Este ciclo, que agora se inicia, é dedicado a Christopher Nolan. O realizador britânico, que dispensa apresentações, tem vindo a coleccionar êxitos comerciais nos últimos anos. Desde a trilogia de Batman que o sucesso dos seus filmes nunca mais parou.
A sua carreira começou com a realização de curtas, passando para filmes independentes de baixo orçamento, depois filmes de super-heróis, até chegar à produção de grandes blockbusters. Hoje em dia, Christopher Nolan tem um aura semelhante à que tinha Steven Spielberg nos anos 80/90, a de realizadores que não conseguem fazer filmes maus.
Antes de avançar para as minhas escolhas, apresento 3 fun facts sobre o realizador:
1º - É daltónico em tonalidades de vermelho e verde.
2º - Não gosta de efeitos especiais digitais, tendo-se oposto, de forma afirmativa, à sua utilização no filme Batman Begins (2005).
3º - É canhoto.
Contra Fun Fact - É um grande apreciador da banda de Manuel João Vieira, Ena Pá 2000... Agora fiquei da dúvida, será antes fã de Radiohead? Fica a questão.
Quanto à escolha dos filmes da obra de Christopher Nolan, resolvi começar por Memento. Apesar de não ser o seu primeiro filme, é aquele que fez despertar interesse pela obra do realizador.
2ª Feira - Memento (2000)
Acabei de ver o Memento e é melhor apontar as ideias antes que me esqueça... E cheguei ao fim e, estupidamente, veio-me aquela música dos Santos & Pecadores à cabeça, É o memento final... Bom... e após este memento, desculpem, momento Fernando Mendes é melhor avançar.
Este filme foi o segundo realizado por Christopher Nolan, antes apenas tinha realizado curtas e o Following (1998). Mas sem dúvida, o primeiro a trazer algum reconhecimento ao realizador. O filme é o resultado de uma parceria, até agora frutífera, entre Christopher e seu irmão Jonathan, mais dedicado à escrita. Jonathan além da colaboração com o seu irmão em Memento, The Prestige, Dark Night Rises e Interstellar, é um dos criadores da série Westworld.
Voltando a Memento, a narrativa desenvolve-se em torno de Leonard (Guy Pearce em modo oxigenado), um ex-agente de seguros ligado a peritagens, que não consegue reter memórias desde que a sua mulher morreu assassinada. O seu objectivo é agora, o de encontrar o assassino e vingar a sua mulher. No entanto, como tem a memória equivalente à de Nemo (sim, aquele carapau laranja), tem de arranjar formas de se recordar. Para isso, vai tirando fotografias e tatuando o seu corpo.
É um filme cuja a história se desenvolve ao contrário, em que as cenas posteriores explicam as cenas anteriores. É um extenuante exercício de memória, e obriga a um visionamento com uma atenção equivalente à que um cirurgião tem de ter numa operação delicada. À mínima distracção perdemos o fio à meada. Quando acabei de ver o filme, senti que tinha levado o meu cérebro a uma aula de crossfit.
Ainda, destaque para o bom desempenho do elenco. Além de Guy Pearce, o filme conta com Carrie-Ann Moss como a enigmática Natalie e Joe Pantoliano como Teddy. Este último recomendado por Moss, após terem contracenado em Matrix (1999).
Gostei de rever Memento, curiosamente já não me lembrava de quase nada. Apesar de um filme de baixo orçamento / independente (custou $9 milhões, enquanto o Interstellar custou $165 milhões), consegue ser um filme original e com a capacidade de pôr os espectadores a reflectir sobre a importância da memória. Afinal, o que somos nós além de memórias? E para finalizar, recorro a uma citação do filme: "We all need mirrors to remind ourselves who we are".
Fun Fact: A doença de que padece Leonard no filme existe na realidade, chama-se amnésia anterógrada, manifestando-se na incapacidade dos pacientes conseguirem formar novas memórias após o início da doença. Nos doentes de Alzheimer acontece com frequência. (andei a ler o Harrison´s... só que não).
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