sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Advento 2025 - 20/24 - Dragonfly (2025)

Dragonfly (2025)

Dos filmes que tive oportunidade de ver na última edição do MoteLx, gostaria de destacar Dragonfly, uma espécie de Intouchables à inglesa, centrado numa relação de amizade improvável.

Elsie (Brenda Blethyn) é uma mulher idosa que vive sozinha e já depende da ajuda de assistentes sociais para realizar algumas tarefas domésticas básicas, como tomar banho. Colleen (Andrea Riseborough) é a sua vizinha: vive sozinha com um cão, aparenta enfrentar dificuldades económicas e sobrevive graças a subsídios do Estado. Além disso, Colleen revela um comportamento algo destrambelhado e socialmente desajustado.

Aos poucos, Colleen começa a ajudar Elsie em pequenas tarefas do dia a dia. A relação entre as duas aproxima-se naturalmente e transforma-se numa amizade inesperada. No entanto, tudo muda quando o filho de Elsie começa a desconfiar que Colleen poderá estar a aproveitar-se da vulnerabilidade da mãe. A partir desse momento, o filme envereda por um caminho mais sombrio e ambíguo, com a tensão a aumentar progressivamente até ao final.

No fundo, Dragonfly, de Paul Andrew Williams, é uma reflexão pertinente sobre a solidão dos idosos. Quantas histórias não ouvimos de pessoas deixadas em camas de hospital ou “depositadas” em lares, raramente visitadas pela família? O filme faz lembrar o célebre sketch dos Gato Fedorento, em que o elemento sénior é deixado num “velhão”, uma espécie de ecoponto para velhos: “No chão não, filho. No velhão.” ;"E o que fazem ao idoso?"; “Não interessa, já não chateia.” No fundo, camas de hospital e lares são um autêntico velhão. 

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