Após o primeiro post, resolvi orientar a rubrica "Filme da Semana" no sentido de fazer um post por semana, mas debaixo de um chapéu temático mensal. Ou seja, em cada mês haverá um tema - Janeiro será dedicado a filmes não falados em inglês. Na primeira semana foi sugerido o filme Good Bye, Lenin! (2003) de língua alemã. Nesta segunda semana, o filme apresentado será de língua coreana.
Burning (2018)
Nos últimos anos, a filmografia Sul Coreana tem tido cada vez mais notoriedade no panorama do cinema mundial. Prova disso é Parasitas - vencedor do Oscar para melhor filme em 2020 - uma obra interessante de Boon Joon-ho, que retrata a convivência e o choque entre mundos desiguais (pobres vs. ricos). Podia ser um retrato de um qualquer país relativamente desenvolvido neste mundo pós-globalização, mas neste caso, a narrativa decorre na Coreia do Sul.
Um ano antes de Parasitas, Burning (PT: Em Chamas) realizado por Chang-dong Lee, foi outro filme que mereceu destaque nos festivais internacionais de cinema. Nomeadamente em Cannes, onde ganhou um dos prémios em concurso e obteve uma boa recepção por parte da crítica.
Baseado num conto de Haruki Murakami (sim, o escritor nipónico), Burning é um drama psicológico que se desenvolve em torno de Jong-su (Yoo Ah-In), um humilde jovem paquete que, por mero acaso, dá de caras com Shin Hae-mi (Jong-seo Jun), uma rapariga que não via há anos, mas que costumava morar no seu bairro. Jantam, talvez, encantam-se e na volta, Shin, de partida para África por algumas semanas, pede a Jong para lhe cuidar do gato. Gato esse que ao longo do filme não se percebe se existe ou não. Se existe tem muita personalidade....
Quando regressa, Shin apresenta a Jong, Ben (Steve Yeun) - um homem jovem tão rico como enigmático, nomeadamente devido a um hábito seu ( diria até necessidade?) bastante peculiar. Todavia, não posso desenvolver mais, vejam para perceber que costume é esse. Apenas posso adiantar que está com relacionado com labaredas!
Chang Dong-Lee oferece-nos um contraste entre estratos diferentes da sociedade, através de uma história estranha, misteriosa, até com algum non sense, mas ao mesmo tempo, cativante, muito cativante. Não é um filme para quem gosta de narrativas fechadas, pois acaba com algumas questões a pairar no ar e a remoer na cabeça de quem vê. Dois destaques positivos para terminar: excelente fotografia e boa performance por parte do elenco.
Fun Fact: Em Cannes, na nota que foi deixada à imprensa, o filme foi descrito como sendo "a dança que busca o sentido da vida".


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