No confina-confina e volta a confinar, resolvi fazer um género de calendário de advento com algumas sugestões cinematográficas até ao dia natal. A ideia é simples: 25 dias, 25 filmes.
A Rede Social (2010)
Foi no dia 3 de Dezembro de 1992, ou seja faz hoje 28 anos, que a partir do seu computador, Neil Papworth enviou a primeira SMS (Short Message Service) de sempre, tendo como destinatário o telemóvel de Richard Jarvis, diretor da Vodafone à data - companhia que se encontrava a desenvolver a tecnologia.
Quem diria que um singelo "Merry Christmas" iria dar origem a uma revolução da comunicação entre as pessoas. Entre as pessoas menos eu! Isto porque nos primeiros tempos das SMS eu vivia numa localidade sem grande cobertura de rede e recebia frequentemente SMSs com bastante atraso. Aconteceu-me por diversas vezes, receber mensagens que me tinham sido enviadas numa sexta-feira, apenas na segunda-feira seguinte. Quantos LOLs não perdi...
Engraçado como em menos de 30 anos, algo tão revolucionário está completamente ultrapassado. Hoje em dia, praticamente só recebo mensagens da Proteção Civil com alertas sobre o mau tempo ou informações sobre a feira de queijos e enchidos do Continente. A tecnologia avançou muito rápido, tendo a era dourada das SMSs desaguado na era das Redes Sociais.
O aparecimento do Facebook em 2004, alterou radicalmente e de uma forma irremediável, a forma como os seres humanos se relacionam. Atualmente, o poder das redes sociais é tão grande, que já houve até eleições decididias por causa da influência de mensagens dessiminadas nestas plataformas. Na minha opinião, nunca existiu nada como as redes sociais, ao nível da capacidade para alterar comportamentos e de potenciar movimentos, com os benefícios e os perigos que tal poder acarreta. Outra questão é o nível de adição que as redes geram, principalmente nos mais novos. Para quando uns adisivos para o braço, semelhantes aos da nicotina, que dessem ao utilizador a mesma sensação de satisfação de ver uma história no Instagram de um influencer ou a de enviar um tweet recheado de ódio?
A Rede Social de David Fincher é um filme que conta a história de Mark Zuckerberg e os factos (mais ou menos verídicos) que contribuíram para a criação do Facebook.
A acção centra-se, evidentemente, em Zuckerberg. Um aluno de Harvard, inteligente, nerd, mas um pouco presunçoso e ainda infantil, a atravessar aquilo que parece ser uma crise de puberdade. Jesse Eisenberg desempenha o papel de forma soberba, conseguindo criar uma personagem com as características mencionadas e ainda adicionando uma camada de dilema interior: afinal como é que um homem numa era de redes sociais, aliás, tendo criado uma, se pode se sentir tão só e vazio.
A cargo de Aaron Sorkin, o guião e os diálogos foram muito bem construídos, competentemente desenvolvidos pelo elenco, com destaque para Rooney Mara, Andrew Garfield, Armie Hammer e Justin Timberlake.
Nota final para excelente banda sonora de Trent Reznor, com o seu quê de hipnotizante, mas sem dúvida bastante intrigante.
Fun Fact: Após a escolha do elenco, David Fincher proibiu até ao final das filmagens que os actores se encontrassem na “vida real”.

Sem comentários:
Enviar um comentário