sábado, 13 de março de 2021

#13 Filme da Semana - Mank (2020)

Os efeitos da pandemia fazem-se sentir em todas as actividades e o cinema não é excepção. Muitas estreias adiadas, inúmeras produções paradas e com as salas de cinema fechadas em grande parte dos países devido às medidas de confinamento, não se vislumbra o início da retoma desta indústria. Assim é natural que a época dos prémios seja mais "fraquinha" este ano, dado o menor leque de escolhas existente, tanto em qualidade como em quantidade.

Não obstante, é sempre um período de balanços e o momento ideal para olhar, nem que seja de relance, para o que melhor se fez ao nível de cinema e televisão no ano anterior. Neste sentido, durante mês de Março na Rubrica Filme da Semana serão analisados alguns filmes/séries que estiveram a concurso na última edição dos Globos de Ouro.

Mank (2020)

Sempre que David Fincher lança um novo filme existe sempre alguma ansiedade. E quando foi anunciado que iria fazer um filme sobre o processo de escrita do roteiro elaborado por Herman J. Mankiewicz (Mank) para o filme Citizen Kane, considerado um dos melhores de sempre, as expectativas ainda se elevaram mais. Ainda mais quando para o papel de Mank foi escalonado um dos melhores atores da atualidade, Gary Oldman. No entanto, havia alguma mágoa por estrear diretamente na Netflix e não passar pelos cinemas. 


Mank era um escritor talentoso, tendo feito o argumento para muitos filmes, mas tinha um sério problema com a "pinga". Aliada à "pinga" a posições políticas divergentes com grandes nomes da indústria do cinema, tornavam-no numa figura bastante incómoda. Em 1940, Orson Wells detinha liberdade criatividade total dos seus projetos e contratou Mank, para lhe escrever o roteiro do seu próximo filme, Citizen Kane. Como seria de prever entraram em choque. 


A premissa do filme é bastante interessante, um olhar sobre o processo criativo de um dos melhores filmes de sempre e a tensão que se desenvolveu entre os dois grandes responsáveis pela obra, Mank e Wells. A escolha do preto e branco é feliz e aproxima o espectador à época em que foi realizado Citizen Kane. O problema é que os saltos temporais que decorrem ao longo da acção são muito difíceis de acompanhar, bem como a maior parte das referências utilizadas em alguns dos diálogos. Estes dois factores tornam o filme confuso e de alguma forma elitista. 

Sem embargo, Gary Oldman como Mank e Tom Burke como Wells têm um desempenho excepcional e que merece destaque. Diria que Oldman é mais uma vez  um sério candidato a óscar para melhor actor.

Fun Fact: O argumento original deste filme é de Jack Fincher, pai de David Fincher, falecido em 2003. Infelizmente não viu este projeto a chegar aos ecrãs. 

Sem comentários:

Enviar um comentário