sábado, 30 de janeiro de 2021

5# Filme da Semana - Tangerines (2013)

 Após o primeiro post, resolvi orientar a rubrica "Filme da Semana" no sentido de fazer um post por semana, mas debaixo de um chapéu temático mensal. Ou seja, em cada mês haverá um tema - Janeiro será dedicado a filmes não falados em inglês. Depois do alemão, do coreano, do francês e do espanhol, esta semana as línguas são várias, recaindo a sugestão sobre um filme falado em Russo, Georgiano e Estónio... segundo dizem porque não consigo decifrar.

Tangerines (2013)

Não é a primeira vez que uns citrinos assumem um papel preponderante no cinema. Recordo o primeiro filme da saga do Padrinho, em que a presença de laranjas no cenário, indiciava a possibilidade de algo de mau vir a ocorrer. 


Em Tangerines, existem tangerinas, muitas tangerinas que têm de ser colhidas, por Margus com a ajuda do seu vizinho Ivo. E quem são? São dois dos últimos Estónios que ainda permanecem no Cáucaso, durante o eclodir na região, de um conflito entre Georgianos e mercenários de vários pontos da Ex-URSS, incluindo Chechenos. Margus assim que colher e vender as Tangerinas irá regressar à Estónia. Já Ivo, por algum motivo parece que tem algo que o prende aquele lugar rural e perfeitamente recôndito.

O dia que mais se temia chega! O conflito bate literalmente à porta de Ivo e Margus. Uma pequena escaramuça entre oponentes bélicos, resulta numa série de mortos, escapando gravemente feridos, Ahmed do lado dos Chechenos e Nika do lado dos Georgianos. Num gesto de tremendo humanismo, Ivo trata e acolhe na sua própria casa, estes dois homens cujas diferenças são tão grandes como o ódio entre as suas facções. O que irá acontecer quando acordarem?

A obra do realizador Zaza Urushadze é um verdadeiro tratado anti-guerra, levantando várias questões interessantes. Nomeadamente e através da personagem Ivo, são explorados os motivos, por vezes irrelevantes, que levam os homens a entrar num conflito armado. Como a guerra pode ser uma máquina destruidora de jovens, muitos deles participantes a troco de algumas patacas. E sinaliza a igualdade entre os homens, podemos ter religiões e culturas diferentes, mas o material de que somos feitos é o mesmo, carne e osso. Então porquê é que há tanta intolerância?

Recomendo vivamente este título que foi o primeiro da Estónia a ser nomeado a um Oscar. É 1h20m de bom cinema com boa fotografia, atores interessantes e uma uma história emocionante. 

Fun Fact: O papel do checheno Ahmed é desempenhado por um actor georgiano. 

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