Ciclos - Comédias anos 90 - Doidos por Mary (1998) / American Pie (1999)
5ª e 6ª Feiras - Doidos por Mary (1998) / American Pie (1999)
O fim de semana aproxima-se velozmente, portanto é a altura certa para encerrar o Ciclo de Comédias dos anos 90 com duas sugestões agradáveis: Doidos por Mary (1998) e American Pie (1999). Não são obras-primas, mas como são filmes que já passaram imensas vezes na televisão e que quase toda gente já viu são ideais, enquanto se passeia pelas brasas, para ser vistos no sofá nestas tardes de Verão.
Por falar em brasas (peço desculpa pelo abuso de linguagem), Doidos por Mary é um filme que, como o próprio título indica, possui uma narrativa cuja acção se desenvolve em volta da mui garbosa Mary. Personagem interpretada pela deslumbrante Cameron Diaz, esta mulher alta, loura, com um olhar cativante é um autentico íman de homens. Cada tiro, cada melro. Ou melhor, cada tiro, cada pombinho, explicando: cada homem que a conhece, cada homem que por si se apaixona.
E ao longo do filme surgem uma série de pobres coitados que, enfeitiçados e quase ensandecidos pela beleza de Mary, tentam conquistá-la. Entre os pretendentes constam:
-Ted (Ben Stiller): o amigo totó do liceu de sorriso metálico, nunca conseguiu verdadeiramente assumir a paixão adolescente que tinha por Mary e que agora tenta o reencontro. Protagoniza uma das cenas mais dolorosas da história do cinema, basta visualizarem uma relação entre estas duas palavras, pénis + fecho eclair (ver primeira cena do trailer, feliz ou infelizmente censurada);
- Matt Dillon - o detetive de ar azeitola contratado por Ted para encontrar Mary, que quando a acha, apaixona-se e tenta logo marcar dates, aproveitando-se da informação privilegiada que tinha obtido nas buscas;
-Tucker (Lee Evans) - o paciente de fisioterapia de Mary, alguém com uma deficiência motora, ou seja, teoricamente com poucas chances de lutar por Mary, no entanto, parece ser o único que verdadeiramente se preocupa com ela (parece...).
- Outros, muitos outros...
E a história é basicamente a luta destes galitos apaixonados em busca de arrebatar o coração da pobre Mary, que a única coisa que tem culpa é ser realmente bonita. É um filme divertido, levezinho (se fosse uma bebida seria um chopinho), com bons actores e algumas reviravoltas inesperadas. Realizado por Bobby e Peter Farrelly (esse mesmo, o realizador de Green Book), este título foi um estrondoso sucesso de bilheteira, c. $370m de facturação face a um orçamento de apenas $23m, o que é caso para dizer que realmente todos andávamos doidos por Mary.
Fun Fact: Matt Dillon e Cameron Diaz namoravam há uns 3 anos na altura em que o filme foi rodado, no entanto iriam terminar a relação pouco depois da estreia. (este fun fact foi digno da passadeira vermelha).
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American Pie, o primeiro filme realizado pelos irmãos Weitz, estreou no Natal de 99 e rapidamente se tornou um enorme êxito entre os adolescentes da altura, atingindo uma receita global de bilheteira de c. $235m. O sucesso foi de tal ordem que deu origem a um franchise, que conta neste momento com 3 sequelas - American Pie 2 (2001), American Pie, O Casamento (2oo3) e American Reunion (2012) - e ainda 5 spin-offs - Band Camp (2005), The Naked Mile (2006), Beta House (2007), The Book of Love (2009) e Girl's Rules (2020).
O filme de 99 conta a história de 4 amigos - Jim (Jason Biggs), Oz (Chris Klein), Kevin (Thomas Nicholas) e Finch (Eddie Thomas) - que, após um dos maiores cromos da escola - o Sherminator (Chris Owen) - aparentemente ter dormido com uma miúda, fazem um pacto: perder a virgindade até ao Baile de Finalistas (o famoso Prom).
Jim é o totó e o desastrado de serviço que só por milagre conseguirá atingir o objetivo. Ao longo do filme podemos acompanhar as suas descobertas sexuais...Para mim, as cenas que têm mais piada são aquelas em que o pai (Eugene Levi) apanha o filho (Jim) com a boca na botija. Sendo mais claro, a masturbar-se (isso mesmo, com a mão na cobra zarolha), numa situação com uma meia, noutra com uma tarte. Mas sempre que acontece, com calma e paciência, este pai meio atarantado resolve dar conselhos ao filho, ficando sempre um enorme desconforto no ar.
Oz é o atleta que se apaixona pela menina do coro. Kevin é o tipo que namora desde sempre com a mesma miúda. E por fim Finch, que é o intelectual bem falante, com inclinação para mulheres mais velhas... O filme ainda conta com algumas personagens marcantes mas estereotipadas, com destaque para o javardola (vá, o porcalhão), Stiffler (Seann William Scott).
A narrativa não tem muito de original, já nos anos 80 havia filmes de adolescentes deste género, basta relembrar o filme Porky's (1981), em que um grupo de adolescentes tem como único propósito perder a virgindade. Quanto ao humor, é básico e, apesar de libertino, quase infantil. Mas no fim das contas, o filme teve sucesso! Muito provavelmente por se adequar ao público-alvo: adolescentes básicos, quase infantis, com borbulhas a efervescer no rosto e buço selvagem, em busca da descoberta do sexo oposto, num mundo ainda pré-redes sociais e, para muitos, pré-internet.
Fun Fact: O argumentista, Adam Herz, quando entregou o guião aos estúdios apresentou-o com o título, "Untitled Teenage Sex Comedy That Can Be Made For Under $10 Million Which Studio Readers Will Likely Hate But I Think You Will Love". Tendo passado para "Easter Great Falls Hight" e por fim, "American Pie".
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