O polémico Polanski continua a presentear-nos com cinema de grande qualidade, J' Accuse (Jacuzzi, se for um alentejano a dizer), estreado no ano passado, é prova disso mesmo.
J' Accuse deve o seu titulo ao artigo de Emile Zola, publicado em 1898 sob forma de carta ao Presidente da República Francesa. Neste artigo é denunciada a conspiração e a corrupção do sistema militar no caso Dreyfus - caso em que o judeu Alfred Dreyfus, um promissor oficial do exército francês, é acusado de traição à pátria, por alegadamente passar informações ao inimigo alemão e, na sequência, condenado em 1894 à prisão, na Ilha do Diabo.
A história do filme centra-se em Picquart (o artista Jean Dujardin), um oficial que assistiu ao processo humilhante de deposição de insígnias militares de Dreyfus e que haveria de ser, pouco depois, nomeado para comandar o departamento de inteligência do exército francês, precisamente o departamento que teria obtido as provas para condenar Dreyfus. Já no cargo, apercebe-se de várias inconsistências no caso Dreyfus, concluindo que se tratou de uma cabala com motivos de índole antissemita.
Assim, esta obra pode dividir-se em duas partes:
- Uma primeira em que Picquart junta as peças do puzzle do caso e tenta através de dedução lógica, entender o que realmente se passou no processo de investigação a Dreyfus. Neste segmento, o filme tem características que lembram o género policial;
- Uma segunda em que, contra toda a hieraquia militar, Picquart tenta provar a inocência de Dreyfus, culminando na sua colaboração com Zola na preparação do artigo J'Accuse. É emocionante acompanhar o patriotismo e as convicções que movem Picquart, num ambiente social hostil, a arriscar a sua posição para salvar um judeu inocente.
Além da excelência do trabalho de Polanski na escrita e realização, merece destaque a magnifica performance Jean Dujardin, que consegue oferecer o carisma necessário a uma personagem tão forte como Picquart.
Termino, recomendando o visionamento do filme, dada a sua qualidade cinematográfica e a mensagem que nos faz recordar que houve tempos na Europa, em que a intolerância se sobrepunha aos direitos humanos mais básicos.


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