No confina-confina e volta a confinar, resolvi fazer um género de calendário de advento com algumas sugestões cinematográficas até ao dia natal. A ideia é simples: 25 dias, 25 filmes.
Hoje, dia 17 de Dezembro,
comemora-se o 83º aniversário do argentino, Jorge Maria Bergoglio, mais
conhecido por Papa Francisco. O seu papado (soa-me sempre estranho) tem ficado
marcado pelo registo mais aberto e descontraído, contrastando em grande medida
com o seu antecessor, o alemão Ratzinger, Papa Bento XVI.
Esta diferença de atitude é
retratada em Two Popes, filme de Fernando Meirelles (tinha de ser do realizador
de Cidade de Deus) que conta a história da renúncia de Bento XVI (Anthony Hopkins)
e respetivas razões que o levaram a abdicar, bem como as peripécias que antecederam
a nomeação de Francisco (Jonathan Pryce). No filme os dois papas são retratados
como sendo diametralmente opostos, Bento – fechado, ortodoxo, conservador, carrancudo
e Francisco – aberto, liberal, progressista, simpático. Em linguagem pré-escolar,
o Papa “Mau” e o Papa “Bom”. Claro que uma obra de ficção ganha com a diferenciação
marcada das personalidades, algo que na vida real duvido que seja tão evidente,
pelo menos na privacidade.
Quanto ao filme? Vê-se como quem bebe um chopinho, é levezinho
e diverte, ideal para assistir num Domingo à tarde frio e chuvoso. O enredo em
si não é extraordinário, mas tem as artimanhas certas para nos fazer emocionar
e, a espaços, sorrir. Há uma cena em que os dois papas comem pizza e bebem
fanta, o que tem alguma piada, mas já não via um Product Placement tão descarado
há muito tempo.
Destaque final, mas não menos importante, para os
desempenhos de Hopkins e Pryce. São duas atuações maiores do que o filme e dada
a sua excelência foram merecedoras de nomeações para os oscares.
Fun Fact: Nenhuma das cenas foi filmada no Vaticano,
a produção não obteve autorização para o fazer.

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