Ssssssssssssssssmokin!!! Provavelmente, The Mask é um dos filmes que mais vi na vida. Quando estreou ainda era catraio, mas aquela cassete do tipo da máscara verde, que faz lembrar senhoras que usam cremes faciais antes de dormir ou alguém com uma gastrite severa, já se sentia perfeitamente em casa dentro do meu videogravador. O filme estreou em 1994 e apesar de um orçamento modesto, apenas $23m, foi um enorme êxito, tendo atingindo uma facturação de $351m. Tornou-se rapidamente, levando em consideração o investimento inicial, na adaptação de BD da história do cinema mais rentável (c. 1430% de ganho). Apenas,recentemente, foi ultrapassada pela adaptação de Joker (c. 1525%).
Estes números confirmam a sensação que pairava nas minhas memórias de juventude, a de ter existido uma verdadeira Maskmania (infelizmente estamos a viver outra) e do filme ter sido um grande sucesso no público mais juvenil. Recordo-me perfeitamente de ter visto na RTP, a série de desenhos-animados criada na sequência do filme (1995) e do merchandising associado ao filme circular pela escola, por exemplo, máscaras, brinquedos e lancheiras.
The Mask foi realizado por Chuck Barker, um director com uma carreira pouco brilhante, apesar de contar no seu curriculum com alguns filmes conhecidos, tais como, Eraser (1996) e Scorpion King (2002) - filme que marca a estreia de Dwayne Johnson como actor principal, que até lá, andava noutras lutas (literalmente). Sem embargo, em The Mask fez um excelente trabalho, desde a escolha do elenco, aos magníficos efeitos especiais, passando pelos cenários coloridos, até à história com bom nível de comicidade, e não esquecendo a banda sonora, está tudo no devido lugar.
Se os efeitos especiais desempenham um papel de relevo neste filme, bastante bons para altura diga-se, e que por vezes conseguem criar a sensação ao espectador de estar dentro de um desenho-animado, o grande destaque tem de ser dado ao elenco, nomeadamente a Jim Carrey e Cameron Diaz.
Em 1994, Jim Carrey ainda estava longe de ser uma estrela mundialmente conhecida. Era um actor com background do standup e tinha atingido nesse ano, o seu primeiro sucesso no cinema com o filme Ace Ventura. Quando em The Mask pode finalmente apresentar-se ao mundo, dando vida a uma personagem tão carismática, que oscila entre o perfeitamente normal e o completamente insano, utilizando para isso o seu imenso talento para o humor físico, a sua fama não parou mais de crescer, apesar de muita gente o achar irritante(*).
A personagem é Stanley Ipkiss, um pacato bancário, tímido e solteirão, daquele tipo de pessoas que evita todo e qualquer confronto com medo de magoar o outro. Um dia, por mero acaso, encontra uma máscara misteriosa no meio de um rio. Quando a experimenta, descobre que a máscara tem poderes sobrenaturais (é a do Deus nórdico Loki), e com o seu uso transforma-se num super-herói malvado, quase uma espécie de cruzamento entre o diabo da Tasmânia e o Bugs Bunny. Com a máscara os sentimentos recalcados no acanhado Ipkiss explodem, fazendo com que este, atuando quase como um desenho-animado tresloucado, comece a fazer coisas verdadeiramente alucinantes, permitindo-lhe também seduzir a deslumbrante Tina Carlyle, interpretada por uma sedutora e hipnotisante Cameron Diaz. Lembrando um pouco a história do Obélix, Ipkiss com a máscara verde parece um tipo que caiu num caldeirão, não de poção mágica, mas de ácidos.
Talvez não saibam mas Cameron Diaz estreou-se neste filme, com uma interpretação de um papel de Femme Fatale bem ao estilo de Jessica Rabbit. Com este filme ganhou fama e durante os anos 90 a sua notoriedade atingiu o auge, tornando-se numa das meninas bonitas (que expressão à velho) de Hollywood. A sua beleza e sensualidade, bem com química com Jim Carey fica patente em cenas como a da dança no Coco Bongo, uma das minhas favoritas do filme:
Ssssssmokin!!!!!
Fun Fact: A colocação da máscara e respectiva caracterização de Jim Carrey demorava cerca de 4 horas.
(*) - Recentemente vi uma série brilhante cujo actor principal é Jim Carrey, a série chama-se Kidding e recomendo vivamente.



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