quarta-feira, 5 de agosto de 2020

Ciclos - Comédias Anos 90 - Big Lebowski

Para desenjoar de ciclos mais sisudos e como no Verão sabem bem saladas, melancia e coisas mais levezinhas, o próximo ciclo será dedicado a comédias, mais precisamente às da década de 90. Resolvi escolher 5 filmes que marcaram a minha infância/adolescência e que, sempre que estão a passar na TV boto o olhinho, vejo e revejo e quase sempre fico mais bem disposto. Esta selecção não tem propriamente obras-primas (talvez nem parentes afastadas), no entanto, no género da comédia até são filmes de certa forma consensuais, a saber:

- The Big Lebowski (1998)
- The Mask (1994)
- As Good as it Gets (1997)
- American Pie (1999)
- Doidos por Mary (1998)

Na minha opinião, todos estes títulos são cómicos sem ser demasiado patetas, ou seja, não resvalam para filmes tipo Academia de Polícia (seria até um ciclo interessante, porque são filmes tão maus que quase dão a volta) ou alguns filmes do Adam Sandler. Adicionalmente, reúnem bons elencos, recheados de mestres na arte do humor e paródia suficiente para estimular a libertação de gargalhadas, nem que seja num Domingo pela tardinha. 

2ª Feira - The Big Lebowski (1998)



Resolvi começar este ciclo em grande e com o grande Lebowski. É um filme que quando estreou passou um pouco despercebido do grande público, contudo paulatinamente foi ganhando aura de película de culto, sendo hoje considerado uma obra icónica (muito graças à figura do Dude) e um grande inspirador de memes.


De forma sucinta, mas não telegráfica:


- The Big Lebowski é Irmãos Cohen: Escrito, produzido e realizado por Joel e Ethan Cohen, este filme não foge aos cânones da sua obra - filmes de crime com um traço cómico, cujas personagens principais são peculiares e se envolvem em situações invulgares, exemplos; Barton Fink (1991), Fargo (1996) ou No Country For Old Man (2007). Os irmãos Cohen, para mim, são uns dos maiores contadores de histórias (storytellers soa mais fino) dos últimos 30 anos e The Big Lebowski não foge a esta regra. Para quem gosta do género, recomendo a série Fargo da Netflix. 

- The Big Lebowski é coincidência: Neste filme, a história gira em torno de Jeff Lebowski (Dude), e das trapalhadas em que se envolve a partir do momento em que é confundido com outro Jeff Lebowski (qual a probabilidade de haver dois?), tendo sido atacado por 2 capangas que tinham como objectivo recuperar uns dinheiros devidos pela mulher do outro Lebowski, a um realizador de filmes pornográficos. A partir daqui as peripécias são muitas e complicadas de explicar aqui sem spoil, o melhor é mesmo ver o filme. A narrativa contém alguns plot holes, mas a quantidade de cenas épicas é tal que se desculpam algumas falhas do guião.

The Big Lebowski é Dude (a personagem principal do filme): em Português a tradução mais próxima de "Dude" será " o Gajo". Um tipo que vive o dia-a-dia sem preocupações, dando a ideia que as únicas coisas que importam para a sua vida são mulheres, marijuana e bowling.  De certa forma, acho que a personagem do Dude é idolatrada porque muitos de nós gostaríamos de ser como ele. Ter a capacidade ou falta de consciência para não ligar ao que os outros pensam e fazer o que dá na real gana, como por exemplo, ir ao Supermercado de sandálias e robe. Interpretado magnificamente por Jeff Bridges, o Dude tornou-se quase um Deus da religião (vide fun fact) dos praticantes do Carpe Diem. 



- The Big Lebowski é John Goodman: O ator desempenha um dos papéis mais desconcertantes da carreira e segundo o próprio, um dos que lhe deu mais prazer- o irascível Walter Sobchak, veterano do Vietname e companheiro de Bowling de Lebowski. Com o temperamento equivalente a uma panela de pressão em ebulição, Walter tenta ajudar Lebowski a resolver as trapalhadas em que este se meteu, mas inevitavelmente apenas consegue tornar as coisas piores. A quantidade de frases épicas proferidas por esta personagem é larga, mas vou destacar a seguinte: Life does not stop and start at your convenience you miserable piece of shit.


- The Big Lebowski é um conjunto de actores secundários incríveis: Philip Seymour-Hoffman, Julianne Moore, Steve Buscemi, Sam Elliot e Jon Polito são só alguns dos nomes que compõe o ramalhete de atores talentosos, alguns deles com papéis pequenos mas notáveis. No entanto, gostaria de destacar John Turturro e a personagem "Jesus Quintana" - o arquirival de Lebowski no bowling e um tipo um tanto ou quanto peculiar. Os irmãos Cohen deixaram Turturro introduzir algumas ideias para personagem e o resultado foi o seguinte:


- The Big Lebowski é riso: Se não tiverem nada para fazer, ver este filme é o equivalente a duas horas bem passadas. 

Fun Fact:  Existe um movimento religioso baseado no Dude: The Church of the Latter-Day Dude".

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