quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

Advento 2020 - 16/25 - Cinema Paraíso (1988)

 No confina-confina e volta a confinar, resolvi fazer um género de calendário de advento com algumas sugestões cinematográficas até ao dia natal. A ideia é simples: 25 dias, 25 filmes. 


Cinema Paraíso (1988)

Ennio Morricone abandonou-nos no dia 6 de Julho deste ano, tendo deixado um amplo legado de extraordinárias bandas sonoras, muitas entraram para história do cinema.

Felizmente, tive a oportunidade de assistir ao seu último concerto em Portugal, onde o autor italiano, já bastante limitado ao nível da locomoção, agraciou o público com os temas icónicos da sua obra. À medida que as músicas ecoavam no Meo Arena, na minha mente ia-se fazendo, de forma instantânea, a correspondência entre os sons produzidos pela orquestra e as cenas dos filmes, algo que despertou em mim, sentimentos sinceros de nostalgia e emoção.

A sua carreira como compositor de bandas sonoras ganhou notoriedade através da frutífera parceria com Sérgio Leone, sendo exemplo disso: Por um Punhado de Dólares, O Bom, o Mau e Vilão, Era uma Vez no Oeste, etc. Após esta fase dos anos 70, nunca mais parou de compor para cinema e televisão, colaborou com os mais diversos realizadores (Tarantino, Oliver Stone, Brian De Palma, Carpenter, …), sendo-lhe atribuídos créditos em mais de 400 títulos.

Assim, a sugestão de hoje recai sobre um filme italiano cuja banda sonora de Ennio Morricone é das mais marcantes do seu reportório. Refiro-me ao comovente Cinema Paraíso de 1988, realizado por Giuseppe Tornatore. Esta obra  conta a história de Toto, um cineasta bem-sucedido que recebe a triste notícia da morte de Alfredo, seu amigo e projetista da pequena cidade onde cresceu. Graças a esta infeliz novidade, Toto viaja de novo até à sua meninice e recorda os momentos que passou com Alfredo no cinema da pequena cidade. Foi nesta altura que se apaixonou pela sétima arte. Lembra-se por exemplo, dos primeiros filmes que viu, espreitando pelas cortinas nas sessões em que o Padre, como sensor, via os filmes antes das estreias para verificar se havia cenas com beijos com o intuito de as mandar cortar.

(SPOIL ALERT) É interessante perceber, como numa determinada época o cinema era um acontecimento social, em que famílias inteiras partilhavam as sensações que o grande ecrã lhes transmitia. Em cinema paraíso, há várias cenas em que este aspeto é retratado e o momento em que o cinema da cidade arde pode ser entendido como uma metáfora para o fim dessa era, a era dourada do cinema.

 Em Cinema Paraíso é tudo perfeito: o elenco, a guião, o desempenho dos actores, a música, as emoções. Um filme que obrigatoriamente se tem de ver antes de morrer.

Fun Fact: No final de 1956, Itália era o país com mais cinemas da Europa, cerca de 17.000.

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