sábado, 3 de outubro de 2020

Ciclos - Oscars 2001-10: A Beautiful Mind (2002)

 2002 - Nomeados para o Oscar de melhor filme:


- A Beautiful Mind (vencedor)
- Gosford Park
- In the Bedroom
- Moulin Rouge
- Lord of the Rings: The Fellowship of the Ring

Realizado por Ron Howard, A Beautiful Mind é um drama de cariz biográfico, baseado na obra literária homónima de Sylvia Nasar, dedicado à vida de John Nash. 


E quem foi John Nash? Foi um brilhante matemático, responsável por teorias revolucionárias, algumas delas com aplicações na economia, com especial relevo para aquelas que contribuíram para o desenvolvimento da Teoria dos Jogos (*) - merecedora do Prémio Nobel da Economia em 1994. 

No entanto em 1958, Nash começou a sofrer de uma severa esquizofrenia, algo que tornou muito difícil a sua vida em sociedade. Entrou por diversas vezes em estados paranóicos e frequentemente desenvolvia teorias da conspiração, tendo sido necessário recorrer a medicamentos antipsicóticos e terapias que envolviam choques eléctricos. A partir de 1970, resolveu por sua iniciativa deixar a medicação e paulatinamente foi recuperando, conseguindo até voltar a frequentar a Faculdade. Costuma-se dizer que de génio e louco, todos temos um pouco. Nash terá tido estas duas características em demasia.

Quanto ao filme, os autores pretenderam, segundo os próprios, contar uma história que fosse fiel ao espírito do livro e que respeitasse a vida de Nash. Todavia na minha opinião, uma série de factos demasiado relevantes foram ocultados para que o filme se possa considerar biográfico na sua plenitude, por exemplo:

- Casos Homossexuais 
- O filho que teve antes do casamento e que terá renegado
- O seu divórcio, apesar de mais tarde ter renovado o casamento com Alicia Nash
- A descrição demasiado simplista das teorias que desenvolveu

Há outros acontecimentos que foram romanceados, mas que apesar de imprecisos, contribuem para a fluidez da narrativa e para manter o interesse do espectador. 

Posto isto, revi o filme recentemente e fiquei um pouco desiludido, pois tinha na memória um filme muito mais comovente. É certo que é inspiradora e verdadeira, a história de superação de um génio com uma doença mental grave que, com muito esforço, conseguiu reintegrar-se na sociedade e por esse motivo julgo que valerá a pena ver o filme. Mas, simultaneamente, fica o sentimento, acentuado quando se conhece verdadeiramente a história de Nash, que a narrativa é demasiado romanceada e lisonjeira, o que cria uma certa sensação de falsidade.  

Sem embargo, o elenco é de mão cheia! Desde logo Russel Crowe que, apesar de algum overacting, desempenha de forma muito competente o difícil papel de John Nash. Jennifer Connely é brilhante no papel de esposa, Alicia Nash, o que lhe valeu o Oscar para melhor atriz secundária. E o elenco de suporte dispensa apresentações - Ed Harris, Christopher Plummer, Adam Goldberg, Paul Bettany e Josh Lucas - são extraordinários. 


Em 2002, este filme ganhou 4 Oscars, incluindo Melhor Filme, Melhor Roteiro Adaptado (Akiva Goldsman), Melhor Realizador (Ron Howard) e Melhor Actriz Secundária (Jennifer Connely). Nesse ano, o grande derrotado foi o primeiro O Senhor dos Anéis que estava indicado para 13 categorias e só ganhou 4, essencialmente nas vertentes mais técnicas.

Fun Fact: O Professor Dave Bayer foi consultor matemático do filme e também foi o stuntman (duplo) de Russel Crowe nas cenas em que este tinha de escrever equações nas janelas. 


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