Ai onde eu estava quando estreou o Matrix.... Sei lá, era jovem e tinha sonhos. Mas lembro-me que em 1999, o pseudo-ataque do bug do milénio (ano 2000) punha algumas mentes inquietas. Julgo que a contribuir para essa inquietude, contribuiu o filme que vos trago hoje, The Matrix. Filme dos irmãos, ou hoje irmãs Wachowski, cuja história se passa num cenário em que as máquinas superaram a raça humana e dominam o planeta, fazendo dos humanos autênticas pilhas duracell...meras baterias.
Keanu Reeves é Neo e Neo é o the One. Programador de dia, hacker durante a noite, Neo é, segundo as profecias, o libertador da humanidade. Pelo menos assim acredita Morpheus (Laurence Fishburne) que tem como missão recrutar e treinar Neo. E mesmo neste mundo binário tinha de haver romance. E neste caso o romance veio embrulhado em Latex preto... não, não estou a falar de nada sadomaso, mas sim da bela e perigosa Trinity (Carrie-Ann Moss). Mas como uma boa história não se faz sem mauzões, aqui contamos com a presença do Agent Smith (Hugo Weaving), um programa de computador com pele de agente de FBI, que tem como objetivo eliminar a resistência e acabar com as esperanças depositadas em Neo.
The Matrix não se ficou pelos efeitos especiais inovadores (hoje obsoletos) e pela estética esverdeada (que adoro). Apresentou uma narrativa cheia de questões filosóficas ao estilo de Orwell (Big Brother is Watching You e não é o Cláudio Ramos), pouco habituais em filmes de acção. Há quem encontre referências a
Platão e à alegoria da caverna. Para mim o principal ponto é a dicotomia Blue Pill vs. Red Pill - Aceitar o Destino/Viver na Ilusão vs. Fazer o Destino/Viver na Realidade.
Destaque para o elenco e para as excelentes performances de todos o atores, nomeadamente para os secundários. Weaving, Moss, Fishburn e Pantoliano tiveram desempenhos extraordinários, algo que enriqueceu o filme,
Apesar de não ter adorado as sequelas, com a excepção do Animatrix, estou ansioso para ver a estreia no próximo mês do quarto filme da saga.
Fun Fact: A primeira cena do filme demorou 6 meses de treino e 4 dias de filmagem.
No ano passado, entre o confina-confina e volta a confinar, resolvi fazer um género de calendário de advento com algumas sugestões cinematográficas. Foi uma experiência interessante e uma boa forma de relembrar obras que, de alguma forma, me marcaram. Este ano renovo o desafio que fiz a mim mesmo, 27 dias, 27 filmes até à véspera de Natal. Procurarei intercalar grandes clássicos com títulos mais recentes.
American Gangster (2007)
Numa época em que Russel Crowe ainda não era balofo e fazia papéis com elevados níveis bad assismo, protagonizou, juntamente com Denzel Washinghton, American Gangster. Filme realizado pelo grande Ridley Scott e baseado numa história verídica, é um retrato interessante de Nova Iorque na passagem dos anos 60 para os anos 70, em que o crime pairava no ar e numa altura em a sociedade americana se encontrava assombrada pela guerra do Vietname.
Neste contexto, Denzel é Frank Lucas, antigo motorista de um mafioso, e que, a pulso, se torna ele próprio num Barão da Droga. Num daqueles casos em que o delfim ultrapassa o seu mentor. Lucas torna-se no verdadeiro mestre das marionetas: controla polícias através de subornos, tem acesso a droga pura vinda do Vietname, é implacável com opositores de outros gangues e mantém a família em posições da sua confiança. A sua organização é típica da máfia italiana, algo incomum nos gangues afro-americanos. Portanto, um mauzão, na fotografia abaixo até a pele é de lobo.
Richie Roberts (Russel Crowe) é o único que parece estar disposto a pôr-se no seu caminho. É daqueles polícias típicos destes filmes - incorruptíveis, impolutos, mas habitualmente divorciados e em luta pela custódia dos filhos. No entanto, a sua determinação é muita, será que vai conseguir bater o sistema corrompido e apanhar Lucas?
Como o nome indica, American Gangster é um filme de gangsters. Não tem perseguições, nem cenas continuadas de tiros, mas tem várias camadas e personagens com densidade. Não é perfeito e quem gosta de muita acção pode ficar desiludido. Mas para mim vê-lo não foi tempo perdido.
Fun Fact: Após ter visto o filme, o Rapper Jay-Z ficou tão impressionado que resolveu chamar ao seu Álbum seguinte, American Gangster.
Martin Scorsese faz nesta semana 78 anos, altura ideal para passar em revista 5 títulos do cineasta americano. Scorsese é daqueles nomes que dispensa apresentações e dos realizadores com uma das filmografias mais consistentes da história recente do cinema. Nasceu em Nova Iorque, descendente de sicilianos e a dada altura da sua vida pensou enveredar pelo sacerdócio. Curiosamente estes três elementos biográficos viriam a estar por várias vezes presentes na sua obra. Apesar de várias nomeações para os Oscars, apenas ganhou um - melhor realizador em The Departed (2007).
Após esta biografia resumida, passo a apresentar os 5 filmes que elegi para celebrar o seu aniversário. A escolha não é fácil, segundo o IMDb assisti a 23 dos seus filmes, tendo gostado da grande maioria.
1-Mean Streets (1973)
Segundo rezam as crónicas terá sido Brian de Palma a apresentar Robert De Niro a Martin Scorsese e foi em Mean Streets que a sua colaboração teve início. É verdade que a personagem principal é Charlie interpretado por Harvey Keitel (colega de curso de Scorsese), mas é a insanidade de Johnny Boy (De Niro) que prevalece neste filme. A história decorre no submundo nova iorquino, mais precisamente na Little Italy, estando presente sempre o triângulo Máfia (criminalidade), Família e Religião.
2-Taxi Driver (1976)
Sobre este filme apenas vou deixar duas citações.
Primeira:
Travis Bickle: Loneliness has followed me my whole life, everywhere. In bars, in cars, sidewalks, stores, everywhere. There's no escape. I'm God's lonely man.
Segunda:
Travis Bickle: [Travis is trying his guns on the mirror] Huh? Huh?
[Draws]
Travis Bickle: Faster than you, fucking son of a... Saw you coming you fucking... shitheel.
[Reholsters]
Travis Bickle: I'm standing here; you make the move. You make the move. It's your move...
[Draws]
Travis Bickle: Don't try it you fuck.
[Reholsters]
Travis Bickle: You talkin' to me? You talkin' to me? You talkin' to me? Then who the hell else are you talking... you talking to me? Well I'm the only one here. Who the fuck do you think you're talking to? Oh yeah? OK.
3-After Hours (1985)
What is the very worst night you ever had?
No dia de Aniversário do mestre Scorsese, fica parte do cartaz de um dos meus filmes favoritos.
4-The Departed (2007)
O enredo de The Departed leva-nos a Boston, numa época em que existe uma guerra aberta entre a polícia e o crime organizado. Nesta trama densa e tensa, um jogo de espiões começa a desenrolar-se. Frank Costello (Jack Nicholson) é o "padrinho" da máfia irlandesa, Colin Sullivan (Matt Damon), o infiltrado da máfia na polícia de Massachusetts e Billy Costigan (Leo DiCaprio), o infiltrado da polícia na máfia irlandesa. Portanto, ratazanas de ambos os lados à solta em gelo fino. Por um lado em busca de informações relevantes para as suas facções, mas por outro com receio de ver a sua carequinha descoberta e consequentemente um encontro antecipado com os anjinhos. A certa altura Frank Costello diz a Collin uma frase que pode resumir o sentimento que paira no ar: One of us had to die. With me, it tends to be the other guy.
Como um peixe na água, Scorcese assina com a sua mestria habitual este remake de WuJianDao ( filme de Hong Kong) sobre crime e gangsters. Neste caso atrevo-me dizer que o realizador elevou os níveis de tensão a um ponto jamais visto na sua filmografia. A fotografia é excelente e a banda sonora soberba - afinal não é todos os dias que um pedaço de cinema nos presenteia com trilhas intemporais como Comfortably Numb dos Pink Floyd.
Contudo, o trabalho de qualquer realizador fica facilitado quando tem ao seu dispor um elenco do calibre de The Departed. Leonardo DiCaprio, Matt Damon, Jack Nicholson, Mark Wahlberg, Martin Sheen, Vera Farmiga, Alec Baldwin encarnam, de forma sublime, personagens em constante dilema moral, patrocinando com o carisma certo a teia que é esta história.
Nomeado para 5 Oscars, The Departed viria a ganhar o Oscar de melhor filme na edição de 2007 sem surpresas, tendo suplantado títulos como Babel ou Letters de Iwo Jima (filme extraordinário de Clint Eastwood).
Fun Fact: Ao longo do filme, aquele palavrão (e derivados) que começa com a letra "F" é pronunciado por 238 vezes.
5-Silence (2016)
Termino a semana dedicada a Scorsese com Silence, um filme sobre os mistérios da fé dos homens. E que mistérios. Jesuítas atravessavam o mundo, e vários perigos, para espalhar uma palavra a quem a dicilmente a podia perceber.
Sei que muitos não gostaram, mas há algo neste silêncio de desconfortável, mas cativante.
Ferreira: There's a saying in here: "Mountains and rivers can be moved but men's nature cannot be moved".
4# 5 Noites / 5 Filmes - Noite das Bruxas (como se dizia quando eu era puto) Não acreditamos nelas, mas que as há, há. E as há, pelo menos num lugar. Nos filmes, pois claro.
Nesta altura do ano, o género de terror vem sempre à baila. E cada vez mais, principalmente após a absorção da tradição americana do Halloween em que miúdos (e graúdos) aproveitam para se caracterizar de acordo com personagens oriundos deste tipo de filme. Então nesta noite de mortos-vivos é só ver Jasons e Freddys a vaguear e a vadiar... Olha, ainda bem que está a chover.
Assim, como não sou dado a travessuras, diabruras ou doçuras (só se for doce de abóbora), fico-me pela sugestão de 5 Filmes de terror. Neste cardápio de fazer potenciais estragos na roupa interior, resolvi incluir adolescentes, Carpenter, Craven, algo realmente antigo e francês para dar requinte. E se há algo velho, um Peel(ing) é bom para contrapor(esta última foi forçada). Eis a lista:
1-Friday The 13th (1980)
2-Halloween (1978)
3-A Nightmare on Elm Street (1985)
4-Eyes without a Face (1960)
5-Get Out (2017)
1-Friday The 13th (1980)
Desde a última ceia, pelo menos, que o 13 é um número de má fama. Já a sexta-feira foi o dia da semana em que Jesus foi crucificado. Juntado os dois, sexta-feira e treze, estamos, em termos místicos, perante um cocktail de azar.
A acção deste filme decorre, naturalmente, numa Sexta-feira, dia treze. Num dia em que, alguns adolescentes se encontravam a trabalhar na reabertura de um campo de férias. Daqueles no meio de um bosque. Esse campo segundo os locais, era um lugar assombrado, onde já tinham morrido alguns jovens ao longo anos. Entre os quais, Jason, um garoto que morreu afogado num lago. Ou seja, ingredientes suficientes para aparecer um serial killer e desatar a matar adolescentes, um a um.
A história de sexta-feira treze tem pouco de extraordinário (para não dizer que é fraca) e do elenco apenas se conhece Kevin Bacon (ainda novato). No entanto, os efeitos práticos são muito interessantes, assim como a banda sonora, que apenas se ouve quando a câmara está no ponto de vista do assassino, criando um ambiente mais aterrador. Apesar de um orçamento modesto, o filme de Sean Cunningham foi um enorme sucesso de bilheteira e o início de um frachise com enorme longevidade.
2-Halloween (1978)
Quando se fala de filmes clássicos do género de terror, é impossível não nomear Holloween de John Carpenter como um dos principais títulos. É um filme, que apesar de conter alguns elementos datados, ainda hoje consegue arrepiar, da ponta pés às pontas dos cabelos o mais másculo dos estivadores.
A narrativa decorre, como o título deixa transparecer, na noite de bruxas e conta a história de Mike Myers, um jovem que havia sido encarcerado num hospital psiquiátrico por alegadamente ter assassinado a sua irmã ainda quando era criança. Mas nessa noite de Halloween consegue evadir-se para aterrorizar a sua cidade natal.
Apesar das cenas conterem algumas falhas evidentes (o orçamento era muito baixo), a gestão do suspense e a banda sonora (criada pelo próprio Carpenter) são tetricamente magistrais, conseguindo criar um habitat natural perfeito para a actuação de um serial killer.
3-A Nightmare on Elm Street (1985)
Elas nem sabem nem sonham, que o pesadelo comanda o fim da vida....
Pode-se resumir este filme de Wes Craven, a esta "versão" do poema de António Gedeão 😅
4-Eyes without a Face (1960)
Há filmes que sem sabermos porquê nos marcam. É o caso de Eyes Without a Face de Georges Franju.
O suspense e o mistério não atingem píncaros, mas um certo desconforto é permanente ao longo de todo o filme. Aliás, no meu caso permaneceu alguns dias após o seu visionamento. Digno de registo são os efeitos práticos, realmente muito avançados para a época.
A história é relativamente simples de contar. Um doutor maluco, quer ajudar a filha que tem a cara desfeita a voltar a ter feições de uma rapariga normal. Para tal, começa a raptar jovens para lhes roubar a pele facial e assim ter matéria-prima para realizar transplantes. Irá ter sucesso?
Não é para todos os gostos, mas para quem gosta de um terrorzito vale a pena.
Supostamente, John Carpenter um dia sugeriu que a máscara de Michael Myers foi inspirada na máscara usada por Edith Scob neste filme.
PS: Este filme lembrou-me o face/off - titulo de John Woo com Travolta e Nicolas Cage, em que as personagens trocam de cara através de uma cirurgia.
Fun Fact: Billy Idol inspirou-se neste filme para a criação do seu êxito musical, Eyes Without a Face
5-Get Out (2017)
Certamente foi um dos filmes com mais hype de 2017. Chegou a estar nomeado para o Oscar de melhor filme do ano, mas ficou-se “apenas” pelo Oscar para melhor argumento original – com esta vitória, o realizador e argumentista Jordan Peele tornou-se no primeiro Afro-Americano a ganhar esta categoria. Foi uma vitória interessante dado o contexto político e as questões raciais abordadas no filme.
A história é muito boa, apesar do final, na minha opinião, ser decepcionante.
Daniel Kaluuya no papel do fotógrafo Chris Washington teve o desempenho que lhe abriu portas à carreira de sucesso que tem hoje. E diga-se merecidamente, foi uma performance excepcional.
No time to Die é o último filme de 007 que conta com Daniel
Craig no papel de Bond, James Bond. E essencialmente por esse motivo, havia
muita expectativa para ver qual seria o desfecho da sua personagem, algo que obviamente
não vou revelar. Posso revelar sim, algumas impressões com que fiquei do filme.
O início é rasgadinho. Cenas de ação de cortar a respiração,
lutas e perseguições de carros loucas não faltam. Achei o tradicional genérico
visualmente e musicalmente (música de Billie Eylish) bastante bom. De seguida, Bond
segue para Cuba, momento alto do filme, muito graças ao desempenho de Ana de
Armas.
A partir daí o filme cai em entretenimento e sobe no tédio. Demora
até voltar a ganhar ritmo, o que torna a narrativa desequilibrada. No que toca
a vilões, Rami Malek assume a liderança como Lyutsifer Safin, papel que não lhe
assenta bem (talvez ainda tenha demasiado colado à minha mente o seu desempenho
como Freddy Mercury). Não consigo explicar, mas não lhe consigo ver malícia no
olhar.
Em traços gerais não foge muito aos cânones do Universo
Bondiano, estão lá o Aston Martin, as cenas de ação, Bond Girls, Gadgets, vilões
que querem dizimar a sociedade, etc. No entanto, para o Adeus de Daniel Craig
esperava mais e melhor.
Fun Fact: O realizador Cary Fuji Fukunaga foi o primeiro realizador americano a dirigir um filme (oficial) de James Bond.