Numa altura em que a inteligência artificial anda mais do que na berra (*), resolvi revisitar um filme que, na minha memória, tinha elementos de inteligência artificial futurista (**). O filme é Minority Report, de 2002, realizado por Steven Spielberg, com Tom Cruise no papel principal. A história centra-se num departamento judiciário que, num universo futurista, consegue antecipar assassinatos que ainda não ocorreram, prendendo os criminosos mesmo antes de estes cometerem os crimes. A antecipação dos crimes é possível através de três humanos (precogs) com poderes de adivinhação e de supercomputadores que traduzem as suas visões em imagens, pistas e nos nomes das vítimas e dos assassinos. No fundo, é um mecanismo de prever o destino dos envolvidos.
Mas será que este sistema é
infalível? Ou haverá margem para o livre-arbítrio tomar o lugar do
determinismo? E será que, se alguém souber o que vai acontecer consigo no
futuro, atuará da mesma forma? E deve-se punir alguém que ainda não cometeu um
crime? E deverá a humanidade estar disposta a uma vigilância constante e
invasiva? Todas estas questões tornam este filme num interessante exercício
filosófico.
Por fim, o aspeto visual tem um
tom frio e granulado, o que realça a índole futurista do argumento. Os efeitos
especiais, esses, é que não envelheceram muito bem.
Fun fact: os nomes dos
três “precogs” são os de três escritores de policiais/mistério: Dashiell
Hammett, Sir Arthur Conan Doyle e Agatha Christie.
(*) Não sabia — mas a tempo fui
informar-me — que “estar na berra”, além de querer dizer estar na moda, também
pode significar o estado de cio de um animal. Notável o significado alternativo
e engraçado: “estar na berra” ser uma expressão completamente fora da berra,
digna apenas de ser proferida por um carcaças velhas como eu.
(**) Na verdade, é mais
inteligência humana sobrenatural, mas em termos de poder de previsão parece
algo que a inteligência artificial poderá, de alguma forma, fazer no futuro.
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