vida adulta. Há traumas que nunca se apagam, há laços que nunca se quebram.


Sean Penn e Tim Robbins (o condenado de Shawshank) ganharam os óscares de melhor actor e melhor actor secundário desse ano, algo merecido pelo brilhante desempenho de todo elenco.


Por fim gostaria de falar da opção de Eastwood de gravar em Boston, em vez de seguir a opção dos produtores que era filmar no Canadá para poupar dinheiro. Esta escolha revelou-se acertada, o ambiente de Boston trouxe realismo à narrativa.

Fun Fact: Com o objetivo de se preparar para o seu papel de polícia, Kevin Bacon trabalhou numa esquadra em Massachusetts (um nome que nunca sei dizer em condições, irra). 

quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

Advento 2021 - 17/27 - O FIlme do Bruno Aleixo (2019)

Hoje é um dia triste para o entretenimento português, faleceu Rogério Samora, um ator conhecido pelas suas participações no teatro, televisão e cinema. Conseguindo a difícil proeza de ser muito bom em qualquer palco. Destaco o seu trabalho nas dobragens, por ter crescido com algumas das personagens a que deu vida, nomeadamente: 

- Scar no Rei Leão, o primeiro filme que vi no cinema e onde para muitos a dobragem de Rogério Samora supera a de Jeremy Irons


- Vinnie/Limburger nos Motoratos de Marte, série que passava na Sic e que eu adorava quando era miúdo, muito pela qualidade da dobragem (do nível de chalupice da do Dragon Ball). Também tinha um merchandising de altíssima qualidade. Toda a garotada queria ter as motas de brincar, principalmente a do Vinnie.


Por fim, venho destacar o último filme (estreado) com a participação de Rogério Samora, O Filme do Bruno Aleixo. Ainda existem mais dois em pós-produção que aguardo com atenção, a saber: Sombras Brancas e Amadeo.


No Filme do Aleixo, Samora interpretou o papel de Homem do Bussaco - personagem rude do campo, com mais pêlo do que o Tony Ramos, com uma personalidade calma como o mar da Nazaré e que reside na serra do buçaco onde os franceses levaram forte e feio na boca

O Aleixo é uma personagem humorística criada por João Moreira e Pedro Santo e talvez tenha sido o primeiro conteúdo português criado exclusivamente para o Youtube com algum sucesso (Conselhos que vos Deixo, video abaixo). Tendo depois disso já tido séries televisivas, episódios na internet e já há alguns anos é presença regular na Antena 3 com diversas rubricas. Eu identifico-me com o boneco, pois tal como eu tem raízes na Bairrada e adora leitão.



Fun Fact: Grande parte das filmagens foram realizadas na Bairrada, nomeadamente Curia, Ancas e Mogofores. 

terça-feira, 14 de dezembro de 2021

Advento 2021 - 16/27 - Spring, Summer, Fall, Winter and... Spring (2003)

Estreado em 2003, Spring, Summer, Fall, Winter and Spring é o título de um filme Sul Coreano de Kim Ki-duk. A história é simples, um monge/mestre vive numa casa isolada, longe de tudo e perto do nada. Localizada no meio de um lago ladeado por uma paisagem idílica. Com o velho monge mora o seu jovem aprendiz e a narrativa acompanha a evolução etária de ambos. A ingenuidade da infância, a descoberta da adolescência, a firmeza da juventude, a experiência da maioridade e a decadência da velhice estão retratadas de forma nua e crua, num ciclo que se parece repetir. Se repararmos no título com atenção, ficamos logo com a sensação que estamos perante alguma sequência circular. 




É um filme difícil de descrever, tem uma fotografia tão hipnotizante que todas as palavras são ligeiras para fazer jus às imagens. Quanto ao elenco, vou destacar Oh Yeong-su. E vocês, quem?  Pelo nome não vão lá... Neste filme faz de monge, mas se eu disser que é o concorrente 001 do Squid Game, se calhar já lá chegam... 




Fun Fact: Não arranjei nenhum melhor do que o Monge ser o velhote do Squid Game...

segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

Advento 2021 - 15/27 - The Florida Project (2017)

The Florida Project é um filme que retrata o outro lado da América, o lado dos motéis e da pobreza escondida (não pobreza extrema, mas pobreza). Na verdade, ao longo dos últimos anos a degradação da classe média americana, deu lugar a cada vez mais remediados. Pessoas que não vivem em casa própria, que vivem em motéis baratos, rolotes e ou num parque de campismo e muitas vezes subsidiodependentes. Realidade também retratada de certa forma em Nomadland, o vencedor do Oscar para melhor filme nesta última edição. Neste filme, passado em Orlando na Florida, é interessante ver esta realidade a existir paredes meias com outra, a da magia da Disney World. 

Em Florida Project, temos miúdos reguilas, uma mãe meia destrambelhada (Bria Vinaite) e um bondoso e paciente gerente de Motel (Williem Dafoe). O Realizador   Sean Baker acertou no tom da história e a fotografia colorida (o motel é meio rosa choque) , tem um interessante contraste com a vida meio desregulada das personagens.

Fun Fact: The Florida Project foi o nome dado à fase de desenvolvimento da Disney World. 

domingo, 12 de dezembro de 2021

Advento 2021 - 14/27 - Deadpool (2016/18)

Um dos maiores insucessos dos filmes da DC foi sem dúvida nenhuma Green Lantern de 2011. Não agradou nem à crítica nem aos espectadores. Foi tão mauzinho que a candeia se apagou e não se voltou a acender, tendo o herói sido obliterado do universo extendido da DC. Todavia, nem tudo foi mau, pelo menos para o Ryan Reynolds. Perdeu-se um mau Green Lantern, mas ganhou-se um óptimo Deadpool. Julgo que precisa de poucas apresentações este super-herói gozão que traja de vermelho e usa duas espadas de samurai.


A primeira aparição ocorreu em X-Men: Origens Wolverine, tendo Ryan Reynolds e a personagem Deadpool sido criticados por se afastarem da BD. Mas em 2016, o realizador Tim Miller aprimorou a personagem e o primeiro filme deste super-herói em nome próprio, tornou-se num enorme sucesso, mesmo entre o público que não é apreciador de filmes de Super-Heróis. Para tal contribuiu o excelente humor do filme, sempre com as punch lines nos momentos certos. Reynolds acabou por assentar como uma luva no papel, com aquele ar meio trocista que tem naturalmente.


É uma personagem que parece ter vindo para ficar.  Em 2018 estreou Deadpool II e também já está confirmado um terceiro filme para 2022.  Assim, enquanto não sai o terceiro, fica sugestão de visionamento dos dois primeiros Deadpuis (obviamente o plural de Deadpool).

Fun Fact: Durante a rodagem do filme Ryan Reynolds visitou crianças doentes através da fundação Make-A-Wish mascarado de Deadpool. 


sábado, 11 de dezembro de 2021

Advento 2021 - 13/27 - Once Upon a Time in America (1984)

Era uma vez na América… a derradeira obra de Sergio Leone, realizador que dispensa apresentações, centra-se na história de quatro amigos judeus, parceiros inseparáveis, principalmente no crime. São eles: Noodles, Max, Patsy e Cockeye.

A ação, apresentada através de trechos não sequencias, passa-se em três épocas distintas - 1910, 1933 e 1967. E permite acompanhar a vida das personagens nas suas várias fases: i) a idade da inocência, da criação dos laços de amizade, das brincadeiras, dos primeiros amores e da iniciação no mundo do crime; ii) a idade do vigor, dos testes à amizade, das tensões amorosas e das grandes golpadas e iii) a idade da memória, a única que coisa que resta, laivos do que uma vez foram e sombras do que podiam ter sido. Há que louvar de forma transversal, a performance dos atores, quer os que desempenham os papéis dos miúdos, quer os que fazem de graúdos, emprestando os tons certos em cada momento. Então Robert De Niro como Noodels e James Woods como Max – as duas personagens centrais - são fenomenais.

Esta obra, com uma excelente fotografia (icónica a imagem acima), tem como pano de fundo Nova Iorque - cidade que assume quase um papel de uma personagem, uma vez que também se transforma e evolui como um ser vivo, como os protagonistas da história.

Nota final para a banda sonora de (g)Ennio Moriconne, o parceiro de sempre de Leone, dá a este filme o embrulho perfeito, com uma série de músicas que envolvem emocionalmente o espectador com as personagens. Sempre que ouço esta banda sonora, fico a assobiá-la durante dias e às vezes noites (julgo já a ter ressonado...).

Fun Fact: Este filme foi um fracasso de bilheteira, tendo obtido uma receita de apenas $5m vs. um orçament de $30m. 


sexta-feira, 10 de dezembro de 2021

Advento 2021 - 12/27 - The Father (2020)

O Pai tem memória... No entanto tem a memória passada presente e a presente passada...




Nada fica na cabeça e a viajem é sempre a mesma.. A de ida... Apenas se aguarda a chegada ao derradeiro apeadeiro. A filha, a querida filha, a cada encontro menos reconhecida é... Mas a vida continua. Tem de continuar, em Paris ou noutro lugar. O amor paterno não se perde, mas ao contrário do que se diz, a loucura pode ser contagiosa. A vida tem de continuar...



Excelentes desempenhos de Anthony Hopkins - vencedor do Oscar para melhor ator - e de Olivia Coleman, neste filme de Florian Zeller sobre a demência na velhice e na dificuldade de lidar com este tipo de doenças. O realizador coloca-nos na perspectiva do idoso demente (Hopkins), algo que nos permite sentir pelo que passa alguém que esta a ficar louco, mas que acha que o mundo inteiro conspira contra si próprio. É um filme sem aparato, mas que não desilude

Curiosamente, o argumento foi primeiramente adaptado ao teatro, tendo inclusivamente sido representada em Portugal em 2017 no Teatro Aberto, onde o papel de Pai foi interpretado por João Perry. 



Fun Fact: A dada altura no filme, Anthony (o Pai) refere que nasceu no dia 31 de Dezembro de 1937, que na realidade é a data de nascimento de Anthony Hopkins (sim, o nome da personagem também é Anthony). O realizador justificou que apenas Anthony Hopkins poderia desempenhar este papel, tendo ficado radiante quando o veterano actor aceitou participar no filme. 

quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

Advento 2021 - 11/27 - Quo Vadis, Aida? (2020)

" Quo Vadis, Aida?" - o que é que isto quer dizer? Não sei, fui procurar e em Bósnio significa "O que estás a fazer, Aida?", mas em Latim quer dizer "Onde vais, Aida?" Na verdade, qualquer um dos significados se adapta aos vários estados de alma que a personagem desta história atravessa. 



Aida é uma tradutora Bósnia que trabalha para a ONU, aquando dos ataques Sérvios na cidade de Srebrenica - Local onde ocorreu um violento massacre, cerca de 8 mil bósnios muçulmanos perderam a vida.  Apesar de ter uma posição privilegiada e acesso à protecção da ONU, Aida sente-se impotente. Nas negociações em que participa percebe que a situação vai agravar-se, tentando fazer os possíveis para pôr em segurança a família e o máximo de pessoas possível. O seu papel como tradutora é essencial, pois qualquer palavra em falso poderá ter consequências indesejáveis. 



Realizado por Jasmila Zbanic, Quo Vadis, Aida? é um filme de guerra não convencional, pois não se centra no campo de batalha, mas antes nos efeitos colaterais que um conflito pode ter numa dada população. Outro ângulo interessante que o filme apresenta é o do retrato da personagem principal - Aida - que poucos anos antes era apenas uma pacata professora e que de repente se vê a assumir um papel fulcral no destino de milhares de pessoas. 

Recomendo vivamente! É uma obra muito sóbria, com excelentes atores e um bom exemplar do cinema europeu, tendo chegado a receber uma nomeação para Oscar de melhor filme estrangeiro.

Fun Fact: Jasna Djuricic, a atriz que veste a pele de Aida é esposa de Boris Isakovic, ator que dá vida ao General Mladic. É habitual o casal participar nos mesmos filmes e peças de teatro, mas neste caso não contracenam uma única vez.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

Advento 2021 - 9/27 - My Octopus Teacher (2020)

Um bom calendário de advento deve ser pautado pela diversidade da oferta e já fazia falta um documentário para variar um bocadinho. No ano que passou, aquele que me ficou mais na retina foi o vencedor do Oscar para melhor documentário, My Octopus Teacher - obra que retrata a relação diária entre um humano (Craig Foster) e um polvo. Julgo ser praticamente impossível alguém não ficar fascinado com as imagens que registam, ao longo de vários meses, os laços criados entre os dois.


Para mim, o mais interessante é a possibilidade de observação do instinto de sobrevivência de um animal selvagem no seu estado mais puro. Por um lado, a forma como captura as suas presas, preparando armadilhas, por outro a astúcia que tem de ter para escapar aos seus predadores. Nunca pensei que um polvo fosse o derradeiro mestre do disfarce. Mais! Um verdadeiro ninja dos oceanos, ouso dizer.


A minha nota final serve para realçar a excelente fotografia, nomeadamente a clareza das imagens e a vivacidade das cores debaixo de água. 

Adoro polvo à lagareiro ou arroz de polvo, mas depois de ver isto julgo que vou estar umas temporadas sem comer.

Fun Fact: Um polvo em estado selvagem costuma viver entre 1 a 3 anos.

Está disponível na Netflix.

terça-feira, 7 de dezembro de 2021

Advento 2021 - 8/27 - Twelve Monkeys (1995)

O fim ou o início da macacada chegou em forma de vírus/doença que dizimou quase a totalidade da espécie humana (e não foi o Corona). Os poucos sobreviventes habitam o subsolo, pois à superfície existe o risco de contrair a doença. Com o objetivo de obter amostras do vírus e assim desenvolver uma cura, cientistas enviam voluntários ao passado, mais precisamente para o ano de 1996, ano em que começou a pandemia. Contudo algo corre mal com Cole (Bruce Willis), um dos voluntários, que vai parar a 1990. Momento em que conhece Jeffrey Goines (Brad Pitt), um doente mental com uma atitude muito reacionária.



É um bom filme de ficção científica, realizado por Terry Gilliam que obteve inspiração na curta La Jetée (1962) de Chris Maker. Na altura, obteve uma boa recepção por parte da crítica, tendo sido também um enorme sucesso de bilheteira. Grande destaque para Brad Pitt que, no papel do alucinado Jeffrey, foi nomeado para um Óscar.


Nestes tempos de corona vírus, tendo em conta a temática, poderá não ser o filme mais apetecível para a maioria dos espetadores. No entanto, poderá ser visto doutro prisma: já houve pandemias piores, pelo menos no cinema….ah….fraco consolo.


Fun Fact: O realizador Terry Gilliam entregou a Bruce Willis uma lista de “Willis’ acting clichês” para o ator evitar durante o filme, incluindo o “steely blue eyes look”.



segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

Advento 2021 - 7/27 - Grave of the Fireflies (1988)

Na Segunda Guerra Mundial grandes atrocidades foram cometidas e demasiadas vidas inocentes foram perdidas. Só Japoneses terão morrido mais de 2,4 milhões, grande parte na fase final da Guerra. Desses 2,4 milhões, estima-se que 2 milhões fossem soldados e 400 mil civis. A maioria dos civis foram vítimas de bombardeamentos, com destaque para Hiroshima e Nagasaki por razões óbvias. Mas também Tóquio e outras localizações foram frequentemente alvo de ataques aéreos. Neste cenário, decorre a história do filme que vos trago, Grave of the Fireflies (1988).


Debaixo de constantes bombardeamentos americanos e após a morte dos seus pais, Seita e Setsuko lutam para escapar às bombas e à fome. O curso da história obriga-os a crescer rápido e a perder a inocência. Mas a crueza da guerra, poderá ser demasiado agreste para estes dois pirilampos, ainda tão frágeis e sozinhos em tempo de escuridão.

Apesar de ser de animação, Grave of the Fireflies é um filme duro de se ver. É também uma história de contrastes, entre as barbaridades da guerra e a ternura destes dois irmãos, que apesar das circunstâncias não perdem à vontade de brincar e ser crianças. 


Esta obra tem o cunho de Isao Takahata, um dos cofundadores dos Estúdios Ghibli juntamente com Hayao Miyazaki  - essa máquina de produção de desenhos animados de grande qualidade, histórias para crianças adultas e quase sempre com a presença de elementos fantásticos.

Fun Fact: O realizador Isao Takahata foi um sobrevivente ele próprio de bombardeamentos.

domingo, 5 de dezembro de 2021

Advento 2021 - 6/27 - Tangerines (2013)

Não é a primeira vez que uns citrinos assumem um papel preponderante no cinema. Recordo o primeiro filme da saga do Padrinho, em que a presença de laranjas no cenário, indiciava a possibilidade de algo de mau vir a ocorrer.
Em Tangerines, existem tangerinas, muitas tangerinas. Tangerinas que têm de ser colhidas por Margus com a ajuda do seu vizinho Ivo. E quem são? São dois dos últimos Estónios que ainda permanecem no Cáucaso, durante o eclodir na região de um conflito entre Georgianos e mercenários de vários pontos da Ex-URSS, incluindo Chechenos. Margus assim que colher e vender as Tangerinas irá regressar à Estónia. Já Ivo parece que tem algo que o prende aquele lugar rural e perfeitamente recôndito.


O dia que mais se temia chega! O conflito bate literalmente à porta de Ivo e Margus. Uma pequena escaramuça entre oponentes bélicos, resulta numa série de mortos, escapando gravemente feridos, Ahmed do lado dos Chechenos e Nika do lado dos Georgianos. Num gesto de tremendo humanismo, Ivo trata e acolhe na sua própria casa estes dois homens, cujas diferenças são tão grandes como o ódio entre as suas facções. O que irá acontecer quando acordarem?

A obra do realizador Zaza Urushadze é um verdadeiro tratado anti-guerra, levantando várias questões interessantes. Nomeadamente e através da personagem Ivo, são explorados os motivos, por vezes irrelevantes, que levam os homens a entrar num conflito armado. A guerra pode ser uma máquina destruidora de jovens, muitos deles participantes a troco de algumas patacas. A igualdade entre os homens, podemos ter religiões e culturas diferentes, mas o material de que somos feitos é o mesmo, carne e osso. Então porque é que há tanta intolerância?


Recomendo vivamente este título, que foi o primeiro da Estónia a ser nomeado a um Oscar. É 1h20m de bom cinema com boa fotografia, atores interessantes e uma uma história emocionante.

Fun Fact: O papel do checheno Ahmed é desempenhado por um actor georgiano.