quarta-feira, 30 de novembro de 2022

Advento 2022 - #4 - All Quiet on Western Front (2022)

All Quiet on Western Front (2022) 
ou na sua língua original, Im Westen nichts Neues


Não é a primeira vez que All Quiet on Western Front, livro de Erich Maria Remarque, é adaptado ao cinema. A primeira vez foi em 1929. Cem anos depois há nova adaptação de uma história, que infelizmente mantém alguma atualidade: a guerra continua a ser uma valente estupidez.



A acção do filme decorre durante a primeira guerra mundial, centrando‐se bastante nas batalhas de trincheira, lutas verdadeiramente sanguinárias que ceifaram a vida a milhares de jovens a troco de uns centímetros de terra. Simultaneamente é retratada a falta de humanidade dos responsáveis políticos e militares que não souberam ter a ponderação de pôr termo de forma mais célere e piedosa ao conflito.

O resumo da história é logo apresentado nos primeiros 10 minutos. Momento em que se veem roupas a ser retiradas de corpos de soldados mortos, lavadas, remendadas e, logo de seguida, entregues a novos recrutas que não faziam ideia que aquelas fardas já tinham andado em combate.

Tendo em conta o excelente elenco, fotografia, argumento e por ser um verdadeiro tratado anti‐guerra, arrisco dizer que estamos perante um dos melhores filmes do ano! Caso seja subscritor da Netflix, não perca a oportunidade de ver esta obra de Edward Berger



Fun Fact: o livro de Erich Maria Remarque é baseado na sua própria experiência, enquanto soldado alemão durante a primeira grande guerra mundial.

Advento 2022 - #3 - I, Daniel Blake (2016)

I, Daniel Blake (2016)
(com atraso de um dia, mas cá vai)
A vida pode dar muitas voltas e nunca sabemos o dia de amanhã. Num momento temos tudo, família, dinheiro e conforto. Noutro, um azar pode bater à porta e ficamos dependentes da boa vontade da sociedade. I, Daniel Blake, através da lente sempre realista de Ken Loach, pretende dar visibilidade àqueles que, por vicissitudes da vida, caíram em desgraça e por mais que tentem não conseguem voltar à tona.



A figura central da história é Daniel Blake, um viúvo de 59 anos que sofreu um ataque cardíaco e por isso está impedido de trabalhar pelos médicos. Contudo, de forma inexplicável, não consegue aceder à merecida pensão de invalidez ou, no limite, a um subsídio de desemprego. O processo fica a saltitar nos serviços sociais e nada se resolve. 

É possível acompanhar a forma como é engolido pela burocracia do estado, que muitas vezes privilegia os processos em detrimento do bem-estar das pessoas que deviam servir. Ao mesmo tempo percebemos que a digitalização é algo ótimo em prol da eficiência, mas que ao mesmo tempo, se não houver mecanismos de salvaguarda, pode excluir pessoas mais velhas ou com menos literacia digital.

Simultaneamente acompanhamos a história de Katie, uma mãe solteira com duas crianças para cuidar e sem meios de subsistência, nem sequer para o básico. Quem lhe vai valendo ainda é Daniel, que apesar das suas próprias dificuldades, procura dar algum conforto a esta mãe desesperada. 


Esta obra pode ser um autêntico murro no estômago, pelo retrato bastante fiel de uma sociedade que despreza os mais velhos e que é pouco tolerante para quem falha na vida. Ao contrário do que possa parecer, este é um filme indicado para se ver no natal, para não nos esquecermos de ser solidários e mais tolerantes com quem precisa. 

Fun Fact: Com este filme, Ken Loach tornou-se o realizador mais velho a ganhar a Palma de Oiro, tinha 79 anos à data. 

segunda-feira, 28 de novembro de 2022

Advento 2022 - #2 - What We Do in the Shadows (2014)

What We Do in the Shadows (2014)

O nome Taika Waititi, realizador Neozelandês responsável por títulos como Jojo Rabbit ou Thor:Ragnarok, não é nada estranho do grande público. Mas em 2014, quando realizou com o seu amigo Jemaine Clement, What We Do in the Shadows, a sua reputação ainda era obscura e não ficou menos com este filme, cujas personagens principais são vampiros. 



Mais precisamente um grupo de vampiros solteirões que vivem na mesma casa, como numa república, em Wellington (capital da Nova Zelândia). Os imortais Viago, Deacon e Vladislav, ao mesmo tempo que mantêm as tradições vampíricas de procurar vítimas para lhes sugarem o sangue do pescoço, deparam-se com os problemas mundanos relacionados com partilha de casa, como pagar contas, renda, levar o lixo, etc. Muitos dos momentos cómicos do filme assentam neste contraste, o terror versus os problemas do quotidiano.



O filme foi realizado de uma forma algo anárquica, sendo uma composição de vários takes, alguns de longa duração, em que os atores tiveram bastante liberdade para improvisar. Esta liberdade artística levou a 125 horas filmadas, mas apenas aproveitou 1h30. O sucesso deste filme levou a que os autores apostassem na criação de uma séria homónima, atualmente disponível na HBO.


Caso tropece neste filme, espete-lhe uma estaca e não deixe de o assistir e aguce os caninos, não para trincar um pescoço mas para se rir muito.

Fun Fact: O edifício usado para filmagens exteriores da casa dos vampiros era um antigo escritório do realizador Peter Jackson, realizador da saga do Senhor dos Anéis. 

domingo, 27 de novembro de 2022

Advento 2022 - #1 - A Vida é Bela (1997)

Nos dois últimos anos, pela altura do advento e entre o confina-confina e volta a confinar, resolvi fazer um género de calendário com algumas sugestões cinematográficas. Foi uma experiência interessante e uma boa forma de relembrar obras que, de alguma forma, me marcaram. Este ano renovo o desafio que fiz a mim mesmo, 28 dias, 28 filmes até à véspera de Natal. A ideia a que me proponho é intercalar clássicos intemporais, obras mais recentes que tenha apreciado e também, dada a quadra, alguns filmes mais natalícios.

A Vida é Bela (1997)

Resolvi começar a jogar pelo seguro, escolhendo um filme italiano que ganhou o Oscar para melhor filme estrangeiro em 1998 e que, habitualmente, é do agrado a miúdos, médios e graúdos. Provavelmente já adivinharam. Refiro-me pois a A Vida é Bela ou na sua língua original, La Vita è Bella, obra protagonizada e realizada pelo inconfundível Roberto Benigni.


A história decorre durante a segunda guerra mundial e a acção centra-se em Guido Orifice (Roberto Benigni), um judeu empregado de mesa que é levado para um campo de concentração nazi, juntamente com o seu filho Giosué. No campo de concentração, Guido tenta tornar a experiência do filho suave e até alegre, dizendo-lhe que estão num jogo, algo que vai conseguindo através da sua louca imaginação e enorme sentido de humor.



Muita da magia deste filme reside no imenso talento de Benigni, do seu humor físico, e na narrativa capaz de fazer oscilar a emoção do espectador entre a lágrima e o riso, em proporções quase idênticas.




Fun Fact 1: Roberto Benigni usou algumas das histórias do seu pai, que passou na segunda guerra mundial num campo de concentração para se inspirar neste filme.

Fun Fact 2: Dora a mulher de Guido, interpretada por Nicoletta Braschi, é também na vida real a mulher de Roberto Benigni. Só tenho uma coisa a acrescentar: buongiorno principessa...