quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Advento 2025 - 4/25 - Nem Guerra Nem Paz (1975)

Nem Guerra Nem Paz (1975)

Acredito que nem toda a gente aprecie o humor de Woody Allen, ainda menos numa altura em que o realizador está caído em desgraça (*). No entanto, para os apreciadores, Nem Guerra Nem Paz é um espécime obrigatório.

Woody Allen desempenha o papel de Boris Grushenko, um soldado medroso, desajeitado e com pouca apetência para a guerra, ao contrário dos irmãos musculados e destemidos. Boris ama a prima Sonja, interpretada por Diane Keaton, que por sua vez ama um dos irmãos de Boris, algo que o deixa desorientado. Estalando a guerra e as invasões napoleónicas, Boris é chamado a combater e aí é que as peripécias começam.

Mais do que a história, o que dá brilho a este filme são as tiradas magníficas de Woody Allen. Vou destacar dois exemplos: 1.A determinada altura Boris envolve-se com a condessa Alexandrovna. Após uma noite juntos decorre o seguinte diálogo.

Condessa: És o melhor amante que já tive. Boris: Pois é, eu pratico muito sozinho.

Mais à frente, numa discussão sobre o propósito da vida.

Boris: Ah, se Deus me desse um sinal. Se Ele ao menos falasse comigo uma vez. Qualquer coisa. Uma frase. Duas palavras. Se Ele ao menos tossisse.

Sonja: Claro que existe Deus! Fomos feitos à Sua imagem!

Boris: Achas que eu fui feito à imagem de Deus? Olha para mim. Achas que Ele usa óculos?

Sonja: Não com essa armação.

Fun Fact: Nem Guerra nem Paz é uma sátira aos romances russos, especialmente O Guerra e Paz do Tolstoi.

(*) É mau para qualquer um cair em desgraça, mas deve ser particularmente triste para quem vive do humor. A palavra desgraça, numa análise Abel Xaveriana , é a junção do prefixo Des, que pode significar negação e a palavra graça. E um humorista sem graça, é um humorista sem alma.

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