Após o primeiro post, resolvi orientar a rubrica "Filme da Semana" no sentido de fazer um post por semana, mas debaixo de um chapéu temático mensal. Ou seja, em cada mês haverá um tema - Janeiro será dedicado a filmes não falados em inglês. Depois do alemão, do coreano, do francês e do espanhol, esta semana as línguas são várias, recaindo a sugestão sobre um filme falado em Russo, Georgiano e Estónio... segundo dizem porque não consigo decifrar.
sábado, 30 de janeiro de 2021
5# Filme da Semana - Tangerines (2013)
sábado, 23 de janeiro de 2021
4# Filme da Semana - The Skin I Live In (2011)
Após o primeiro post, resolvi orientar a rubrica "Filme da Semana" no sentido de fazer um post por semana, mas debaixo de um chapéu temático mensal. Ou seja, em cada mês haverá um tema - Janeiro será dedicado a filmes não falados em inglês. Depois do alemão, do coreano e do francês, esta semana a sugestão recai sobre um filme falado em espanhol.
Como ao longo da sua carreira, Almodóvar apresenta uma obra visualmente muito interessante, com aspectos cénicos verdadeiramente notáveis. Banderas e Anaya desempenham de forma competente os papeis centrais desta trama. E quanto à história, considero que tem falhas e aspectos que não ficam bem resolvidos, todavia, a sequência da narrativa está bem construída numa constante espiral de voltas e reviravoltas.
domingo, 17 de janeiro de 2021
3# Filme da Semana - J' Accuse (2019)
O polémico Polanski continua a presentear-nos com cinema de grande qualidade, J' Accuse (Jacuzzi, se for um alentejano a dizer), estreado no ano passado, é prova disso mesmo.
J' Accuse deve o seu titulo ao artigo de Emile Zola, publicado em 1898 sob forma de carta ao Presidente da República Francesa. Neste artigo é denunciada a conspiração e a corrupção do sistema militar no caso Dreyfus - caso em que o judeu Alfred Dreyfus, um promissor oficial do exército francês, é acusado de traição à pátria, por alegadamente passar informações ao inimigo alemão e, na sequência, condenado em 1894 à prisão, na Ilha do Diabo.
A história do filme centra-se em Picquart (o artista Jean Dujardin), um oficial que assistiu ao processo humilhante de deposição de insígnias militares de Dreyfus e que haveria de ser, pouco depois, nomeado para comandar o departamento de inteligência do exército francês, precisamente o departamento que teria obtido as provas para condenar Dreyfus. Já no cargo, apercebe-se de várias inconsistências no caso Dreyfus, concluindo que se tratou de uma cabala com motivos de índole antissemita.
Assim, esta obra pode dividir-se em duas partes:
- Uma primeira em que Picquart junta as peças do puzzle do caso e tenta através de dedução lógica, entender o que realmente se passou no processo de investigação a Dreyfus. Neste segmento, o filme tem características que lembram o género policial;
- Uma segunda em que, contra toda a hieraquia militar, Picquart tenta provar a inocência de Dreyfus, culminando na sua colaboração com Zola na preparação do artigo J'Accuse. É emocionante acompanhar o patriotismo e as convicções que movem Picquart, num ambiente social hostil, a arriscar a sua posição para salvar um judeu inocente.
Além da excelência do trabalho de Polanski na escrita e realização, merece destaque a magnifica performance Jean Dujardin, que consegue oferecer o carisma necessário a uma personagem tão forte como Picquart.
Termino, recomendando o visionamento do filme, dada a sua qualidade cinematográfica e a mensagem que nos faz recordar que houve tempos na Europa, em que a intolerância se sobrepunha aos direitos humanos mais básicos.
sábado, 9 de janeiro de 2021
2# Filme da Semana - Burning (2018)
Após o primeiro post, resolvi orientar a rubrica "Filme da Semana" no sentido de fazer um post por semana, mas debaixo de um chapéu temático mensal. Ou seja, em cada mês haverá um tema - Janeiro será dedicado a filmes não falados em inglês. Na primeira semana foi sugerido o filme Good Bye, Lenin! (2003) de língua alemã. Nesta segunda semana, o filme apresentado será de língua coreana.
Burning (2018)
Nos últimos anos, a filmografia Sul Coreana tem tido cada vez mais notoriedade no panorama do cinema mundial. Prova disso é Parasitas - vencedor do Oscar para melhor filme em 2020 - uma obra interessante de Boon Joon-ho, que retrata a convivência e o choque entre mundos desiguais (pobres vs. ricos). Podia ser um retrato de um qualquer país relativamente desenvolvido neste mundo pós-globalização, mas neste caso, a narrativa decorre na Coreia do Sul.
Um ano antes de Parasitas, Burning (PT: Em Chamas) realizado por Chang-dong Lee, foi outro filme que mereceu destaque nos festivais internacionais de cinema. Nomeadamente em Cannes, onde ganhou um dos prémios em concurso e obteve uma boa recepção por parte da crítica.
Baseado num conto de Haruki Murakami (sim, o escritor nipónico), Burning é um drama psicológico que se desenvolve em torno de Jong-su (Yoo Ah-In), um humilde jovem paquete que, por mero acaso, dá de caras com Shin Hae-mi (Jong-seo Jun), uma rapariga que não via há anos, mas que costumava morar no seu bairro. Jantam, talvez, encantam-se e na volta, Shin, de partida para África por algumas semanas, pede a Jong para lhe cuidar do gato. Gato esse que ao longo do filme não se percebe se existe ou não. Se existe tem muita personalidade....
Quando regressa, Shin apresenta a Jong, Ben (Steve Yeun) - um homem jovem tão rico como enigmático, nomeadamente devido a um hábito seu ( diria até necessidade?) bastante peculiar. Todavia, não posso desenvolver mais, vejam para perceber que costume é esse. Apenas posso adiantar que está com relacionado com labaredas!
Chang Dong-Lee oferece-nos um contraste entre estratos diferentes da sociedade, através de uma história estranha, misteriosa, até com algum non sense, mas ao mesmo tempo, cativante, muito cativante. Não é um filme para quem gosta de narrativas fechadas, pois acaba com algumas questões a pairar no ar e a remoer na cabeça de quem vê. Dois destaques positivos para terminar: excelente fotografia e boa performance por parte do elenco.
Fun Fact: Em Cannes, na nota que foi deixada à imprensa, o filme foi descrito como sendo "a dança que busca o sentido da vida".
domingo, 3 de janeiro de 2021
1# Filme da Semana - Good Bye, Lenin! (2003)
Ano novo, Rubrica Nova! Assim, este cantinho blogosférico dá início à rubrica "Filme da Semana", espaço, como o nome indica, em que irá ser proposto e analisado um filme por semana. Aceitam-se sugestões!
Good Bye, Lenin! (2003)
Para começar, decidi avançar para um filme alemão - Good Bye, Lenin! de Wolfgang Becker - talvez um título menos conhecido do público português, apesar de ter tido algum sucesso e uma boa recepção por parte da crítica a nível mundial. Aliás o cinema europeu, tirando alguns filmes franceses, tende a passar despercebido por cá.
Neste cenário, o jovem Alex (Daniel Bruhl) participa num protesto contra os comunistas e é preso. Tal acontecimento provoca um ataque cardíaco na sua mãe (Katrine Sab), uma acérrima defensora do regime, atirando-a para um coma profundo. Durante este seu estado, dá-se a queda do muro de Berlim e a Alemanha é reunificada.
Contra todas as probabilidades, a mãe acorda do seu sono profundo. Apesar de se encontrar num estado débil e amnésico, tem consciência. Com receio de novo ataque cardíaco, Alex tenta encobrir o facto do regime comunista ter caído e da Alemanha ser agora una. Algo extremamente complicado, uma vez que muitos dos produtos que existiam deixaram de ser produzidos, a rede de televisão passou a ser a ocidental e marcas conotadas com o capitalismo começaram a aparecer na parte leste, como por exemplo, a Coca-Cola.
É um filme dramático, emotivo, mas com momentos cómicos. É uma viagem interessante à Alemanha de Leste logo após a queda do muro de Berlim. De um momento para o outro, e de uma forma acelerada, este país passou do Comunismo para o Capitalismo.
Fun Fact: O argumento do filme é vagamente inspirado nos dois últimos anos de Lenin, que vivia num ambiente controlado, tal como a mãe do filme. Com a justificação de salvaguardar a saúde de Lenin, evitando que este contactasse com notícias sobre eventos que lhe podiam causar demasiada excitação, Stalin mandou criar uma edição alternativa do jornal fornecida a Lenin, onde todos os factos "sensíveis" eram simplesmente censurados.






