Nem Guerra Nem Paz (1975)
Acredito que nem toda a gente aprecie o humor de Woody
Allen, ainda menos numa altura em que o realizador está caído em desgraça (*).
No entanto, para os apreciadores, Nem Guerra Nem Paz é um espécime obrigatório.
Woody Allen desempenha o papel de Boris Grushenko, um soldado medroso, desajeitado e com pouca apetência para a guerra, ao contrário dos irmãos musculados e destemidos. Boris ama a prima Sonja, interpretada por Diane Keaton, que por sua vez ama um dos irmãos de Boris, algo que o deixa desorientado. Estalando a guerra e as invasões napoleónicas, Boris é chamado a combater e aí é que as peripécias começam.
Mais do que a história, o que dá brilho a este filme são as
tiradas magníficas de Woody Allen. Vou destacar dois exemplos: 1.A determinada
altura Boris envolve-se com a condessa Alexandrovna. Após uma noite juntos
decorre o seguinte diálogo.
Condessa: És o melhor amante que já tive. Boris: Pois é, eu
pratico muito sozinho.
Mais à frente, numa discussão sobre o propósito da vida.
Boris: Ah, se Deus me desse um sinal. Se Ele ao menos
falasse comigo uma vez. Qualquer coisa. Uma frase. Duas palavras. Se Ele ao
menos tossisse.
Sonja: Claro que existe Deus! Fomos feitos à Sua imagem!
Boris: Achas que eu fui feito à imagem de Deus? Olha para
mim. Achas que Ele usa óculos?
Sonja: Não com essa armação.
Fun Fact: Nem Guerra nem Paz é uma sátira aos romances
russos, especialmente O Guerra e Paz do Tolstoi.
(*) É mau para qualquer um cair em desgraça, mas deve ser
particularmente triste para quem vive do humor. A palavra desgraça, numa
análise Abel Xaveriana , é a junção do prefixo Des, que pode significar negação
e a palavra graça. E um humorista sem graça, é um humorista sem alma.
Sem comentários:
Enviar um comentário