sábado, 6 de junho de 2020

Ciclos - Stanley Kubrick - 2001: A Space Odyssey

Domingo - 2001: A Space Odyssey (1968)




2001: A Space Odyssey de 1968 é, na minha opinião, uma uma obra com tanto de épico como de pretensioso. Para corroborar esta afirmação, basta ver os primeiros 5 minutos do filme, em que imagens do espaço surgem na tela ao som de uma poderosa orquestra que entoa, Assim Fala Zaratustra de Srauss:


O argumento de Odisseia no Espaço surge de uma colaboração entre Stanley Kubrick e Arthur C. Clarke, sendo que a narrativa se baseia em parte, num conto de Clarke - The Sentinel. Ambos trabalharam juntos no guião que viria dar origem ao filme e ao livro, 2001: A Space Odyssey, lançados no mesmo ano.


Voltando à análise do filme propriamente dita - os primeiros 25 mins não tem qualquer diálogo e assiste-se, ainda na pré-história, a um retrato do dia-a-dia de um conjunto de primatas (parece o fim da macacada, mas na verdade é o início). O aparecimento de um monolito negro, talvez alienígena, talvez sobrenatural, é alvo de espanto e adoração por parte da tribo de primatas, que tocam no estranho objeto com alguma delicadeza. De seguida este estranho objeto acaba por desaparecer. O toque parece ter tido um efeito na inteligência dos próprios primatas, permitindo que a espécie evoluísse. Como por exemplo, ficasse dotada da capacidade de usar ferramentas para caçar. Esta evolução trouxe desenvolvimento à espécie, contudo, também trouxe morte - pode-se ver um primata a ser assassinado com um recurso ao manuseio de "ferramentas". Noutra cena assiste-se a um abuso da caça, desequilibrando dessa forma a fauna, em favor dos primatas face às restantes espécies existentes. Estes minutos iniciais sugerem à partida o tema do filme: a evolução. 




De seguida, o filme dá um salto de milhares de anos até a uma era espacial, mais precisamente até 2001, momento em que se descobre o mesmo monolito dos primatas numa escavação na lua. Mais uma vez, e com a mesma delicadeza dos primatas, o monolito é alvo de um género de adoração, agora por parte de astronautas, que tocam no monolito. Momento em que fica subentendida uma nova evolução da espécie. A facção (país?) que descobre o Monolito tenta encobrir o facto, com notícias de uma falsa pandemia (lembra alguma coisa?). 




A partir daqui começa uma saga espacial em busca do paradeiro do monolito, ou de quem o coloca, ou simplesmente em busca da evolução seguinte. Essa busca toma uma rota a caminho de Júpiter, sendo a tripulação composta por humanos e por um computador de última geração, responsável pela orientação dos sistemas da nave espacial, o HAL 9000 (na nave são visíveis as instruções para defecar...).  Um computador cuja conduta se torna duvidosa, ficando no ar a questão: até que ponto a inteligência artificial ultrapassou a humana? (Nesta parte do filme, há algumas passagens de Danúbio Azul de Strauss. Algo que fez lembrar o meu dentista, que tem no consultório este tipo de obras clássicas como música de fundo)


O final é dos mais enigmáticos da história do cinema, existindo as mais variadas explicações não havendo um consenso para a razão dos elementos que o compõem. Confesso que quando o vi pela primeira vez, senti uma cãibra mental (e infelizmente não há fisioterapia para o cérebro), tendo ficado a reflectir durante alguns dias sobre os derradeiros acontecimentos do filme. Só após alguma pesquisa dei conta de alguns aspectos importantes para a compressão (possível) da narrativa. 

O filme é um colosso visual, cujos efeitos apesar do ano de 1968, estão ao nível de grandes produções do início dos anos 90. Acredito que tenha sido utilizado por muitos professores de cinema, como exemplo da arte de bem filmar. Sem embargo, é uma obra de difícil visionamento devido à lentidão da acção. Um adolescente de hoje em dia que tente ver este filme, após os primeiros 10 minutos, começa a ter convulsões e a largar espuma pela boca. 

Bem... por ventura, é um filme para contemplar e não para ver, sendo quase uma experiência semelhante à de ir a  um museu de pintura. Concordo, no entanto, com a perspectiva de Woody Allen, a de que é um filme que se aprende a apreciar com o tempo, mais, é um filme à frente do seu tempo, que fica a ganhar com sucessivas visualizações:



Fun Fact: Se avançarmos uma letra em cada uma das letras da palavra HAL, obtemos IBM. Segundo Arthur C. Clarke foi algo acidental,  apesar da marca IBM aparecer retratada em alguns painéis das naves espaciais (painéis com botões... é um filme com grande visão, mas não previu que a era do touch screen viria a ser reinante). Já agora, HAL quer dizer: Heuristic Algorithmic Computer.

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