sábado, 21 de novembro de 2020

Ciclos - Oscars 2001-10: No Country for Old Men (2008)

 2008 - Nomeados para o Oscar de melhor filme:


- No Country for Old Men (vencedor)
- Juno
- Atonement 
- Michael Clayton
- The Will Be Blood

O vencedor do Oscar para melhor filme em 2008 foi No Country for Old Men (PT: Este País não é para Velhos), obra adaptada e realizada pelos irmãos Cohen. Trata-se de um filme cujo título não podia vir mais a propósito da situação atual - com o coronavirus à solta e a atacar de forma mais agressiva os nossos anciãos, não é Este País que não é para Velhos, é o próprio mundo. 


No Texas profundo, Llewelyn Moss (Josh Brolin), um caçador que vagueava numa zona deserta em busca de presas, deparou-se com uma cena de crime - vários carros cravejados de balas e corpos espalhados pelo chão (um verdadeiro Texas...). No meio da confusão encontrou uma mala cheia de dinheiro (2 milhões de dólares) e vários fardos de droga (fardo é um bom nome para droga, uma vez que serve também para a palha dos burros).

Em vez de chamar a polícia, a ganáncia falou mais alto e resolve ficar com o pilim (graveto, grana, cacau), algo que fez do próprio um alvo, começando a ser perseguido pelo assassino profissional, Anton Chigurh (Javier Bardem). Começa o jogo do rato e gato, sendo que o gato vai matando todos aqueles que lhe aparecem à frente.

Com a matança em crescendo, Ed Tom Bell (Tommy Lee Jones) um experiente xerife funcionalmente letárgico, vai-se deparando com os horrendos crimes para os quais não tem meios de combate. Sentindo-se, à medida que o tempo vai passando, cada vez mais ultrapassado e velho para dar resposta à catadupa de acontecimentos e à guerra entre cartéis de droga, começa a vaguear na sua mente uma ideia...  a ideia que aquele país já não era para velhos.

 


No Country for Old Man é um clássico produto dos irmãos Cohen, uma intrincada história de crime passada numa qualquer zona profunda dos Estados Unidos, com bons atores e uma fotografia bastante competente, neste caso de Roger Deakins (um dos melhores do meio). Algo interessante neste filme é o ritmo da narrativa, que vai dos "0 aos 100"muito rapidamente, devido à oscilação existente entre as cenas calmas e nostálgicas do xerife Bell e as cenas de suspense e violência desencadeadas por Anton Chigurh. 

A propósito de Chigurh, Javier Bardem tem um desempenho extraordinário, criando um vilão que, apesar do cabelo à Beatriz Costa, é verdadeiramente aterrador e tão frio que chega a ser sobrehumano. Para mim um dos melhores(piores) vilões da história do cinema. Algumas das peculiaridades desta personagem são decidir o destino das vítimas através do arremesso de uma moeda ao ar (ver abaixo) e executar as mesmas recorrendo a uma garrafa de gás comprimido.




Em 2008, o Oscar para melhor filme tinha dois favoritos à vitória. Além de No Country for Old Men, There Will Be Blood de Paul Thomas Anderson com um Daniel Day-Lewis no pico da sua forma podia ter arrecadado a estatueta, algo que também não seria injusto.

Fun Fact: Quando Joel Coen e Ethan Coen abordaram Javier Bardem sobre o papel de Chigurh, ele disse: "Eu não conduzo, falo mal inglês e odeio violência". Os Coens responderam: "É por isso que te ligamos." Bardem disse que aceitou o papel porque tinha o sonho de participar num filme dos irmãos Coen.

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