Sherlock Holmes Jr. (1924)
Quando se olha para a história do cinema e para o cinema mudo em particular, há dois nomes incontornáveis, Buster Keaton e Charlie Chaplin. Chaplin é, hoje em dia, mais famoso, principalmente porque a sua carreira foi mais consistente e duradoura, tendo resistido à passagem do cinema mudo para o cinema falado.
Já Buster Keaton teve muito sucesso durante a década de 1920-30, alcançado através de títulos como Sherlock Holmes Jr. (1924), Steambill Boat Jr. (1928) e o meu favorito, essa saga passada numa locomotiva, The General (1926).
No entanto, após ter assinado com a MGM no ano de 1930, perdeu a liberdade criativa sobre os seus projectos e nunca mais alcançou o sucesso da década anterior. A excepção talvez seja a participação num filme de Charlie Chaplin - Luzes da Ribalta (1953). O único filme em que ambos colaboraram.
Keaton nasceu numa família de artistas de variedades, tendo participado com os seus pais em diversos números que juntavam o teatro e o circo. A sua veia de artista de circo é transportada para os seus filmes em que, além da comédia assente em quedas, perseguições e grandes correrias, se destacam os stunts absolutamente fantásticos - fórmula ainda usada hoje, em filmes como os do Jackie Chan. Outra imagem de marca de Keaton é a sua "Poker Face", apesar dos seus filmes serem pautados pelo humor, Keaton mantém sempre uma expressão facial neutra, nunca esboçando um sorriso sequer. O seu objectivo era deixar ao espectador a interpretação das emoções e dilemas morais das suas personagens.
De todos os filmes de Buster Keaton resolvi destacar e rever Sherlock Holmes Jr. neste post. Este título conta a história de um remediado projeccionista de cinema, interpretado por Keaton, que tem como objectivo ser um grande detective. Este projeccionista anda a cortejar uma moça de classe média/alta, oferecendo-lhe presentes comprados com o pouco dinheiro que possui. No entanto, um pretendente rival rouba um relógio ao pai da moça, penhora-o e com o dinheiro compra um presente ainda mais caro para dar à moça (bandalho). Não satisfeito e de forma a eliminar completamente a concorrência, pega no recibo da loja de penhores e coloca-o no bolso do projeccionista com o objetivo de o incriminar. Não percebendo bem o que lhe aconteceu, o projeccionista inicia uma investigação cheia de peripécias, investigação essa que, todavia, se passa apenas nos seus sonhos.
Sherlock Holmes Jr. é um filme divertido que ainda hoje se assisste sem qualquer sacrifício. São 44min bem passados. Tem de interessante e inovador a narrativa em que se cruza a realidade com a fantasia (sonho). Provavelmente, o primeiro filme em que tal acontece. Caso queiram assistir, está disponível no YouTube:

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