No confina-confina e volta a confinar, resolvi fazer um género de calendário de advento com algumas sugestões cinematográficas até ao dia natal. A ideia é simples: 25 dias, 25 filmes.
Hoje, dia 6 de Dezembro, é dia de São Nicolau. Portanto, todos aqueles que defendem que a entrega de prendas é responsabilidade do Pai Natal em vez do menino Jesus (coisa de pessoas com mais de 80 anos), deviam proceder hoje à troca das ditas prendas. Na verdade, mesmo que se defenda a hipótese menino Jesus, faria mais sentido trocar prendas no dia de Reis, 6 de Janeiro do que no dia de Natal, 25 de Dezembro. O menino recebe prendas, não dá… (pronto, pronto, paro de ser chato)
Antes do rebranding feito pela Coca-Cola,
Nicolau era um bispo originário de Myra, que terá vivido durante o século IV na
Ásia menor e segundo consta não tinha uma criação de renas, nem tão pouco usava
roupa fofinha vermelha, aliás se naquela altura usasse tais vestes, levava logo
duas galhetas no focinho ou ia parar à fogueira. A ele foram atribuídos diversos
milagres, sendo considerado o santo protetor dos marinheiros e comerciantes,
santo casamenteiro (olha um concorrente do Santo António, será que existem as
noivas de São Nicolau na Lapónia?) e principalmente, o santo amigo das crianças.
A sua lenda foi crescendo, tornando-se santo padroeiro na Rússia, Grécia e
Noruega. De lenda em lenda, chegou-se a uma figura de um velho de barba, que
carregava consigo oferendas para distribuir pelas crianças e menos afortunados.
Para assinalar o dia de São Nicolau
torna-se obrigatório falar de um filme de Natal, tendo a minha escolha recaído num
dos maiores clássicos do cinema, It's a Wonderful Life (Pt: Do céu caiu uma Estrela)
de Frank Capra.
Este filme retrata a vida de George Bailey (James Stewart), um homem generoso que ao longo de toda a sua vida não parou de ajudar os outros, família, amigos ou simplesmente conhecidos, mesmo que isso implicasse sacrifício pessoal. Por exemplo, enquanto criança salvou o seu irmão quando este caiu num lago gelado, tendo ficado surdo de um ouvido. Já adulto, assumiu a empresa do pai após a sua morte, algo que o impediu ir para a faculdade. Essa empresa era importante para a comunidade, pois facilitava crédito e ajudava as pessoas a adquirir a sua própria casa, algo impossível doutra forma. Ou seja, estamos a falar de um indivíduo que fez muito pelo seu povo, sem esperar nada em troca, mesmo nos momentos mais difíceis, nomeadamente durante a grande depressão ou durante a 2ª grande guerra.
No entanto, chegou a uma
altura da vida em que sentiu perdido, pondo a razão da sua existência em causa. A frustração afetava-o. Vendo a empresa em dificuldades financeiras e incapaz de arranjar outra solução
possível para garantir a solvabilidade e cumprir compromissos, equaciona cometer suicídio para salvar a empresa, graças ao resgate do seu seguro de vida. É na altura em que
está prestes a atirar-se da ponte que resolver rezar, será que irá aparecer
algum anjo da guarda em seu auxílio?
É um filme absolutamente mágico
sobre a solidariedade entre os homens (algo tão natalício), de como cada um de nós pode fazer a diferença
e no fundo, sobre a forma como devemos encarar a nossa passagem pela terra: claro que acontece muita
porcaria, mas no geral, a vida é maravilhosa.
It’s a Wonderful Life é o clássico dos clássicos de Natal, daqueles filmes que verdadeiramente aconchegam os corações nos dias mais frios de Dezembro, que sabe bem ver enquanto temos as pernas a ser bafejadas pelo quente da lareira. Apesar de ser de 1946, ainda se vê muito bem, graças ao bom ritmo do guião, salpicado por vários momentos de humor.
Fun Fact: Em 2006, foi
considerado o filme mais inspirador de todos os tempos pelo American Film
Institute

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