Muitas vezes é no verão que as pessoas têm mais tempo para ver filmes, quer seja por estarem de férias, quer pelo trabalho que acalma ou até mesmo porque outras atividades lúdicas são interrompidas. O mesmo acontece comigo e encontrando-me de férias resolvi lançar um desafio a mim mesmo: propor todos os dias até final de agosto, um filme por noite. As propostas serão feitas de forma telegráfica, procurando alternar entre géneros, antiguidade e plataforma de visualização (cinema, cabo, streaming, Dvd, Blue-Ray, Laser Disc, VHS, Betamax.... se calhar estou a exagerar, mas perceberam a ideia)
Oppenheimer (2023)
Ainda nos cinemas pode-se encontrar a mais recente obra de Christopher Nolan que, depois do desastre que foi Tenet (na minha opinião), regressa com um filme de cariz biográfico sobre J. Robert Oppenheimer, o cientista americano responsável pela invenção/produção das primeiras bombas atómicas. Evidentemente que a história deste homem, pelo impacto que a sua ação teve para a conclusão da segunda guerra mundial, tem um interesse histórico inegável.
Nolan consegue desenvolver a narrativa de forma bem conseguida, através sucessivas deambulações entre o período anterior ao lançamento da bomba e o período subsequente, altura em que J. Robert Oppenheimer teve de lidar com acusações de espionagem a favor da URSS, em plena era da "caça às bruxas". O desenvolvimento de várias linhas temporais tem a habilidade de captar a atenção do espectador, mantendo o interessente em alta durante as 3h00 de duração do filme.
A crítica que aponto é ao facto da duração das cenas ser curta, acabando quase sempre com frases fortes, algo que me deu uma sensação de pouca autenticidade e quase como se estivesse a ver histórias de uma rede social em determinados momentos.
No que concerne a aspectos técnicos, o filme é, naturalmente, um portento, com evidência para o som/música que ajudam a dar realce às emoções, quase que levando o espectador a uma viagem imersiva aos sentimentos de Oppenheimer.
Cylian Murphy, através de toda a sua expressividade mesmo quando está em silêncio, tem um desempenho competente como Oppenheimer. Todavia o destaque tem de ser dado a Robert Downey Jr., num papel vilanesco que contrasta em grande medida com os últimos papéis mais extrovertidos que tem protagonizado (Tony Starks e afins). Diz-se que esta performance pode-lhe valer a nomeação para um Oscar. O resto do elenco é também ele de luxo, nomeadamente Emily Blunt, Matt Damon, Kenneth Branagh, Rami Malek, entre outros.
Onde Ver: Cinemas
Rating: 3,5/5
Fun Fact: Para manter a qualidade entre cenas a preto e branco e a cores, pela primeira vez foram filmadas cenas a preto e branco com câmaras IMAX desenvolvidas pela Kodak.
Aguentem-se então à bomboca que amanhã há mais!
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