No confina-confina e volta a confinar, resolvi fazer um género de calendário de advento com algumas sugestões cinematográficas até ao dia natal. A ideia é simples: 25 dias, 25 filmes.
12 Angry Men (1957)
Neste dia 12 de Dezembro do mês 12, ou seja, o dia das
dúzias, ainda pensei em 12 Indomáveis Patifes mas não podia perder a oportunidade
para falar sobre 12 Homens em Fúria (EN: 12 Angry Men).
É um filme magnífico de Sidney Lumet (realizador de Dog Day
Afternoon), cujo argumento de Reginald Rose é dos melhores da história do
cinema, na minha opinião. Nesta obra, praticamente só o texto e a forma como é
interpretado interessam, o resto é acessório ou minimal. Não há cenários, não é
relevante a banda sonora. Apenas existem 12 homens a conversar dentro de uma
sala. A palavra é a rainha, utilizada de forma magistral pelos atores.
A história de 12 Angry Men é sobre 12 homens que fazem parte de um júri no tribunal, com a com responsabilidade de decidir se um jovem rapaz é inocente ou culpado do assassinato do próprio pai. Caso seja considerado culpado, o rapaz será condenado à morte. A decisão tem de ser unânime, ou seja, terão de chegar a um consenso sobre a culpabilidade do réu. Para tal, reúnem-se numa sala fechada e sem contacto com o exterior para discutir e deliberar sem pressões. Tendo em consideração a historial de marginalidade do acusado e as provas apresentadas durante em julgamento, aparamente claras e inequívocas no sentido da condenação, o caso parece óbvio.
No início da discussão, onze dos membros
do júri presumem que o rapaz é culpado e a apenas um o considera inocente. 11 contra 1. Este
desalinhamento unipessoal, provoca alguma irritação nos restantes 11, porque consideram
que não há razão nenhuma para não despachar o caso rapidamente, dada a contundência
das provas.
No entanto esse homem, o jurado número 8 (Henry Fonda), não
desiste de analisar os factos e considera que o caso se deve discutir a fundo,
alertando que estão perante a condenação à morte de um ser humano, ainda por cima
jovem, que sofreu maus tratos praticamente desde que nasceu. Pede que deixem de
lado preconceitos, que não haja comportamentos displicentes e que se
concentrem no essencial. Não estão a decidir cousa pouca, estão a decidir se
alguém deve morrer ou viver.
Entretanto, inicia uma análise detalhada às provas incriminatórias,
semeando a dúvida nos restantes jurados… E fico-me por aqui, aconselho vivamente que
vejam o filme para conhecer o desfecho da história.
É uma “master piece”, dos melhores filmes de sempre. Surpreende
como é que algo tão minimalista é ao mesmo tempo tão denso e complexo. Termino,
citando uma das frases que acompanhou a promoção do filme nos cinemas:
Life Is In
Their Hands -- Death Is On Their Minds!
Fun Fact: Com a morte de Jack Klugman em 2012 ( jurado número 5), já nenhum dos “12 homens em fúria” é vivo.


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