Não é a primeira vez que uns citrinos assumem um papel preponderante no cinema. Recordo o primeiro filme da saga do Padrinho, em que a presença de laranjas no cenário, indiciava a possibilidade de algo de mau vir a ocorrer.
Em Tangerines, existem tangerinas, muitas tangerinas. Tangerinas que têm de ser colhidas por Margus com a ajuda do seu vizinho Ivo. E quem são? São dois dos últimos Estónios que ainda permanecem no Cáucaso, durante o eclodir na região de um conflito entre Georgianos e mercenários de vários pontos da Ex-URSS, incluindo Chechenos. Margus assim que colher e vender as Tangerinas irá regressar à Estónia. Já Ivo parece que tem algo que o prende aquele lugar rural e perfeitamente recôndito.
O dia que mais se temia chega! O conflito bate literalmente à porta de Ivo e Margus. Uma pequena escaramuça entre oponentes bélicos, resulta numa série de mortos, escapando gravemente feridos, Ahmed do lado dos Chechenos e Nika do lado dos Georgianos. Num gesto de tremendo humanismo, Ivo trata e acolhe na sua própria casa estes dois homens, cujas diferenças são tão grandes como o ódio entre as suas facções. O que irá acontecer quando acordarem?
A obra do realizador Zaza Urushadze é um verdadeiro tratado anti-guerra, levantando várias questões interessantes. Nomeadamente e através da personagem Ivo, são explorados os motivos, por vezes irrelevantes, que levam os homens a entrar num conflito armado. A guerra pode ser uma máquina destruidora de jovens, muitos deles participantes a troco de algumas patacas. A igualdade entre os homens, podemos ter religiões e culturas diferentes, mas o material de que somos feitos é o mesmo, carne e osso. Então porque é que há tanta intolerância?
Recomendo vivamente este título, que foi o primeiro da Estónia a ser nomeado a um Oscar. É 1h20m de bom cinema com boa fotografia, atores interessantes e uma uma história emocionante.
Fun Fact: O papel do checheno Ahmed é desempenhado por um actor georgiano.


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