No confina-confina e volta a confinar, resolvi fazer um género de calendário de advento com algumas sugestões cinematográficas até ao dia natal. A ideia é simples: 25 dias, 25 filmes.
Amadeus (1984)
Estou longe de ser um especialista em música clássica, na verdade, em música no geral. Não sei tocar sequer o "Parabéns a Você" na flauta. No entanto, atrevo-me a dizer que Mozart terá sido dos maiores génios da história da música.
Houve uma altura em que resolvi estudar a ouvir música clássica e Mozart fazia parte das playlists habituais do género. Todavia, era impossível concentrar-me a ouvir as suas obras. É tão sublime, que a atenção resvalava quase sempre da aborrecida matéria, para as hipnotizantes notas que me entravam pelos ouvidos.
Incentivado (obrigado?) pelo pai, Mozart aos 4 anos já sabia tocar piano e aos 5 começou a compor. Eu e a maior parte das pessoas com essas idades mal sabíamos apertar os atacadores. Na adolescência foi contratado como músico na corte em Salzburgo, aos 15 anos chega a Viena e é na capital austríaca que conquista a fama, apesar de viver quase sempre em dificuldades financeiras. Viria a morrer na miséria aos 35 anos, deixando um legado intemporal, entre os quais, várias óperas, sinfonias e concertos. O devido reconhecimento apenas surgiria anos mais tarde e o seu génio é louvado ainda nos dias de hoje.
Em 1984, Milos Foreman deu vida a Mozart no grande ecrã e de uma forma absolutamente extraordinária, através do épico biográfico, Amadeus. A história é narrada por Antonio Salieri (F. Murray Abraham), compositor contemporâneo de Mozart (Tom Hulce), que nutria por ele um misto de fascínio e inveja. Nos seus relatos e em jeito de confissão, considerava que Deus o tinha injustiçado, dando um talento único a uma criatura vulgar e que ele, Salieri, tão casto e devoto não tinha sido agraciado com semelhantes dotes, tendo, imerecidamente, sido esquecido pelo público. Todavia, o ódio que sentia era tão grande como a admiração que tinha por Mozart. Com a sua notável interpretação de Salieri, Abraham mereceu de forma justa o oscar para melhor actor.
Visualmente, Amadeus é magnífico, boa fotografia, caracterização de cenários e personagens impecáveis. No entanto, a banda sonora, toda ela obra de Mozart, destaca-se, como não poderia deixar de ser. Por isso, recomendo que vejam o filme, se possível, com um bom sistema de som. Nota final para Tom Hulce que, segundo consta, terá estudado música e praticado as peças de Mozart afincadamente, tendo sido o próprio a tocar os instrumentos sem recurso a duplos no filme.
Fun Fact: O filme reavivou o interesse na obra de Salieri que, até então, estava remetida à obscuridade.
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