No confina-confina e volta a confinar, resolvi fazer um género de calendário de advento com algumas sugestões cinematográficas até ao dia natal. A ideia é simples: 25 dias, 25 filmes.
Ennio Morricone abandonou-nos no
dia 6 de Julho deste ano, tendo deixado um amplo legado de extraordinárias bandas
sonoras, muitas entraram para história do cinema.
Felizmente, tive a oportunidade
de assistir ao seu último concerto em Portugal, onde o autor italiano, já
bastante limitado ao nível da locomoção, agraciou o público com os temas icónicos
da sua obra. À medida que as músicas ecoavam no Meo Arena, na minha mente ia-se
fazendo, de forma instantânea, a correspondência entre os sons produzidos pela
orquestra e as cenas dos filmes, algo que despertou em mim, sentimentos
sinceros de nostalgia e emoção.
A sua carreira como compositor de
bandas sonoras ganhou notoriedade através da frutífera parceria com Sérgio
Leone, sendo exemplo disso: Por um Punhado de Dólares, O Bom, o Mau e Vilão,
Era uma Vez no Oeste, etc. Após esta fase dos anos 70, nunca mais parou de compor
para cinema e televisão, colaborou com os mais diversos realizadores (Tarantino,
Oliver Stone, Brian De Palma, Carpenter, …), sendo-lhe atribuídos créditos em
mais de 400 títulos.
Assim, a sugestão de hoje recai
sobre um filme italiano cuja banda sonora de Ennio Morricone é das mais marcantes
do seu reportório. Refiro-me ao comovente Cinema Paraíso de 1988, realizado por
Giuseppe Tornatore. Esta obra conta a
história de Toto, um cineasta bem-sucedido que recebe a triste notícia da morte
de Alfredo, seu amigo e projetista da pequena cidade onde cresceu. Graças a
esta infeliz novidade, Toto viaja de novo até à sua meninice e recorda os momentos
que passou com Alfredo no cinema da pequena cidade. Foi nesta altura que se
apaixonou pela sétima arte. Lembra-se por exemplo, dos primeiros filmes que viu,
espreitando pelas cortinas nas sessões em que o Padre, como sensor, via os
filmes antes das estreias para verificar se havia cenas com beijos com o
intuito de as mandar cortar.
(SPOIL ALERT) É interessante perceber, como numa
determinada época o cinema era um acontecimento social, em que famílias inteiras
partilhavam as sensações que o grande ecrã lhes transmitia. Em cinema paraíso,
há várias cenas em que este aspeto é retratado e o momento em que o cinema da
cidade arde pode ser entendido como uma metáfora para o fim dessa era, a era
dourada do cinema.
Em Cinema Paraíso é tudo perfeito: o elenco, a
guião, o desempenho dos actores, a música, as emoções. Um filme que
obrigatoriamente se tem de ver antes de morrer.
Fun Fact: No final de 1956,
Itália era o país com mais cinemas da Europa, cerca de 17.000.

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