A Vida de Chuck (2024)
Não há muito tempo, li um livro baseado numa entrevista de João Francisco Gomes a Ricardo Araújo Pereira, cujo título é “O que é que eu estou aqui a fazer?”. É uma conversa deliciosa, sobre a vida depois da morte, a posição da igreja ao longo dos tempos e como o humor pode ser visto como um balsamo para os ateus que acreditam que a morte é o ponto final sem parágrafo da existência humana.
Ora, esta temática está muito em
linha com a que está embutida em A Vida de Chuck, filme baseado no livro homónimo
de Stephen King. Quando o fim do mundo está próximo e é de conhecimento geral
que os cavaleiros do apocalipse estão a chegar, valerá a pena continuar a
estudar, a trabalhar, a viver (a sofrer pelo Benfica)? Numa ordem cronológica
inversa, o filme começa precisamente com o mundo a terminar numa espécie de
contagem decrescente para o seu fim. Contagem essa alinhada com a morte de
Chuck (Tom Hiddleston), um doente terminal de cancro. Numa espécie de analepse narrativa,
percorremos alguns momentos da Vida de Chuck e como abdicou do seu sonho de
dançar para se dedicar ao rígido mundo da contabilidade. (*) Uma das melhores cenas do filme, é precisamente quando Chuck se recorda do seu prazer de dançar, aproveito para sugerir que procurem no youtube.
É realmente uma boa reflexão da
vida e da morte, do nosso propósito, das decisões que tomamos na vida e do seu
impacto, da nossa pequenez perante um universo obscuro.
Para terminar, deixo o alerta que
estamos perante uma obra de Mike Flanagan, mas baseado num conto de Stephen
King (If it Bleeds), portanto o espetador pode contar com uma história onde de
repente o sobrenatural aparece na teia narrativa.
(*) O sonho é sempre de alguém que quer ser
artista, futebolista ou cantor. Para quando a história de um dançarino ou de um
cantor, que nunca alcançou o sonho de criança de ser contabilista ou fiscal das
finanças?
Fun Fact: O filho do realizador
Mike Flanagan interpreta Chuck na idade de 7 anos.
Sem comentários:
Enviar um comentário