No confina-confina e volta a confinar, resolvi fazer um género de calendário de advento com algumas sugestões cinematográficas até ao dia natal. A ideia é simples: 25 dias, 25 filmes.
Klaus (2019)
Neste
calendário de Advento não podia faltar um filme de animação. Ainda pensei
sugerir um grande clássico da Disney, Dreamworks ou dos estúdios Ghibli, mas
resolvi escolher Klaus de Sergio Pablos, produzido em Espanha para a Netflix.
Foram 3 os motivos:
1) É um filme
natalício, mais precisamente sobre as origens do Pai Natal. A história passa-se
numa ilha perdida do ártico, local em que as pessoas são carrancudas, não falam
umas com as outras, muito menos através de cartas, onde vai parar um aspirante
a carteiro, Jesper (Jason Schwartzman). A Jesper foi atribuída a missão quase
impossível de reativar a atividade postal daquele lugar, tendo como quase única
aliada a professora local, Alva (Rashida Jones). Como vai conseguir
que pessoas que se odeiam, enviem cartas? Mais, como vai conseguir pôr estas pessoas simplesmente a falar? Ainda na ilha, numa solitária cabana repleta de brinquedos
manufaturados, vive Klaus (J.K. Simons), um carpinteiro de idade avançada,
corpulento e com umas fartas barbas brancas - lembra alguém?
2) É daqueles filmes para miúdos que os graúdos adoram ver. Inclusivamente,
acredito que haja pais que peçam aos filhos para ver este desenho animado. "Papá quero ver o SaW. Não queres ver antes o Klaus pequenito?" Apesar de começar num tom sombrio, numa ilha cinzenta com habitantes sisudos, aos
poucos o gelo vai-se derrentendo, surgindo momentos de muita ternura, fofura e
alguma emoção. Sugiro que tenha um pacote de lenços à mão. Não faltam também momentos
realmente cómicos, proporcionadas por algumas personagens meio tresloucadas. Portanto, é divertido, é fofo, é comovente, é
mágico como se pede no natal, e vê-se bem, se possível, a comer Ferrero
Rocheres junto à lareira.
3) Nomeado para o Oscar de melhor filme de animação em 2019, Klaus contou com o contributo de dois gémeos portugueses. Os irmãos Sérgio e Edgar Martins colaboraram no desenvolvimento do filme, nomeadamente nos departamentos de animação e supervisão de storyboard. Numa entrevista ao Observador, Sérgio destacava o facto de Klaus ter sido feito em 2D tecnologicamente avançado - em que cada frame que aparece no ecrã foi desenhado à mão. Ao contrário do que acontece nos filmes 3D - em que as personagens são desenhadas à mão e depois os animadores usam um software para as fazer mover. Pessoalmente, gosto muito mais de ver um filme de animação 2D, em 3d tudo parece insuflado.
Cresci com o aparecimento
de grandes clássicos da Disney, Rei Leão, Aladino, Pequena Sereia, Pocahontas,
Mulan, etc, ou seja, com uma fasquia muito elevada ao nível de filmes de
animação. Por isso, tendo a olhar com alguma sobranceria para a novidade. Não
obstante, reconheço que nos últimos anos têm surgido obras de animação muito
interessantes e Klaus é disso exemplo.
Fun
Fact: A produção e desenvolvimento do filme envolveu
artistas de 22 países diferentes.

Sem comentários:
Enviar um comentário