domingo, 27 de agosto de 2023

Filmes de Verão - #6 - Arctic (2018)

Arctic (2018)

Como sabe bem um geladinho no Verão. Mesmo aqueles só de gelo ajudam a refrescar a alminha. Assim, vem mesmo a calhar uma sugestão de hoje... a de um filme cuja ação decorre totalmente no Polo Norte, com gelo a perder de vista (por enquanto) e uma imensidão de coisa nenhuma.



O papel que o próprio cenário gélido desempenha pode ter contribuído para que o título do filme de Joe Penna seja simplesmente Arctic. A história é bastante simples, Overgard (Mads Mikkelsen) é o único sobrevivente de um acidente de uma pequena aeronave. Para tentar escapar ao destino dos restantes tripulantes tem de lutar diariamente para se alimentar, sobreviver ao frio e aos ursos polares enquanto tenta desesperadamente entrar em contacto, via rádio, com alguma aeronave que passe a uma distância suficiente para receber o pedido de ajuda. Com o passar do tempo, o desespero e alguns contratempos vão esgotando a esperança de se salvar, até que...


Este filme acaba por ser como um gelado de baunilha, simples mas marcha bem. Para tal, contribui uma excelente performance de Mads Mikkelsen, pautada por uma grande amplitude de emoções, quase sempre entre a esperança e o desespero.


Rating: 3,5/5
Onde ver: Filmin
Fun Fact: O urso visto no filme é real. Feitas as contas ficava mais barato filmar do que o recurso a efeitos especiais.

sábado, 19 de agosto de 2023

Filmes de Verão - #5 - Dolemite is My Name

 Dolemite is My Name

O Verão pede saladas e filmes leves, assim a sugestão de hoje passa por um filme familiar, que dispõe bem, sem grandes complicações e bem humorado. Esse filme é Dolemite is my Name, filme realizado por Craig Brewer e protagonizado pelo “velhinho” Eddie Murphy - actor que parecia ter perdido o seu mojo mas que, inesperadamente, presenteia-nos com uma ótima performance, num papel que parece ter sido feito à sua medida.


A narrativa baseia-se em factos verídicos e gira em torno de Dolemite, alter ego de Rudy Ray Moore, um self-made man na área do entretimento que, contra todas as expectativas, consegue atingir todos ou quase todos os seus objetivos. É considerado por muitos um pioneiro na comédia e no Rap, tendo também participado e produzido vários filmes. A sua figura acaba por ser icónica, uma vez que usava roupas pouco convencionais muito ao estilo pimp (chulo), com adereços como chapéu e bengala.  

Não sei se a época balnear me torna mais condescendente, mas achei este filme inspirador. Fiquei com vontade de bater punho e ser empreendedor, no entanto, 5 minutos depois essa vontade já se tinha naturalmente esfumado. Destaco ainda a banda sonora e as participações bastante cómicas de Wesley Snipes e Snoop Dog (esse mesmo). Eis o trailer:


Onde Ver: Netflix

Rating: 3,5/5

Fun Fact: Eddie Murphy é um grande fã de Wesley Snipes e curiosamente este foi o primeiro filme em que contracenaram.


sexta-feira, 18 de agosto de 2023

Filmes de Verão - #4 - E sai um triplo!

 Stephen Curry: Underrated

A NBA é uma liga desportiva recheada de estrelas, estrelas essas que têm enormes legiões de fãs e, a maior parte delas, também enormes quantidades de detratores. No entanto, há um caso singular, por ter muitos fãs e poucos ou nenhuns difamadores (aka haters). Refiro-me a Stephen Curry dos Golden State Warriors. É um jogador desconcertante, não só pela sua capacidade ímpar de lançar e marcar triplos (a sua imagem de marca), mas também por ter uma capacidade de leitura de jogo invulgar e uma magia que lhe permite inventar jogadas verdadeiramente espetaculares. E é a sua qualidade de jogo, aliada ao facto de ser muito simpático, brincalhão, por vezes provocador, mas humilde, que o tornam um jogador apreciado por todos os amantes de basquetebol.


A sua carreira é recheada de sucessos. Já foi campeão quatro vezes, sempre pelos Warriors, recorde que não foi alcançado por muitos jogadores. Individualmente ganhou vários prémios, tendo numa ocasião sido considerado MVP (melhor jogador da temporada) por unanimidade, algo muito raro.

Todavia, ao contrário do que se possa pensar, Curry não teve um percurso nada fácil. Enquanto jovem era muito franzino e relativamente baixo, mesmo para a posição de base. E apesar de ter talento, não conseguiu convencer os olheiros das principais universidades americanas. Apenas conseguiu ser convidado por uma universidade menos conhecida, Davidson. Aí encontrou um treinador verdadeiramente inspirador, Bob McKillop, considerado pelo próprio Curry, um dos pilares para o seu sucesso e alguém de quem nunca se esquece de agradecer quando alcança algum título.

É precisamente sobre o período universitário de Curry que incide o documentário que vos proponho hoje, Stephen Curry Underrated. Sim, atualmente há documentários desportivos às pazadas e confesso-me um pouco enjoado do formato. No entanto, se há personagem desportiva gloriosa, cativante e que tinha uma boa história para ser contada, essa personagem é Stephen Curry.

Onde Ver: AppleTV

Rating: 3/5

Fun Fact: Bob McKillop foi treinador de basquetebol da Universidade de Davidson durante 33 anos.

 

quinta-feira, 17 de agosto de 2023

Filmes de Verão - #3 - Aqui há gatos!

Gato Preto, Gato Branco (1998)

Aqui há gato... aliás gatos, um preto e um branco, pelo menos no título e aqui ali no filme que vos proponho hoje: Gato Preto, Gato Branco de Emir Kusturica.

Kusturica atingiu o auge da sua carreira entre o início dos anos 80 e o final dos anos 90, com titulos como, When Father Goes away from Business (1985), Time of Gypsies (1989), Arizona Dream (1993), Underground (1995) e finalmente, Black Cat, White Cat (1998). Os seus filmes sao reconhecidos pela sua criatividade, caos, interacções étnicas e, claro, a música tradicional constante. Nos últimos anos assumiu algumas posições políticas controversas, com alguma aproximação a Putin, principalmente aquando da anexação da Crimeia.



Gato Preto, Gato Branco, comporta todos os elementos da cinemografia de Kusturica referidos anteriormente. A sua narrativa centra-se num grupo de ciganos que vive junto às margens do Danúbio, sobrevivendo de negociatas e esquemas que chegam a envolver casamentos arranjados para saldar dívidas entre famílias.


O filme tem um tom humorístico bastante vincado, aqui e ali um pouco pateta demais, mas que acaba por ser magnetizante dado o seu non sense. Por exemplo, frequentemente aparece um porco a comer peças de um carro abandonado. Destaque ainda para o retrato interessante que é dado de uma época e de uma europa mais desconhecida para os mais ocidentais. E por fim, a música tradicional/étnica, elemento fundamental e constante da obra do autor.



Onde ver: Filmin

Rating: 4/5

Fun Fact: Em vez do titulo escrito na introdução do filme, perece uma fotografia de um grato branco e de um gato preto.

Miauuu, amanhã talvez haja mais (estou com humores de gato). 

quarta-feira, 16 de agosto de 2023

Filmes de Verão - #2 - Wolfie Amadeusss Mozart

Muitas vezes é no verão que as pessoas têm mais tempo para ver filmes, quer seja por estarem de férias, quer pelo trabalho que acalma ou até mesmo porque outras atividades lúdicas são interrompidas. O mesmo acontece comigo e encontrando-me de férias resolvi lançar um desafio a mim mesmo: propor todos os dias até final de agosto, um filme por noite. As propostas serão feitas de forma telegráfica, procurando alternar entre géneros, antiguidade e plataforma de visualização (cinema, cabo, streaming, Dvd, Blue-Ray, Laser Disc, VHS, Betamax.... se calhar estou a exagerar, mas perceberam a ideia)

Amadeus (1984)

Estou longe de ser um especialista em música clássica, na verdade, em música no geral. Não sei tocar sequer o "Parabéns a Você" na flauta. No entanto, atrevo-me a dizer que Mozart terá sido dos maiores génios da história da música.

Houve uma altura em que resolvi estudar a ouvir música clássica e Mozart fazia parte das playlists habituais do género. Todavia, era impossível concentrar-me a ouvir as suas obras. É tão sublime, que a atenção resvalava quase sempre da aborrecida matéria, para as hipnotizantes notas que me entravam pelos ouvidos. Aproveito para partilhar uma das peças que mais gosto do seu Requiem. 


 
Incentivado (obrigado?) pelo pai, Mozart aos 4 anos já sabia tocar piano e aos 5 começou a compor. Eu e a maior parte das pessoas com essas idades mal sabíamos apertar os atacadores. Na adolescência foi contratado como músico na corte em Salzburgo, aos 15 anos chega a Viena e é na capital austríaca que conquista a fama, apesar de viver quase sempre em dificuldades financeiras. Viria a morrer na miséria aos 35 anos, deixando um legado intemporal, entre os quais, várias óperas, sinfonias e concertos.  O devido reconhecimento apenas surgiria anos mais tarde e o seu génio é louvado ainda nos dias de hoje. 

Em 1984, Milos Foreman deu vida a Mozart no grande ecrã e de uma forma absolutamente extraordinária, através do épico biográfico, Amadeus. A história é narrada por Antonio Salieri (F. Murray Abraham), compositor contemporâneo de Mozart (Tom Hulce), que nutria por ele um misto de fascínio e inveja. Nos seus relatos e em jeito de confissão, considerava que Deus o tinha injustiçado, dando um talento único a uma criatura vulgar e que ele, Salieri, tão casto e devoto não tinha sido agraciado com semelhantes dotes, tendo, imerecidamente, sido esquecido pelo público. Todavia, o ódio que sentia era tão grande como a admiração que tinha por Mozart. Com a sua notável interpretação de Salieri, Abraham mereceu de forma justa o oscar para melhor actor. 

Visualmente, Amadeus é magnífico, boa fotografia, caracterização de cenários e personagens impecáveis. No entanto, a banda sonora, toda ela obra de Mozart, destaca-se, como não poderia deixar de ser. Por isso, recomendo que vejam o filme, se possível, com um bom sistema de som. Nota final para Tom Hulce que, segundo consta, terá estudado música e praticado as peças de Mozart afincadamente, tendo sido o próprio a tocar os instrumentos sem recurso a duplos no filme.


Onde ver: Nestas próximas semanas é possível ver Amadeus no Cinemundo. 

Rating: 5/5

Fun Fact:  O filme reavivou o interesse na obra de Salieri que, até então, estava remetida à obscuridade. 

terça-feira, 15 de agosto de 2023

Filmes de Verão - #1 - Bombaaaa

Muitas vezes é no verão que as pessoas têm mais tempo para ver filmes, quer seja por estarem de férias, quer pelo trabalho que acalma ou até mesmo porque outras atividades lúdicas são interrompidas. O mesmo acontece comigo e encontrando-me de férias resolvi lançar um desafio a mim mesmo: propor todos os dias até final de agosto, um filme por noite. As propostas serão feitas de forma telegráfica, procurando alternar entre géneros, antiguidade e plataforma de visualização (cinema, cabo, streaming, Dvd, Blue-Ray, Laser Disc, VHS, Betamax.... se calhar estou a exagerar, mas perceberam a ideia)

Oppenheimer (2023)



Ainda nos cinemas pode-se encontrar a mais recente obra de Christopher Nolan que, depois do desastre que foi Tenet (na minha opinião), regressa com um filme de cariz biográfico sobre J. Robert Oppenheimer, o cientista americano responsável pela invenção/produção das primeiras bombas atómicas. Evidentemente que a história deste homem, pelo impacto que a sua ação teve para a conclusão da segunda guerra mundial, tem um interesse histórico inegável. 

Nolan consegue desenvolver a narrativa de forma bem conseguida, através sucessivas deambulações entre o período anterior ao lançamento da bomba e o período subsequente, altura em que J. Robert Oppenheimer teve de lidar com acusações de espionagem a favor da URSS, em plena era da "caça às bruxas". O desenvolvimento de várias linhas temporais tem a habilidade de captar a atenção do espectador, mantendo o interessente em alta durante as 3h00 de duração do filme.

 A crítica que aponto é ao facto da duração das cenas ser curta, acabando quase sempre com frases fortes, algo que me deu uma sensação de pouca autenticidade e quase como se estivesse a ver histórias de uma rede social em determinados momentos. 

No que concerne a aspectos técnicos, o filme é, naturalmente, um portento, com evidência para o som/música que ajudam a dar realce às emoções, quase que levando o espectador a uma viagem imersiva aos sentimentos de Oppenheimer.


Cylian Murphy, através de toda a sua expressividade mesmo quando está em silêncio, tem um desempenho competente como Oppenheimer. Todavia o destaque tem de ser dado a Robert Downey Jr., num papel vilanesco que contrasta em grande medida com os últimos papéis mais extrovertidos que tem protagonizado (Tony Starks e afins). Diz-se que esta performance pode-lhe valer a nomeação para um Oscar. O resto do elenco é também ele de luxo, nomeadamente Emily Blunt, Matt Damon, Kenneth Branagh, Rami Malek, entre outros. 

Onde Ver: Cinemas

Rating: 3,5/5

Fun Fact: Para manter a qualidade entre cenas a preto e branco e a cores, pela primeira vez foram filmadas cenas a preto e branco com câmaras IMAX desenvolvidas pela Kodak.

Aguentem-se então à bomboca que amanhã há mais!