segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Advento 2025 - 8/24 - Lavagante (2025)

 Lavagante (2025)

António-Pedro Vasconcelos foi uma personalidade incontornável do cinema português. Não apenas pelas obras que realizou — O Lugar do Morto (1984), Jaime (1999), Call Girl (2007) ou Os Imortais (2003) — mas também pelo contributo que, ao longo de décadas, procurou dar ao ecossistema cinematográfico nacional. Criou, presidiu e dinamizou diversas associações culturais ligadas à sétima arte. Foi colunista e crítico. Foi professor e um pedagogo de cinema. Respirava cinema e era um talentoso contador de histórias. O seu legado, espero e acredito, jamais será olvidado.



Lavagante foi, muito provavelmente, o seu último grande projeto. Infelizmente, Vasconcelos não chegou a concretizá-lo devido à sua morte em 2024. Todavia, Mário Barroso pegou no seu argumento — inspirado no livro de José Cardoso Pires — e conseguiu dar-lhe vida no grande ecrã.

Aspetos positivos:

  • O retrato histórico e político que oferece ao espetador, reforçado pela opção estética do preto e branco, que acentua o tom melancólico de um Portugal preso à ditadura.
  • O desempenho dos atores, com destaque para a inesperada performance de Júlia Palha como femme fatale.

Aspetos negativos:

  • Em alguns momentos, o ritmo revela-se demasiado lento, com diálogos extensos que denunciam certa fidelidade excessiva à vertente literária.
  • O filme parece-me ter sofrido de alguma insuficiência orçamental, o que limita sempre opções criativas. Infelizmente, é algo muito comum no cinema nacional.

Em suma, Lavagante parece-me uma digna homenagem à memória de António-Pedro Vasconcelos.

(*) Tinha ainda outra grande virtude: era um adepto fervoroso do Sport Lisboa e Benfica. Alguns de vós talvez considerem esta parte discutível…

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