domingo, 12 de julho de 2020

Ciclos - Stanley Kubrick - Barry Lyndon

6ª Feira - Barry Lyndon (1975)



Barry Lyndon é provavelmente o filme que transpira mais opulência na filmografia de Stanley Kubrick. Além dos palácios e locais de filmagem especialmente cuidados para retratar uma Inglaterra/Irlanda aristocrata do sex. XVIII, nota de destaque para o impressionante guarda-roupa. Fatiotas para todas as ocasiões, desde fatos e vestidos de gala para finos jantares, até fardas militares com todos os adereços adequados a qualquer patente. Para o realizador, estes elementos não são superficiais, antes pelo contrário, são elementos fundamentais para dar credibilidade à narrativa e contribuem para a magia do cinema: criar a ilusão ao espectador a sensação de estar na pele dos protagonistas, qualquer que seja a história, qualquer que seja a época. 






Apesar de toda a opulência dos cenários e guarda-roupa, da excelente fotografia (a luz é natural na grande maioria das cenas) e da magnífica banda sonora - ganhou 4 óscares, precisamente nestas categorias técnicas - o filme foi um fracasso comercial. Custou cerca de 11 milhões de dólares e apenas lucrou pouco mais de 200 mil euros. A narrativa lenta, a duração do filme (3h05m) e o facto de ser muito menos irreverente do que os dois filmes anteriores do realizador (Laranja Mecânica e Dr. Strangelove), provavelmente contribuíram para a menor aceitação por parte do grande público. No entanto e talvez por se aproximar mais ao "género de cinema europeu", tenha tido uma melhor recepção precisamente na Europa. Todavia, o tempo tem sido bom para esta obra, parece que tal como um bom vinho precisava de respirar, e hoje em dia figura em muitas listas de melhores filmes da história do cinema.


A narrativa, baseada no romance William Makeapeace Thackeray, conta a história de Redmond Barry (Ryan O'Neal). A sua juventude na Irlanda, a sua paixão pela prima (Gay Hamilton) e o duelo à pistola (*) com o seu noivo o Capitão Inglês John Quin (Leonard Rossiter); a fuga e a participação na guerra dos 7 anos, o ingresso do exército inglês e a deserção para o lado prussiano (**); a sua amizade e associação (basicamente ajuda nas batotas) com o jogador de cartas a dinheiro, Chevalier; e por fim, a sua relação com a mais que rica Lady Lyndon (Marisa Bereson). Resumidamente, a história retrata a ascensão e queda de um homem, que teve a virtude de aproveitar as oportunidades que a vida lhe foi dando e, após se tornar rico através do casamento com Lady Lyndon, a fraqueza de não conseguir resistir às tentações da luxúria e do jogo. 

(*) Algo que ajudaria a tornar a justiça mais eficiente seria resolver contendas processuais, em que não há acordo entre as partes, através de duelos ao pôr-do-sol, não com armas de fogo, mas usando por exemplo, pistolas de paint ball. 

(**)  A um covarde no exército inglês chamavam, pussy, no prussiano, prussy...


Por fim, destaque para a extraordinária banda sonora e para o título principal, Sarabande de George Friedrich Haendel, uma música que fica no ouvido e que é mais um complemento à opulência do próprio filme. É daquelas que se encrosta no ouvido e que não sai nem à lei da espátula.



Fun Fact:  A produção do filme teve de se mudar da Irlanda para Inglaterra, após Kubrick ter visto o seu nome na lista negra do I.R.A. devido à filmagem de soldados ingleses em solo irlandês.  

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