John Candy: I Like Me (2025)
Nos últimos tempos têm surgido documentários sobre figuras do cinema, música ou
desporto que mais não são do que exercícios de propaganda, pobres em
profundidade biográfica e demasiado controlados na forma como apresentam os
acontecimentos. Alguns parecem episódios anhosos do Alta Definição, só faltando
mesmo o Daniel Oliveira, aquele que faz chorar. Felizmente, John Candy: I
Like Me, realizado por Colin Hanks e produzido por Ryan Reynolds, foge a
essa tendência.
A combinação de depoimentos de amigos, colegas e familiares,
juntamente com imagens de arquivo e vídeos caseiros, traça um retrato vívido da
personalidade de John Candy. Um ator canadiano de coração enorme, mas frágil,
que vivia numa insegurança constante apesar do seu talento natural para fazer
rir. A morte prematura do pai marcou-o profundamente, deixando-lhe o temor
persistente de que teria um destino semelhante. Infelizmente, acabou por se
concretizar: John Candy faleceu com apenas 44 anos, embora — como tantas
figuras anteriores aos anos 2000 — parecesse ter mais idade do que aparentava.
Candy foi grande em todos os sentidos. A sua corpulência era
simultaneamente marca distintiva e maldição. Sempre que emagrecia, surgiam
menos oportunidades de trabalho, porque o público queria o “Candy rechonchudo”.
No entanto, todo aquele peso em excesso era tudo menos saudável.
Da sua filmografia, lembro-me sobretudo de Spaceballs,
a comédia de Mel Brooks, Splash e Férias em Família. Durante
muitos anos, para mim, John Candy era apenas o simpático músico de polca que dá
boleia à mãe de Kevin em Sozinho em Casa. Não imaginava que Candy e
Catherine O’Hara tinham sido parceiros de comédia no “Saturday Night Live”
canadiano, o Second City.
Fun Fact: Além de ator e realizador, John Candy
chegou a ser dono de uma equipa de futebol canadiano, os Toronto Argonauts,
tendo mesmo conquistado um campeonato enquanto proprietário.
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